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Tenha, pois, a bondade de me dizer por que iria eu atravancar a cabeça com conhecimentos gerais, para poder responder a perguntas, se tenho homens a minha volta, capazes de fornecer qualquer conhecimento exigido? Formara o quimérico plano de bater o vencedor com o partido vencido que o invocava; esperando sentar-se no belo trono de Castela, de que prometia um retalho ao aragonês, outro ao granadino. Os elementos, confundidos, vingam-se da temeridade dos homens. Trouxe fama e fortuna e dezenas de artistas que criaram quadros magníficos, descrevendo o produto. Sendo substituída por Adma Andrade. O inimigo, de Castela, fazia outro tanto. Dijon vs nimes estatísticas. Magníficos - Dono de Mim. A posse dos segredos das costas e dos segredos das rotas enchia de confiança o ânimo do rei no futuro grandioso do seu império. Existe diferença entre ansiar por algo e estar pronto a recebê-lo. A comida é conservada na geladeira elétrica. Lembre-se disso, quando você estiver pronto a negociar com a vida, pelo preço que você exigir, por ter passado por aqui. Assim em Tchitagan, assim em Ugoli de Bengala, em Nagapatan na costa oriental da Índia, em Macau, e em infinitos lugares[]. Muitas torres, numerosos trons batiam os muros e levantavam os sitiadores à altura das ameias. Procure, deliberadamente, a companhia de gente que a influencie a pensar e agir por si. Um havia de ser colocado na baía de S. Dentro da cidade escasseavam os mantimentos, e bandos de soldados fugiam com fome: do alto dos muros, os que ficavam perseguiam-nos com surriadas e pedras. Quem era Afonso Henriques? Sancho I deixara-lhe metade do reino.

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Banda Magníficos. Consultado em 25 de julho de Categorias ocultas:! Artigos com imagem local porém sem imagem no Wikidata! Esboços sobre bandas! Esboços maiores que bytes. Vistas Ler Editar Editar código-fonte Ver histórico. Noutras línguas Adicionar hiperligações. Logotipo da banda. Foram eles que o incentivaram a trazer a familia e que assim as coisas melhorariam.

Acabei por levar uma valente sova, ir parar o hospital com um braço partido, onde ele disse aos médicos que eu tinha caído nas escadas da cave com um cesto de roupa. Eu chorava mais com a vergonha e desgosto do que com as dores. Mesmo assim houve uma enfermeira que me chegou a perguntar. Algum tempo depois, ele começou a mudar, em vez de bater fazia ameaças e chantagens usando os meus filhos, chegou ao ponto de eu preferir que ele me batesse.

Mais tarde vim a descobrir que um colega tinha ido parar à cadeia por causas de maltratar a mulher, e que tinham sido os vizinhos a chamar a polícia. Carta editada na sua integra visto a gravidade do assunto. Seguros em todos os ramos e diversas companhias. Perco-me no momento Ainda nâo parti Jà meu coraçâo me reclama Jà meus olhos nâo mentem A tristeza de uma saudade teimosa Perdida nas feridas da alma As horas contam,os minutos esvanecem.

De sorriso Forçado Grito baixinho,que te trago Atravessado em meu coraçâo, Mas a saudade Teimosa Que teima em cresçer Cala-me a voz,deixa apenas Meu olhar sofrido desabafar Saudade,nâo se escreve Saudade,nâo se define Saudade sente-se Pura e simplesmente Na sua teimosia Para um pai, para uma mâe Perdidos na dor da despedida..

Na sua teimosia Para um pai ,para uma mâe Perdidos na dor da despedida.. AMOR - Aprenda a encontrar-se e viver mais a realidade.

Aprenda a encontrarse e viva mais a realidade. Aprenda a partilhar mais. Olhe em volta, analise bem todas as decisões que tomar, e separe bem a vida pessoal da profissional. AMOR - Tenha cuidado, com o que lhe vai na alma. Modere-se e controle os seus ímpetos, que muitas vezes magoa quem o rodeiam. Você tem que ser mais firme e objectivo nas suas decisões.

Este mês ainda tem alguns espinhos para si, mas tem tendência a melhorar. Você é forte e vai encontrar a paz interior. Este mês deve fazer do seu bem-estar a sua prioridade.

Zele pelo seu físico e pelo seu lado espiritual, ou seja, preocupe-se mais com o seu eu. AMOR - Este fala de novos horizontes, novas hipóteses. Perceba bem o que quer, de forma a poder tomar decisões. No trabalho é bom manter a calma em todas as situações. Este mês saia da sua zona de conforto, e atreva-se a ter um pouco menos de timidez.

Mostre os seus valores, a sua força e a sua criatividade.

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Bom mês para tomar decisões. Sabe qual o segredo para ultrapassar todas as barreiras que surgem este mês? Focar-se no amor. Tenha cuidado com os falsos amigos ou com propostas desonestas. Pare e analise antes de confiar. A culpa é só dos outros. AMOR - Esta um pouco perdido sem saber aonde pousar.

Com os pés na terra pare e pense qual o caminho correto para a sua felicidade. Deite num tacho o azeite a cebola e o alho leve ao lume até ficar refugado mas sem queimar. De seguida desfie o bacalhau retirando-lhe todas as espinhas e junte ao refugado e retire do lume ,entretanto prepare o molho bechamel ,frite as batatas até ficarem louras ,junte também ao refugado do bacalhau.

O nosso chefe de cozinha aconselha um bom vinho branco para acompanhamento deste delicioso prato. O que é? Um advogado recém-formado abriu um escritório num luxuoso prédio no centro da cidade. Depois de alguns dias, irritou-se com a falta de clientes. Finalmente viu um homem entrar e rapidamente pegou no telefone, fingindo estar a falar com alguém: - Ah, foi? Os seus meios eram mesquinhos, soezes e cruéis. Conquistaram o castelo de Lisboa, levando à frente de si as mulheres e os filhos dos que o defendiam pelo infante D.

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O Mestre acedeu; e propôs o caso à rainha, que respondeu com uma gargalhada. Podia-se, acaso, descer mais? Quem faz, porém, os Messias, é o povo. Valham pouco, valham nada, pouco importa. Andavam ambos como cegos em torno de um farol, sem o verem. Eram ambos como certos animais das trevas, a quem a desnecessidade priva de olhos.

Nos atos alheios, aprendia a pesar os seus, ganhando com isso a atitude de um moderador prudente. Os grandes, os alcaides das terras, eram por Castela ou pelo infante D. Formavam-se uniões espontâneas; e as levas populares conquistavam para o Mestre os castelos e vilas fortificados aos senhores e aos alcaides dos concelhos. Uma grande parte do reino obedecia ao governo de Lisboa; mas a rainha, o rei de Castela e o exército invasor, na sua marcha sobre a capital, ocupavam Coimbra.

Leonor Teles acabou aí. Os seus planos falharam; e enojada e cheia de desespero, seguiu a ordem do genro, que de Coimbra a mandou enterrar no mosteiro de Tordesilhas. Como acabaria a sua vida? Acaso roída de desespero, impenitente? O exército castelhano desceu sobre Lisboa, e este segundo cerco da capital foi mais cruel ainda do que o primeiro, no tempo de D. Legitimista, considerava-se ligada ao infante D.

Pedro jamais se casou com D. Inês de Castro. Além de ilegítimos, continuava sem se perturbar, os filhos de D.

Apresentou as bulas, nas quais o Papa recusara aceder aos pedidos do rei D. Podia haver prova mais solene? O ataque era irresistível; e tudo cedeu, declarando-se vago o trono, e elegendo-se para o ocupar o Mestre de Avis, D. Aljubarrota respondeu com as armas à eloquência das cortes; e, vitorioso no conselho e no campo, o trono de D. O castelhano trazia consigo vinte mil homens de cavalo, nos quais entravam dois mil franceses, gascões e bearneses; com a peonagem, o seu exército ia a mais de metade.

Em volta de D. Pelo meio-dia apareceu o exército inimigo, vistosamente composto na galhardia das armas reluzentes com o sol, dos pendões e bandeiras blasonadas, das mesnadas dos ricos-homens da Espanha e da França meridional, montados nos seus cavalos de guerra. Os padres rezavam no seu latim Verbum caro factum est, e os soldados traduziam desta forma o Evangelho: muito caro feito é este.

O rei de Castela fugiu nas suas andas. Toda a bagagem do seu exército caiu em poder dos vencedores. Durante a Idade Média, vogavam também extravagantes lendas acerca do Atlântico[58]. O mar tenebroso era um oceano de luz, semeado de ilhas verdes, onde havia cidades com muralhas de ouro resplendente: ao cabo das longas e perigosas viagens estava o paraíso terreal. Ormuz era o empório mercantil de todos os mercados do Oceano Índico. Tinha, porém, no começo do XV século, a empresa encetada com tamanho vigor e tino pelo infante D.

A conquista de Ceuta prende-se direta e principalmente a este pensamento. Pedro, talvez por sua culpa morto em Alfarrobeira. Um fundou o reino, outro fundou o império efémero do Oriente; entre ambos, D.

Henrique foi o herói pertinaz e duro, a cuja força Portugal deveu a honra de preceder as nações da Europa na obra do reconhecimento e vassalagem de todo o globo. Pedro, acaso o tipo mais digno de toda a história nacional; D. Fernando, cujos méritos desaparecem perante o do martírio que o santificou; D.

Henrique, finalmente, em cujo cérebro ferviam os destinos futuros de Portugal. Com tais elementos consegue-se tudo no mundo. A corte apresenta uma fisionomia diversa: dir-se-ia uma Academia. À noite, nos serões, leem-se, pouco, passo, e bem apontado, como D. Os planos de D. Era uma língua de rocha cravada nas ondas e açoitada pelas ventanias do noroeste.

Sagres ia ser no XV século, como fora nos velhos tempos, o pedestal de um templo. Acreditavam os antigos celtas, do Guadiana espalhados até a costa[62], que no templo circular do promontório sacro se reuniam às noites os deuses, em misteriosas conversas com esse mar cheio de enganos e tentações, aberto ao capricho dos homens para os tragar. Pedro trouxera-lhe das suas viagens o manuscrito das peregrinações de Marco Paulo. Porto Santo, a Madeira e os Açores foram por esta forma arrancados às trevas do mar[63].

Gil Eanes parte, afinal, em , e volta com a desejada nova. Gil Eanes voltou para responder afirmativamente. O infante morreu em , e com a sua morte parou o movimento das navegações. Os genoveses foram os nossos mestres na arte de navegar. Que eram esses navios, porém? O leitor decerto viu alguma vez, de tarde, ao cair do sol, o recolher dos barcos, voltando do mar, nas praias de Ovar ou da Póvoa de Varzim.

Essa cena repetia-se para pôr a enxuto e para pôr a nado as embarcações; e Sancho II realizou um progresso, ainda hoje desconhecido nas nossas praias de pescadores: mandou construir debadoiras cabrestantes para encalhar, tirados por cabos os navios. Dinis marca uma segunda era na história da marinha nacional. Além disto o rei aplica-se a melhorar o Porto de Paredes, na costa ao norte do cabo da Roca, defendendo-o contra as dunas, que, apesar de tudo, o invadem e destroem.

Com este mesmo pensamento mandaria semear o pinhal de Leiria. Também no seu tempo, por morte do conde do mar, Nuno Cogominho, em cuja família esse cargo andara, vem tomar o almirantado da armada portuguesa o genovês Pezzagna. Os progressos realizados no XIV século preparam os recursos poderosos, com que, no seguinte, o infante D. Henrique pode levar de frente as duas empresas a que votara a sua existência.

O rei D. Fernando assistia ao pleno desenvolvimento de uma potência comercial e marítima; e o que fez em favor do seu progresso demonstra a lucidez do seu espirito. O rei em pessoa era armador e negociante de certos géneros exclusivos. Deu, aos que desejassem construí-los, a faculdade de cortar madeiras nas matas reais. Noutro lugar dissemos que o governo de D. De todos os fundadores de Portugal marítimo D.

Fernando foi como o pior dos erros. Camões fulminava, pela boca do velho do Restelo, os que arrastavam Portugal para o mar; como Plutarco também condenou Temístocles por ter lançado os atenienses no caminho das empresas marítimas. Outro tanto diremos de nós. Os cuidados do rei em favor da marinha mercante abraçavam também a marinha de guerra. A armada que foi bloquear Sevilha era, no dizer do cronista, formosa campanha de ver.

A esquadra de Sevilha contava trinta e duas galés, trinta naus redondas, afora as que vieram pera la da costa do mar. Vinte e três meses teve bloqueado o Guadalquivir, e retirou com a paz. As pazes celebradas com Castela no ano anterior tinham dado o sossego a uma corte onde fervia o desejo de praticar grandes coisas. Diz-se que o rei pensara em abrir em Lisboa um torneio de um ano, onde viriam os mais célebres cavaleiros da Europa medir-se com os portugueses; mas esse plano extravagante foi substituído pelo projeto mais sensato de ir a Ceuta.

Todos temiam: o aragonês, e principalmente o mouro de Granada. Duarte aparelhara em Lisboa oito galeões, e D. Iam embarcados cinquenta mil homens. Ao passarem à vista do Cabo de S. Vicente os navios baixaram as velas por razam das reliquias que ali havia.

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Era esta a primeira grande empresa marítima de Portugal; ou antes e melhor, era a primeira vez que as esquadras portuguesas saíam de Lisboa com o fito de alargar o reino para além do mar. O infante D. Que se fazia porém de Ceuta? Ceuta guardou-se como princípio de mais dilatadas empresas. Henrique governava — observa que tudo falta, para esperar um bom êxito.

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Posto que Tânger se tomasse, e Arzila, e Azamor, que se lhes faria? Por isso, apesar da nenhuma brecha que os argumentos, por via de regra, fazem nas teimas, o rei ou D.

Porém, apesar de tudo, dos homens com que se contava para a ida, apenas se conseguiu reunir. Fernando em reféns de Ceuta, que era o preço da liberdade do exército. Dali os mouros levaram-no a Fez.

Conduziram-no montado num sendeiro mui magro, desferrado, tendo por freio umas tamiças, a sela esfarradapada, os arções despregados.

Deram-lhe também uma cana, para guiar a azêmola. Uns, com os apupos, remordiam-se coléricos; o infante, submisso e conformado, lembrava-se de que outro tanto, e mais ainda, sofrera Jesus por ele. Pendurado nu, pelos pés, nas ameias da cidade, foi a sorte que lhe deram.

Antes, pregado na cruz, tivesse expirado como Cristo. De volta ao reino, e salvo, D.

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Henrique opôs-se decididamente à entrega de Ceuta. Com a desumanidade de um apóstolo, D. Henrique sacrificava tudo e todos à sua fé. Voltou a encerrar-se em Sagres, com os seus livros, os seus mapas, os seus cosmógrafos e mareantes; voltou a olhar para o mar — pois que, por largos anos, para sempre talvez! Pedro, para vir repetir o que dissera nas vésperas de Tânger. Quando, em , morreu D. O domínio português na costa de Marrocos chegava ao apogeu; mas qual era o resultado dessas empresas?

Vinha por aí a Portugal o comércio das Índias, como D. Henrique pensara? O exemplo mesquinho da pessoa do antecessor e pai, Afonso V, as desordens do reino e a fraqueza do rei tinham educado o espírito agudo e observador do moço príncipe.

Afonso V jamais foi. O grande defeito da sua mocidade fora a facilidade com que se deixava lisonjear. Exploravam-lhe as fraquezas, açulando-lhe os ódios nos momentos de cólera, distraindo-o com facécias e ditos nas horas de abatimento, gabando-lhe tudo: os arremessos e as cobardias, a brandura e a cólera, como aduladores de ofício.

Henrique, para que desmanchasse essas perfídias. Aborrecido de viver, desejoso de deixar o mundo, o ex-regente via que tudo se conspirava para o perder. Era um dos poucos a quem a sabedoria tornara realmente bons. Efetivamente o mataram, a ele, e ao seu fiel Achates, o nobre conde de Avranches, tipo de lealdade cavalheiresca, sempre rara, e agora de todo ausente em cortes italianizadas.

Mais de vinte anos consumiu em tais empresas que o envelheceram. Foi isto mesmo que sucedeu a Afonso V em França, onde Luís XI se fartou de rir do simples, iludindo-o com promessas, fatigando-o com viagens, picando-o com ironias perdidas, carregando-lhe a nuca de lisonjas, cumprimentos e atenções, como o bandarilheiro faz ao touro, quando o carrega de vistosas farpas, bem aguçadas.

Afonso V fora a França pedir auxílio, porque o castelhano batera-o. Castela oferecia o trono a Isabel, como nós o tínhamos dado ao Mestre de Avis. Afonso V pôs-se em campo. Receoso das loucuras do velho, arrancara da sua fraqueza um título secreto, pelo qual o rei anulava todas as doações superiores a dez mil réis de renda que fizesse durante a guerra. O pobre velho, gordo, estafado, sem poder consigo, foi correndo abrigar-se em Castro-Nuno, e deitouse logo a dormir.

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O príncipe herdeiro aprendia muito, porque observava tudo, com o seu olhar profundo e sagaz. Porém Afonso V, desiludido afinal, decidiu-se a voltar; e o príncipe entregou-lhe imediatamente a coroa. Se ele, de facto, continuava a reinar em nome do pai, desfeiteado, vencido, quase moribundo? Seria mais nobre e cavaleiroso prosseguir valentemente na defesa dos direitos da coroa, da honra do velho, e da vida e sorte da infeliz princesa confiada à guarda de Portugal?

Mas D. Este era efetivamente o caso de Afonso V rebentara do solo como um cardo antigo, rijo e bravo, cheio de espinhos. Fora um aborto, ou um anacronismo medieval. O homem, como Isabel de Castela o designava com espanto, mirava mais longe. Nem paravam aí as suas ambições: lembrava-se do falecido infante D. Henrique, e dos vastos planos, abandonados, que tinham fervido naquele cérebro. Numa só coisa o português primava ao italiano: era sóbrio, severo, detestava o luxo — que proibiu. A sua figura, também, nada tinha de imponente, nem de graciosa.

De maravilhoso engenho, subida agudeza, e mixtico pera todalas cousas, de memória viva e esperta, faltavam-lhe porém os dotes exteriores. Inspirava medo sem infundir amor. Mas o cardeal D. Assim que o pai morreu, D. O rei, inspirado pelas novas ideias acerca da autoridade soberana, começava por investir com a nobreza: seria o sucessor, D. O moço rei decidira formalmente revogar as doações do antecessor, reivindicar para a coroa o que os fidalgos tinham pilhado ao pobre, gordo, Afonso V.

Com efeito, era atraiçoado, e o rei tinha os seus espiões por toda a parte. Um certo Figueiredo vinha a escusas referir tudo a D. O duque e o rei eram inimigos velhos; e aos ódios antigos vinham juntarse agora as intenções, rebeldes em um, tirânicas no outro. O rei descobriu o caso, e comprou-o. Ninguém lhe resistia, mas no fundo da consciência alguma coisa o denunciava como assassino. Quem era? Abria as portas diante do rei, e mostrava-lhe o caminho. Fernando e Isabel, de Castela, que lhe haviam tomado o pulso, ainda em tempo do pai, admiravam-lhe muito as qualidades, tinham-no em grande conta.

Ele, nem por ter tratado as pazes de , desistira dos seus grandiosos planos. Os reis castelhanos tinham uma filha, D. Tratou-se, ajustou-se e fez-se o casamento ; e nesse dia de grandes esperanças, o rei sombrio e fanhoso quis mostrar que também sabia ser magnífico. As bodas de Évora ficaram célebres, e principalmente o banquete, uma kermesse formidanda.

Os bois estavam assados, inteiros, com as pontas e as patas douradas; e o carro carregado de carneiros também assados, também inteiros, com as armas douradas. Deram a volta da sala, cumprimentando o castelhano, que gabou muito a ideia; e entre aplausos de todos, o carro saiu, e bois e carneiros foram dados ao povo, pasmado fora. Nos velhos tempos do rei D. Pedro essas festas eram uma só; o rei comia na rua entre os seus, e bailava, ao som das longas, com as raparigas da rua.

À noite houve momos que ficaram célebres. O príncipe perfeito sabia também ser magnífico e qual um Médicis, no momento oportuno. De facto, o casamento afagava-lhe as esperanças e ambições, abrindo horizontes de novas grandezas.

A empresa iniciada pelo infante D. A posse dos segredos das costas e dos segredos das rotas enchia de confiança o ânimo do rei no futuro grandioso do seu império.

Aladas esperanças eram todas essas que o rei afagava, olhando a cabeça do filho. Neste momento, a que podemos e devemos chamar revelador, D. Simbolizava tudo isso na cabeça do filho amado; porque a cegueira dos homens careceu sempre das lunetas de um símbolo para ver de certo modo a realidade das coisas. Os símbolos passam, as coisas ficam; e da mesma forma os homens morrem e as ideias vivem eternamente. E, na sua fraqueza, o espírito humano amortece, desespera e cai quando vê apagado ou destruído o símbolo em que para ele estava, mesquinhamente, a realidade inteira.

O funesto caso da queda de um cavalo, matando o príncipe Afonso , foi para D. Essa vida que se finara, levava consigo todos os sonhos dourados, todas as esperanças, todas as quimeras! Foi um choro universal. E ele e a rainha se vestiram de muito baixo pano negro. O luto era geral e desvairado. Este incidente imprevisto da morte do príncipe é um dos que obrigam a meditar sobre o valor do acaso na história. Que papel teria tido no mundo um império exclusivamente senhor de todas as regiões descobertas?

A viagem por mar, ou se abandonava por parecer impossível, ou aprazava-se para mais tarde: quando houvesse informações mais cabais, colhidas nas expedições por terra.

Daí os viajantes embarcaram para Rodes, depois para Alexandria, donde seguiram pelo Cairo para Tur Tor , na praia do Mar Vermelho ao sopé do Sinai, como mercadores, acompanhando as caravanas. Voltou logo ao Cairo, pressuroso de enviar a Lisboa as importantes informações obtidas, e aí soube da prematura morte de Paiva. Recebidas em Lisboa as cartas do viajante, D. Vasco da Gama foi escolhido por D.

Sucedeu o mesmo a Afonso de Albuquerque, a D. Examinavam-se os roteiros e cartas; e Bartolomeu Dias de viva voz contava tudo o que lhe sucedera, os embaraços com que havia a lutar, as dificuldades a vencer. Jorge da Mina, e ficar aí no resgate do ouro.

Eram quatro naus pequenas, para poderem entrar em todos os portos, visitar todas as angras, passar os baixios, ao longo das costas. Um havia de ser colocado na baía de S.

Três dos navios levavam os nomes dos três arcanjos: S. Gabriel, capitânia, de tonéis, S. Miguel antigamente Bérrio e S. Rafael de tonéis. O nome do quarto, de tonéis, desconhece-se. Diz Camões que, neste momento, C'um saber só de experiência feito, Tais palavras tirou do experto peito; Maldito o primeiro que no mundo, Nas ondas vela pôs em seco lenho! Pôde também contar as ondas de protérvia e crimes, desse mar da Índia, que se estirou até a Europa para afogar Portugal em vasa.

Três meses gastaram para descer até Santa Helena Nov. A 19 estavam à vista do Cabo Tormentoso ou da Boa Esperança, dois nomes que igualmente justificou desta vez. Três dias ali andaram, batidos pelos temporais.

Era um triste prognóstico, e parecia que o favor divino os queria desamparar. Mares cruéis e espantosos vinham pela popa arrebatando os batéis, arremessando-os contra os costados das naus, avariando os lemes. Amainavam as velas, cortavam os tendais, começavam a alijar carga ao mar Queriam seguir ao longo da costa, mas as correntes, a que haviam grande medo, lançavam-nos para o pélago do sul, vasto e perdido.

Saíam por fim do Mar Tenebroso, e só agora se podia considerar vencido o temível Cabo. As tempestades e as correntes amansaram. De dia a calma e o céu de azul puro; à noite por duas ou três vezes, no topo dos mastros, brilhava a luz de S. Pedro Gonçalves, o Sant'Elmo de Lisboa. Tudo eram promessas de bonança.

Às vezes chegavam a brigar contra algum incrédulo, e mais de um desses pagou por ello. Pela primeira vez chegavam à Índia. O que observavam aumentava-lhes o desejo, avivando-lhes a curiosidade. Tudo era novo para eles, mas tudo avigorava as esperanças de virem a encher-se com o saque dessas coisas brilhantes, marfins e sedas, ouros e pedras, que luziam nos toucados e vestidos dos fidalgos de Moçambique. Os mouros vinham mercadejar com eles. O mouro disse-lhe que o Preste era um poderoso príncipe, com muitas cidades naquela costa, grandes navios e muita cópia de mercadores: foi, pelo menos, isso o que Vasco da Gama percebeu, e tais novas encheram-no de alegria.

Fizeram-se ao mar, e em vinte e seis dias 24 de abril a 19 de maio , estavam na Índia. Durara a viagem dez meses e onze dias. Os indígenas adoravam a Virgem Maria; e os nossos prostravam-se também diante de Nossa Senhora na pessoa de Gauri, a deusa branca, Sakti de Xiva, o destruidor.

Alguns, duvidosos, observavam que, se os ídolos eram diabos, a sua reza era só para Deus; e com esta reserva mental ficavam quietos na consciência. O mundo era um só, e o homem o mesmo em toda a parte! A naturalidade ingénua com que se praticavam as maiores coisas, é a grande prova da força heroica dos homens da Renascença. Um ano depois, no mesmo dia, chegava a Lisboa. O entusiasmo foi grande em Lisboa, à chegada de Vasco da Gama: também D.

Manuel tinha as suas Índias, e Portugal o seu Colombo! Pouco viriam essas a importar para a história. Amarou para oeste, a indagar, a ver Mais uns meses, na longa viagem do Oriente, que importavam? Com efeito, descobriu o Brasil[76]; a terra de oeste vinha, desde o extremo norte até o extremo sul, estendendo-se ao longo, nos dois hemisférios.

Naus e galés, embarcações de vela e remo tinham-se preparado melhor, aumentando em dimensões. A nau navegava à vela, jogando dos costados a artilharia, no convés ou sob a coberta. De um a outro castelo corria um bailéu ou varanda volante, donde, nos combates, atiravam os mosqueteiros, e se passavam à abordagem dos navios inimigos. Muitas naus andavam munidas de rostros ou esporões de aço nas proas, para a investida. As galés, navios de remo, dividiam-se em bastardas e subtis: as primeiras de 27 bancos a três remeiros e 7 peças grossas; as segundas de 25 bancos e 5 peças apenas.

A artilharia grossa jogava somente à proa, nos costados; entre os remeiros, colocavam-se, porém, umas peças menores, a que se chamava berços. Havia, além disto, as fustas, galés pequenas de 16 ou 20 bancos de dois remos, com duas peças grossas. As galés, contudo, também velejavam; e para isso tinham dois mastros, onde levavam latinos; as fustas um só.

Em troca delas, da sua aliança, dos presentes que lhe mandava, viriam os rubis e as esmeraldas, a pimenta e a canela, monopolizadas pelo turco, inimigo de Deus! A sua viagem, além de iniciar o domínio português na Índia, teve, com efeito, as duas consequências desejadas. Mas uma nova empresa se desenha agora: devorar o descoberto, digerir o mundo. Portugal inteiro embarca para a Índia na esquadra de Cabral[78].

Como tal foi efetivamente recebido, numa audiência solene. Os portugueses, vestindo as suas melhores roupas, as suas armas mais belas e polidas, pensavam impor de ricos ao monarca do Oriente; mas os representantes da pobre e forte Europa iam ficar deslumbrados com as magnificências da Índia opulenta.

Vinha uma grande trompa de ouro levada por dois homens a cavalo! Mais ao largo, o povo mudo, numa impassibilidade de orientais, olhava. Aí o Samorim estava sentado sobre o velo preto, insígnia da realeza, no seu trono de prata com braços de ouro e as espaldas cravejadas de rubis, diamantes e esmeraldas, no meio da sua corte, recostado em macias almofadas de seda, sobre fofos tapetes da Pérsia, sonolento e imóvel.

Negro, nu, um véu de linho branco descia-lhe em pregas desde o umbigo até os joelhos, com a ponta caída e nela enfiados anéis de ouro e rubis. Os dedos, os braços estavam cobertos de anéis e manilhas. Das orelhas caíam arrecadas de ouro cravejadas; à cintura trazia um cinto de ouro.

Nos cabelos compridos e apanhados em nó no alto da cabeça havia pérolas e pingentes, e a coroa era um deslumbramento. O tesouro inteiro de Kalikodu saíra à luz.

Outros pajens tinham as toalhas, perfumadas de almíscar, com que nas ocasiões devidas esfregavam os braços e as pernas nuas do soberano, reluzentes de manilhas cravejadas de rubis. A corte, de pé, escutava em torno. Eram as belas esmeraldas de Babilónia! Apesar disto, porém, foi concedido o que pediam; e Cabral fundou a primeira feitoria portuguesa na Índia, em Kalikodu. Começava a história da Índia.

O terror da recente façanha abriu-lhe os braços do pequeno soberano de Katchi; e fundou-se aí, em boa paz e amizade, uma feitoria, tomando o almirante, entretanto, reféns, para segurança. No meado de janeiro partiu Cabral para Cananor: aí carregou as suas naus de pimenta e canela, e regressou ao reino. Dos treze navios com que partira um ano antes, apenas três o acompanhavam: cinco, desgarrados, voltaram por diversas vias, e outros cinco foram tragados pelo Mar Tenebroso.

Um terramoto agitou o mar da Índia quando o Gama pela segunda vez o trilhava; e o almirante, imagem da bravura épica do povo português, acreditou e disse que até as próprias ondas tremiam com medo nosso — com medo dele! Manuel valia mais do que ele, Samorim; e que seu amo tinha poder para fazer de cada palmeira um rei!

Começou logo o bombardeio 2 de novembro. O Gama, cada vez mais satisfeito de si, foi-se a visitar o porto amigo de Katchi; e decidiu regressar ao reino por Quíloa, donde trouxe o ouro com que o rei D. Manuel fez uma custódia para o seu templo dos Jerónimos. Vinha contente da brava desforra que tomara; o Samorim estava punido! Fidalgo, este amava as façanhas brutais e estrondosas; o outro queria mais à pirataria e ao roubo.

O produto das naus de Meca pertencia, metade ao rei de Portugal, metade às tripulações: cabendo aos soldados uma parte, aos marinheiros duas, outras duas aos bombardeiros, quatro aos pilotos e outro tanto ao mestre. Pilhavam todos, de braço dado com a Coroa. Vicente Sodré andava nisto, ao mesmo tempo que Rui Lourenço, por sua conta e risco, varria a costa de Zangebar, caçava navios e cobrava tributos aos sultões.

Vasco da Gama ensinara o modo de imperar com o fogo e o sangue; Sodré indicava o modo de ceifar no mar, pela abordagem, as naus de Meca. A pirataria e o saque foram os dois fundamentos do domínio português, cujo nervo eram os canhões, cuja alma era a pimenta.

Na artilharia, efetivamente, estava o segredo do poder dos invasores da Índia. Ao tempo em que o Gama voltava da sua segunda viagem, partia de Lisboa uma terceira esquadra , abril , com Afonso de Albuquerque e Duarte Pacheco a bordo. Albuquerque voltou ao reino; Pacheco ficou em Katchi com as tropas e navios preparados para o ataque. O herói — porque este bateu-se como uma fera, no seu covil de Kambalaan, nobre, desinteressada e bravamente — desde logo disse que toda a festa havia de ser de artilharia.

De que serviam com efeito as armas brancas e de arremesso, principal equipamento dos indígenas que mal sabiam usar dos mosquetes e bombardas, perante o vomitar distante da metralha?

As surriadas da mosquetaria auxiliavam decerto, mas a defesa decisiva consistia nas ondas de metralha, que num instante varriam as jangadas cobertas de gentes que vinham do mar, e as colunas cerradas dos naires armados de setas e lanças investindo por terra. A esquadra de Lopo Soares de Albergaria trouxe para o reino Duarte Pacheco: um homem simples que, por voltar carregado de feridas, mas leve de dinheiro e diamantes, foi parar à capitania de S.

A armada trazia para o reino, a bordo, Pacheco — um infeliz! A corte, o rei, em Lisboa, quisera muito mais às segundas do que ao primeiro.

Banda Magnificos Musica Forró Eletrônico

Entretanto a este devia D. A façanha de Katchi fora o batismo de sangue do novo império; e o baluarte, de pé, atestava a força dos novos dominadores. A lisonja reinava, e sobre ela o favoritismo. Francisco de Almeida foi o homem escolhido para governador da Índia, constituída em vice-reino. Levava também ordens para construir fortalezas em Quíloa, Cananor, Angediva, além da de Katchi, que seria aumentada e reparada, depois dos danos sofridos no ano anterior.

Manuel na carta que lhe escreveu, e que é um dos documentos mais importantes da história portuguesa no Oriente. Toda a nossa força seja no mar, dizia: desistamos de nos apropriar da terra. O que até agora se tem feito é uma anarquia e um esboço apenas; um sistema de matanças, de piratarias e desordens, a que é mister pôr cobro. Confirmando a doutrina com o exemplo, esporeado pelo desejo de vingar a morte do filho[84], e pela necessidade de destruir essa armada que ameaça matar à nascença o domínio português na Índia, Os vencedores foram sempre os fiéis aliados de todos os fracos.

Efetivamente D. Francisco de Almeida subia ao longo da costa, deixando após si o rasto de cinzas e sangue, que por toda a parte anunciava a passagem dos portugueses. O egípcio, apesar de vitorioso, temia o vice-rei; e fundeada a esquadra, dispusera que picassem as amarras nos navios assim que fossem abalroados, dando à costa, e arrastando consigo os portugueses, sobre os quais as lanchas e fustas dos índios cairiam o ardil, mandou preparar as âncoras à popa, e os navios inimigos foram sozinhos varar na praia.

Era 3 de fevereiro , festa de S. Um clamor imenso de vozes, de trompas, de tiros lhe respondeu, e a batalha generalizou-se com artilharia e arma branca, à abordagem. Eram naus principalmente; mas também galés, bastardas e subtis e fustas — os avisos dessas antigas esquadras. As naus vomitavam fogo das amuradas. Nos bailéus, de popa à proa, os mosqueteiros despediam contínuas surriadas de balas; e as xaretas de corda, presas nas amuradas, defendiam as naus das abordagens dos juncos e galeotas dos índios.

E os bombardeiros, com os morrões e bota-fogos a bom resguardo, obedeciam à ordem de atirar. Os bailéus, de onde a taifa dos soldados se lançava às abordagens, defendiam com a mosquetaria dos remeiros; e as velas estavam carregadas nos mastros, por causa dos incêndios. O fogo punha um elemento novo neste antigo modo de batalhar no mar[85]. O de Diu, que estivera sempre indeciso, ao ver o resultado da batalha, veio, pressuroso, desculpar-se, entregar logo os prisioneiros da empresa anterior.

Guardara-os para os salvar das garras ferozes dos rumes, a quem desejava todo o mal, sem lhes ter podido resistir. E regressando, conformado com a sua sorte, ao passar em frente de Cananor, salvou à terra para celebrar a vitória; mas, para acabar de vingar a morte do filho, mandou amarrar prisioneiros às bocas das bombardas, e as cabeças e membros despedaçados dos infelizes iam cair na cidade como pelouros Em paga dos seus trabalhos esperava-o a masmorra de Duarte Pacheco; porém, na viagem para o reino, deu à costa da Cafraria, e foi morto pelos negros às pedradas e zagunchadas.

Só homens de génio, como Albuquerque, poderiam tornar grande uma empresa condenada; só, como Castro, um santo podia ressalvar o brio português da nódoa de uma ignomínia formal. A ideia de que Portugal era uma Roma preocupava os reis e os escritores, que se fatigavam a procurar origens e a indicar analogias, decerto verdadeiras.

Só isto era, evidentemente, lógico; e, apesar de todas as confusões, quem bem observa, descobre sempre que a história obedece à lógica. Ninguém distinguia bem, na era de , entre a pessoa individual do rei e a pessoa abstrata ou simbólica do monarca. Francisco de Almeida previa sabiamente. Albuquerque em Ormuz, em Goa, em Malaca, assentou na terra firme os limites do império que para o seu antecessor devia vogar flutuante sobre as ondas.

Estadista e geógrafo, D. Dava ao rei minuciosas informações dos géneros, preços e pesos. Espero por uma boa soma dele, porque o tenho mandado trazer E assi V. Acodem os gentios com pimenta, e levam o cobre muito alegres.

E continua assim, misturando toda a espécie de mercadoria, desde as escravas mancebas do mundo, até as pérolas e aljôfar. Seria um excelente negócio. Eis aí o motivo íntimo, o princípio fundamental, o cuidado superior do rei e dos seus governadores da Índia[88].

Manuel perdoava tudo, os crimes e os roubos, as carnificinas e as brutalidades, os incêndios e as piratarias, contanto que lhe mandassem o que ele sobretudo ambicionava; curiosidades, primores e riquezas para encher os seus paços de Lisboa, e deslumbrar o Papa em Roma com a sua magnífica embaixada. O saque do Oriente — este é o nome que melhor convém ao nosso domínio — ia ordenado de Lisboa.

Mas que fumos eram esses? Eram a vaidade e os erros de tantos pigmeus que o gigante via formigar ativamente, enceleirar, e, depois de gordos e ricos, pavonearem-se na corte, alegando serviços, com a bazófia de quem tudo sabia das coisas do Oriente. Levava sem o saber os seus fumos também: porque em fumo se havia de tornar o império efémero que construía na mente Afinal dispunha de uma falange sua!

Formara o plano de começar por Ormuz as suas conquistas, marcando primeiro o limite por Norte e Ocidente, para mais tarde ir ao Oriente, pôr em Malaca o extremo do seu império. Em Karay ât Curiate , que lhe resistiu, cortou as orelhas e o nariz a todos os prisioneiros, soltando-os para irem, lavados em sangue e mutilados, anunciar por toda a parte a fama do seu poder.

Em Khor-Fakhan Orfacate reduziu tudo a cinzas; e como em Karay ât, mutilou todos os prisioneiros. Entre eles, porém, estava um velho letrado persa, de longas barbas brancas, que vivia de admirar Alexandre, cujo livro possuía. Aclamava o português, ou o grego, confundindo a realidade com a história; e de joelhos, adorando-o, deu o seu livro a Albuquerque.

O novo Alexandre perdoou-lhe. Maskât foi bombardeada. A mesquita onde os infelizes se tinham refugiado caiu a machado e os cativos, mutilados, foram fugindo, chorando, reunir-se à gente da cidade escondida nas serras.

As labaredas subiam, zumbia ao longe o clamor dos desgraçados, e à maneira que o terrível herói se alongava na praia com os seus para regressar aos navios, os mouros vinham ansiosos e cheios de medo ver se podiam ainda salvar algumas migalhas da sua cidade, pasto das chamas vivas.

Como uma tromba devastadora, Albuquerque prosseguiu deixando um rasto de sangue e cinzas.