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Valeu Zumbi O grito forte dos Palmares Que correu Nesse perodo, foi institudo o Conselho de Participao e Desenvolvimento da Comunidade Negra, com a implementao de polticas voltadas para promover a insero qualificada da populao negra, alm de uma crescente valorizao da cultura com a criao do Dia Nacional da Conscincia Negra e o Programa Nacional do Centenrio da Abolio da Escravatura, que atraem a ateno para o negro e a questo racial, possibilitando um ambiente favorvel ao debate sobre as relaes raciais. Essas teorias racistas impregnaram o Brasil do sculo XX. Alertam para os perigos postos pelo determinismo gentico que podem abrir margem para novas formas de racismo. Realidade que, tratada por esta pesquisa, foi camuflada, se assim pode-se dizer, pelo discurso racista da sociedade brasileira, que influenciou e ditou padres especficos, muitas vezes massificando a imagem do negro, que nem sempre estava adequada a estes padres institudos pelas classes dominantes e que acabou por gerar desvalorizao das diferenas fsicas e sociais dessa etnia e suas miscigenaes. A polissemia da noo de leitura. Para tentar justificar esta afirmativa tem sido evocada a herana da escravido como um dos argumentos principais. Com isso pode-se dizer que o preconceito racial no Brasil se sobrepe ao preconceito de classe. Em outras palavras, os escravos no eram reconhecidos enquanto cidados e pessoas, sendo visto pela sociedade da poca como "coisa", mercadora, objeto, passvel de compra e venda. Regina A. O funcionamento da linguagem assenta-se na tenso entre processos parafrsticos e processos polissmicos. Oxagui Descobrindo o Brasil. Eu adorava essa banda, pena que talvez nao volta mais,. Bnus: Na frica do Sul so falados mais de 11 dialetos, tambm o ingls.

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ZULU, Rey. Libertem Mandela. Os casamentos e relaes sexuais entre pessoas de raas diferentes eram ilegais. Para lutar contra essas injustias, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano - CNA, uma organizao negra clandestina, que tinha como lder Nelson Mandela, que mais tarde foi condenado a priso perptua sendo libertado apenas na dcada de 90 quando foram realizadas as primeiras eleies multirraciais elegendo Mandela para a presidncia da republica, da em diante, uma nova Constituio no-racial passou a vigorar, com o desafio de transformar o pas numa nao mais humana e com melhores condies de vida para a maioria da populao PEREIRA, Na entrevista realizada com o ex-cantor e compositor da banda Reflexus Marcos de Almeida possvel perceber por meio de sua fala a influncia das condies sociais de produo na composio das letras das msicas.

Claro que no tenho a pretenso de achar que foi a "nossa" msica que o libertou, mas acredito em energia positiva e gosto de pensar que de alguma forma posso ter contribudo para a sua libertao. Desmond foi consagrado com o Prmio Nobel da Paz por ter lutado contra o Apartheid em seu pas natal. GIL, Gilberto. Faixa 2. Salve a batina do bispo Tutu Salve a batina do bispo Tutu Oh, Deus do cu da frica do Sul Do cu azul da frica do Sul Tornai vermelho todo sangue azul Tornai vermelho todo sangue azul J que o vermelho tem sido Todo sangue derramado Todo corpo, todo irmo Chicoteado, i Sabei que o papa j pediu perdo Sabei que o papa j pediu perdo Varrei do mapa toda escravido Varrei do mapa toda escravido.

A expresso sangue azul foi utilizada por muito tempo para caracterizar as famlias nobres europias, as quais se consideravam superiores e desfrutavam de grandes benefcios. Da o desejo de transformar todo sangue vermelho em azul para que todos tivessem os mesmos direitos e oportunidades.

Pode-se inferir que a existiu uma apropriao social dos discursos que para Foucault , um sistema educacional, espao onde os indivduos tm acesso a muitos discursos e de maneira poltica mantm-se e modifica-se essa apropriao dos discursos, com os saberes e poderes que eles trazem consigo, ou seja, uma ritualizao da palavra, uma qualificao e uma fixao dos papis para os sujeitos que falam. Por muito tempo foi aceitvel o lugar de desvantagem em que o negro ocupou na sociedade em relao ao branco.

Para desmistificar esse histrico de sofrimento, retomam ao prprio passado de uma forma que utiliza elementos culturais e ancestrais para representar a unio entre diversas raas, com intuito de mostrar. A partir disso, pode-se fazer um paralelo com Munanga , o qual afirma que os negros devem se unir e exercer essa unio por meio da compreenso das heterogeneidades imbudas na negritude. Tal posio fundamentada na diversidade de grupos tnicos que vieram para as terras brasileiras, o que resultou na diversificao dos signos culturais.

Havia no sculo XVI no Brasil uma rica reconstituio das culturas existentes na frica e ainda hoje Canto a Nigria. Obatal na mitologia yoruba, o criador do mundo.

Para Hall , p. No obstante, como prtica discursiva o racismo possui uma lgica prpria, tentando justificar as diferenas sociais e culturais que legitimam a excluso racial em termos de distines biolgicas. Neste discurso, determinadas caractersticas construdas sociais e historicamente, permeadas por relaes de poder e subordinao, so legitimadas como naturais e inatas, criando todos os esteretipos atribudos s minorias HALL, Comungando com as mesmas idias, Munanga menciona: [ Enquanto isso, a utilizao do termo negro, piv de batalhas discursivas intertnicas, foi resultado do discurso como prtica ideolgica e poltica, no sentido definido por FOUCAULT , como aquele discurso que trabalha para o poder, como tambm, para os que fazem do discurso a prpria arma de poder conduzindo dessa forma os sujeitos entre as relaes existentes de poder.

O discurso como prtica ideolgica constitui-se como defensor de um determinado grupo em detrimento de outro, manifestando como objeto de desejo. Nos enunciados que se seguem a presena do sujeito discursivo observado por meio da linguagem empregada e da presena da polifonia.

Esse sujeito representado a partir de duas vertentes - as afirmaes caractersticas da voz simples como Eu tenho kel, sua sina, ao mesmo tempo em que se tem a voz erudita em expresses como Icgnita do escuro Melodia primitiva, por essncia. Essas vozes so constitudas pelo sujeito enunciador, que idealiza ser dono do seu prprio dizer, contudo composto por diferentes vozes membro de sua formao.

Por conseguinte, temos um sujeito heterogneo e no individual. A redemocratizao brasileira ocorrida na dcada de 80 foi um perodo em que se pde perceber o desfrute, por partes de alguns indivduos, de alguns direitos Aproveitando esse contexto social em que surgiram diversos movimentos de combate a discriminao racial, entre eles o MNU, a banda Reflexus usufruiu das condies sociais de produo desses discursos, que para Orlandi , compreende a relao entre situao e sujeito, para por em contenda algumas questes que surgiam dos mais diversos setores, e que desqualificava os debates sobre a democratizao das oportunidades de acesso, minimizando a questo das desigualdades tnico-raciais, numa demonstrao de que no se reconhecem o sistema escravista e suas consequncias, como injustias cometidas contra a populao negra ao longo da formao do pas MATTOS, Esse legado histrico pode at no ter sido reconhecido como propulsor das desigualdades raciais, por muitos na sociedade.

Todavia, no se pode generalizar essa afirmao, pois a partir dos enunciados que se seguem, fica visvel que o discurso da banda Reflexus alm de reconhecer a herana deixada pela escravido, torna essa prtica discursiva, oriunda de tais acontecimentos histricos FOUCAULT, , indispensveis para o reconhecimento do preconceito como instrumento ideolgico de poder na luta contra o racismo, buscando de tal modo a valorizao cultural negra.

Tal sujeito insere-se como negro defensor da causa negra, visto que todo o seu discurso se constri em oposio a um determinado discurso que tem como uma de suas caractersticas a concepo de superioridade da raa branca. Acreditando que a banda utilizou-se de diferenciadas formas simblicas para representar a cultura negra, com propostas de resgatar a auto-estima dessa populao atravs da retratao de aspectos culturais e polticos das naes africanas, pode-se pensar que a justificativa para esta representao, se deu devido ao fato, de que, a sociedade brasileira tentou ignorar os efeitos que a escravido teve, tanto para o territrio brasileiro, quanto para a populao negra, permitindo ento, uma invisibilidade do processo histrico.

Na primeira acepo a representao o instrumento de um conhecimento imediato que revela um objeto ausente, substituindo por uma "imagem" capaz de traz-lo a memria e "pinta-lo" tal como [ Assim desviada, a representao transforma-se em mquina de fabricar respeito e submisso [ A representao nesse sentido torna-se fator importante na luta pelo reconhecimento da identidade negra como fator crucial na construo scio-histrica brasileira, visto como para Hall , as representaes e as identidades so construdas dentro do discurso.

Alm disso, elas emergem no interior de modalidades especficas de poder e so assim mais o produto da marcao da diferena e da excluso do que o signo de uma unidade idntica, naturalmente constitudas, de uma identidade em seu significado tradicional isto , uma mesmidade que tudo inclui, uma identidade sem costuras, sem diferenciao interna HALL, , pg. Esse fator pode ser percebido de forma clara a partir da anlise do E. Esse discurso identitrio estruturou-se a partir de famlias parafrsticas, as quais deram continuidade ao sentido desse discurso durante o processo histrico do negro no pas.

Canto da cor.

In: Kabissele. Nomeada a Ode caador E. Em sntese, podemos dizer que temos um sujeito enunciador com uma formao discursiva contestatria, correspondente a sua formao ideolgica de defensor da causa dos negros, e determinada tambm por fatores histricos, sociais e ideolgicos. Nas letras das msicas da banda Reflexus possvel perceber a utilizao de discursos que so elaborados a partir da valorizao da negritude. Os enunciados que seguem abaixo so fortemente representativos, A presena da questo da esttica tambm muito forte.

Pode-se ressaltar, portanto, que a esttica da negritude teve na Europa as origens de sua desvalorizao, durante o processo de colonizao quando classificaram outras culturas como inferiores a sua. Por um longo tempo os padres estticos africanos foram tidos como inferiores. Sob esse prisma, Joel Zito Arajo questiona os esteretipos sobre o negro e a esttica racista da telenovela brasileira.

Assim sendo, a banda Reflexus, utilizando-se de uma memria discursiva, tentou compensar esse passado histrico de desvalorizao, atravs das letras das msicas, que pode ser observado nos enunciados a seguir:. Outra caracterstica encontrada nos enunciados exaltao, feita atravs da representao de grupos musicais que divulgam a cultura negra: E.

Atravs desses discursos, percebe-se ainda um forte desejo de liberdade para a etnia negra, liberdade esta que foi dada parcialmente, atravs da abolio da escravatura. Nesse contexto, as condies sociais de produo que, para Pechux , so um fator determinante na produo do discurso, favoreceram uma prtica discursiva na dcada de , que remete complexidade das relaes existentes entre os diversos discursos da negritude encontrados nas letras das msicas.

Falando sobre a expressiva valorizao do negro atravs da msica a excantora Marinez de Jesus afirma que essa expressiva utilizao pode ter ocorrido:. Talvez por ser a raa que sofra mais discriminao. Embora buscssemos uma forma de denunciar toda forma de desumanidade, usando a msica, que um divisor de guas! JESUS, A partir da anlise das locues ostentao, pichado e exposio, inseridas no enunciado abaixo, observa-se uma aproximidade desses termos que poderamos justificar por meio da relao interdiscursiva dessas formaes ORLANDI, Ambas contribuem para recriar, ao mesmo tempo, um efeito de valorizao e de resistncia no discurso.

Observa-se ainda que os trs termos Grupo cultural afro baiano que tem o objetivo de preservar, valorizar e expandir a cultura afrobrasileira. Desde que foi fundado vem homenageando os pases, naes e culturas africanas e as revoltas negras brasileiras que contriburam fortemente para o processo de fortalecimento da identidade tnica e da auto-estima do negro brasileiro, tornando populares os temas da histria africana vinculando-os com a histria do negro no Brasil, construindo um mesmo passado, uma linha histrica da negritude.

Olodum atualmente um grupo cultural que desenvolve aes de combate discriminao social e racial, defende e luta para assegurar os direitos civis e humanos das pessoas marginalizadas, na Bahia e no Brasil. Conforme assinalado nas escritas anteriores, a concepo de ideologia pecheuxtiana parte de um consenso de que esse conceito definia-se como uma forma de interpretao da realidade social.

Isso pode ser observado no enunciado que segue:. As postulaes de Pcheux permite olhar para o discurso do enunciado de forma a identificar na sua argumentao traos de uma formao ideolgica por meio de uma serie de deslizamentos que marcam o funcionamento das formaes discursivas.

Observando mais criteriosamente o discurso, por tais evidncias, marcado pela contradio, pela fragmentao e pela heterogeneidade, uma vez que totaliza uma disperso, mas cuja inscrio histrica define a regularidade enunciativa, uma vez que na relao do discurso com as condies histricas que o sentido se revela.

Na construo do sentido desse enunciado, h o lugar da ideologia com instauradora da significao. Este trabalho est inscrito em um campo terico que trabalha com a lngua ligada produo de sentidos e histria, dos sujeitos e do dizer. Tornando, portanto, as condies sociais de produo, condio para que o analista seja orientado na teoria discursiva. Nas palavras de Orlandi,. Pensamos a tarefa do analista de discurso como sendo a da construo de um dispositivo terico que leve o sujeito compreenso do discurso, ou seja, elaborao de sua relao com os sentidos, desnaturalizando-os e desautomatizando-os na relao com a lngua, consigo mesmo e com a histria.

Nessa proposta terica o sujeito, estando exposto ideologia, constri um saber que no ensinado, mas que est em andamento e que produz seus efeitos, tornando as condies de produo imprescindveis e determinantes para a produo do conhecimento e para a constituio do sujeito.

A influncia das condies sociais de produo podem ser visibilizadas nos enunciados abaixo,. Olodum Ologbom. Este processo de constituio do saber e do esquecimento mostrado no enunciado por meio da exposio do sujeito s condies de produo de sentido, tanto restritas, ao contexto imediato, quanto abrangentes, das quais fazem parte o contexto social, o histrico e o ideolgico.

No enunciado que segue abaixo a memria discursiva est presente a partir da formao discursiva que remete a um passado histrico das raas que originaram a miscigenao. Essa memria discursiva constitutiva de todo discurso, pois para que este produza sentido necessrio que ele j faa sentido, em outras palavras, que se apoie em algo j posto.

A partir dessa sustentao podemos compreender qual a determinao histrica que est inerente ao discurso. Ou seja, compreender a temporalidade e os fatos que constituem a materialidade discursiva em anlise, alm da maneira como eles nos conduziro historicidade e aos possveis efeitos de sentidos.

Considerando que a AD no se reduz apenas interpretao de informao e muito menos pode ser assinalada como linear, pois busca desvendar como objetos simblicos produzem sentidos, como foi aqui analisado, e considerando o universo de significaes inserindo assim o elemento interpretativo, porm, no se atendo estritamente a ele, dado que procura lidar com seus limites sem estabelecer um sentido verdadeiro atravs da interpretao ORLANDI, Deste modo, vlido inferir que a anlise das relaes raciais no Brasil revela uma complexidade de situaes diferenciadas para a populao negra, incidindo sobre as formas pelas quais essa populao definida, nos moldes dos padres ideolgicos dominantes e tambm, nas formas pelas quais ela prpria interpreta a sua vida social.

Conclui-se, ento, que o entrelaamento entre o suporte terico, o percurso metodolgico e o constante ir e vir ao material emprico permitiu a crescente percepo da presena dos dispositivos analticos na discursividade analisada dos enunciados. Por isso, eles so utilizados para responderem s questes que motivaram o pesquisador, constituindo- se como passagens para a consecuo da anlise, atravs da superao das etapas que a caracterizam. Tendo por base a noo de que a msica determinante na produo de sentido e um poderoso instrumento de contestao e resistncia, foram encontrados na Anlise do Discurso os pressupostos necessrios para se compreender o que as letras das msicas da banda Reflexus dizem como dizem, e os objetivos que as levam a dizer o que dizem.

Ao justificar a escolha das letras das msicas da banda Reflexus de acordo com a aproximao do tema da pesquisa, procura-se identificar os recursos discursivos que fazem com que o discurso prepondere a partir de alguns elementos scio-histricos e ideolgicos. Nessa perspectiva, considera-se a importncia do interdiscurso, ou memria discursiva, bem como as condies sociais de produo, que por meio do estabelecimento e compreenso da relao existente entre ambas, foi possvel compreender os procedimentos discursivos dos quais os autores das letras das msicas fizeram uso para elaborar os discursos.

Baseando-se em Foucault e na anlise do discurso, pode-se dizer que as linguagens musicais so frutos de foras e caractersticas prprias das pocas em que so criadas, a partir de questes sociais, culturais, econmicas, polticas e, talvez principalmente, pelo o que os sujeitos que as criam almejam com sua obra.

Como Foucault aponta, o discurso de uma obra musical pode ser entendido como uma forma de organizao e representao do mundo na qual est em jogo um conjunto de foras scio-histrico-culturais aliadas formaes discursivas que constituem-na. Por meio da memria discursiva, percebe-se que, mesmo elaborando um discurso predominantemente de valorizao e resistncia ela recriou discursivamente significados que dialogam com a produo dos acontecimentos ocorridos no passado atravs da referncia a fatos histricos ORLANDI, Aparecendo dessa forma nas letras, remetendo-se aos smbolos da ancestralidade.

Atravs das condies sociais de produo foi possvel perceber sua inferncia na composio das msicas, uma vez que o contexto da dcada de foi caracterizado por uma forte articulao dos movimentos democrticos e concomitantemente, houve uma abertura poltica e social que possibilitou em maior ou menor grau o reconhecimento e a importncia dos negros na formao do Brasil.

Aproveitando-se desse contexto a banda Reflexus construiu as letras de algumas msicas por meio de um discurso que remetia a resistncia contra o preconceito racial e a valorizao da negritude, ambos com o intuito de refutar as idias a cerca da inferioridade do negro enraizadas na sociedade. Em outras palavras a banda tentou compensar esse passado de sofrimento e desvalorizao da negritude. De modo sistemtico a proposta da pesquisa foi contemplada, bem como seus objetivos, pois no trabalho de pesquisa novos conhecimentos foram adquiridos e futuros trabalhos podero ser realizados com embasamento nesse.

Como j foi dito anteriormente, so poucas s vezes em que se pode observar questes relacionadas a populao negra sendo abordada de forma ampla, respeitando as diferenas, oferecendo alternativas de valorizao, e promovendo uma mudana na mentalidade da sociedade quanto forma de tratar questes relacionadas a essa temtica. A questo racial exige a construo de uma nova sensibilidade e prtica poltica, capaz de alterar hbitos e valores impregnados desde a escravido na cultura e na sociedade brasileira, legitimados, sobretudo nas relaes cotidianas.

Espera-se que esse trabalho faa com que, se isso no acontea pelo menos lance as bases de sustentao para que possa acontecer quem sabe em um futuro mais prximo e possa atingir indivduos de todas as etnias e camadas sociais.

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Estudos rabes, v.

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Acesso em 31de julho de s hs. Acesso em 25 de agosto de s hs. Entrevista 1. A banda possui um iderio? Tenho 16 anos que sai da Banda Reflexus. Vou falar da minha carreira enquanto Cantora da Banda.

Na poca, possua sim. Existia em mim, uma meta, um objetivo, um ideal a ser alcanado, que ultrapassava a busca do sucesso, buscava atingir a sociedade de uma forma to profunda, a ponto de tentar mudar todo um contexto existente de desigualdade social, preconceitos, toda forma de discriminao.

Qual a influncia do contexto histrico da dcada de 80 na composio das letras das musicas? O contexto histrico, de qualquer poca, influencia sim no modo de vida e atitudes das pessoas, mas, independente de qual poca estejamos vivendo, creio que, os objetivos que queremos nvel de mudana, ou denncia de injustia, tem a ver com carter e sensibilidade, de quem tem as armas certas nas mos, para serem usadas em favor dos menos favorecidos.

Gostaria que explicasse o porqu dessa utilizao? Acredito que tenha sido por uma tradio. Por serem modelos j utilizados. Uma realidade que o povo estava acostumado a vivenciar. Nas letras h uma forte presena de elementos histricos tanto antigos como contemporneos. No meu ponto de vista, no. Apenas valorizao de uma cultura. A banda fez muito sucesso naquela poca. A quem ou a qu pode-se atribuir esse sucesso? Estava traado por Deus. Como pode ser vista a msica da banda composta naquela poca com a produzida pela atual verso?

Que verso? No estou ciente do novo trabalho. H nas letras das msicas um forte cunho de resistncia ao preconceito racial. Tem um motivo especial? Eu era sou negra. O preconceito, qualquer que seja o nome dele, machuca! Qual o motivo da expressiva valorizao do negro nas letras das msicas? O grupo participou ou participa de algum movimento negro?

Se sim, qual? No sei. Eu nunca participei de nada individualmente, sempre busquei ficar do lado dos menos favorecidos e injustiados, independente de rtulos.

Como vocs enxergam o racismo na Bahia? Estou respondendo por mim, Marinez, no fao parte mais da Banda; Sou Negra, e como tal, estou integrada no grupo dos que sofrem racismo.

Como enxergo? Com tristeza! Qual o motivo da utilizao de smbolos Yorubas e Bantu nas letras das msicas? Sob meu ponto de vista, apenas passar para as pessoas, a diversidade cultural entre os povos. Obs: Deixo claro aqui que fui cantora da Banda Reflexus no perodo de janeiro de l at dezembro de Gravei cinco lbuns com a Banda e um solo. Enquanto estava l, a banda vendeu mais de trs milhes e quinhentas mil cpias, ganhando diversos prmios, e mesmo com todas as intempries que existiam, levei a srio ao extremo o meu profissionalismo e dedicao, por um trabalho que refletia o que eu pensava no que diz respeito populao, procurando deixar um legado construtivo, na cultura baiana, brasileira; a partir da minha sada, por estar a 16 anos afastada, no posso mais responder sobre o conseqente trabalho da mesma.

Alm de no ter respaldo sobre o nvel do trabalho, ignoro totalmente os atuais objetivos e metas a alcanar. Sim 2. Por tudo que estava, acontecendo na frica do Sul, h 3, pela priso de Nelson Mandela, Stiven Bico e por sermos descendentes de Africanos. Respeito,pela cultura Africana,porque ,a palavra ancestral,no meu modo de ver espirtual,de utilizao Africana;para seu modo de vida.

E os smbolos,so utilizados,para curas e determinados fins,da cultura local. Nunca existiu estratgia, s verdade. Por isso todas as canes tiveram seus significados. Hoje e sempre. Pois foi premiada, por discos de. E tem uma grandiosa biografia. Motivo, lutar contra as diferenas Raciais, Que existem, desde o comeo do mundo.

Vejo o negro branco, amarelo, vermelho- Como Deus nos fez. Apesar da maioria ser Negra O governo era de Brancos. Igual como vejo em todo o mundo, pois vivemos em uma s atmosfera, cheia de preconceitos.

Bnus: Na frica do Sul so falados mais de 11 dialetos, tambm o ingls. Por esse motivo, no s agente, mais o mundo todo cantava a frica do Sul. Marcos Souza de Almeida. Madagascar Olodum Libertem Mandela Guaratimbiriba Banho De Beijos Canto Para O Senegal Suingue De Vero Esta questo, no entanto, no amplamente discutida e abordada pelos veculos de comunicao, camuflando o preconceito com a afirmao da existncia de uma suposta democracia racial.

No so poucos os exemplos de manifestaes sociais e culturais que existem em prol de uma poltica antirracista ao longo da histria da humanidade.

No Brasil no foi diferente. No decorrer da histria brasileira podem-se observar diversas aes e manifestaes contra o preconceito racial. Um exemplo que pode ser citado a organizao do Movimento Negro Unificado MNU , que produziu e incentivou no Brasil, desde a dcada de , uma ampla discusso sobre questes raciais do ponto de vista das populaes de ascendncia africana.

A partir desses movimentos uma minoria de negros conseguiu amenizar, em parte, as barreiras impostas pelo preconceito e excluso social. Entretanto, apesar de tantas lutas, a populao negra continua sendo marginalizada pela sociedade e vista ainda como despreparada. No porque tenha menos capacidade, mas porque nunca lhes foi possvel expor a contento ou desenvolver todas as suas potencialidades.

Este problema social, enfrentado at hoje, tem suas origens quando foi abolida a escravido e no houve nenhuma poltica social de integrao dos negros s atividades comuns, o que ocasionou a formao de uma classe desfavorecida, a qual, mais tarde, foi classificada a partir de mecanismos preconceituosos surgidos a partir de estudos de evoluo biolgica do sculo XIX, perodo no qual se aplicou o conceito de raa humanidade, marcando a relao de superioridade e inferioridade entre brancos e negros. Tal concepo justificou as.

A noo de raa foi elaborada intrinsecamente para justificar e naturalizar as relaes entre dominadores e dominados sob a falsa tica de superioridade e inferioridade entre seres humanos. Existe no Brasil um iderio de pas cordial caracterizado pela presena de um povo pacfico, sem preconceito de raa. Mas a realidade que em nosso pas existe de fato um racismo camuflado, disfarado no mito da democracia racial, oriundo de uma tradio mental racista.

Para muitos tericos contemporneos, o racismo brasileiro tem se tornado uma arma ideolgica. A etnia1 negra sempre foi discriminada por uma maioria da sociedade, a qual tende a negar a existncia de uma discriminao racial. O mito da democracia racial uma crena, que por muito tempo vigorou, e ainda vigora, no Brasil, fazendo com que muitos acreditassem que no havia obstculos para a ascenso social do negro, diferentemente de outros pases como os EUA e a frica do Sul, onde o racismo se efetiva atravs de conflitos raciais abertos.

A imagem que por muito tempo se cultivou no Brasil era a de um pas democrtico no quesito racial. Porm, essa crena se chocava com a realidade nacional, onde sempre foi evidente a excluso do negro.

A dcada de foi um perodo caracterizado por inmeras manifestaes poltico-scio-culturais em prol da efetiva democracia racial brasileira, fazendo com que alguns artistas buscassem na msica uma forma de denunciar o preconceito e as injustias sociais que se manifestavam de diversas maneiras durante essa dcada.

Diante disso, torna-se relevante e necessrio aprofundar o conhecimento sobre esse tema, contextualizando e caracterizando o papel da msica uma vez que esta funcionar aqui um alvo de anlise sobre a produo de sentidos ao assumir-se como instrumento de contestao e resistncia. A msica tornou-se, assim, para os negros, mais que um espao de representao sem fronteiras, para funcionar como um smbolo de resistncia e contestao. A msica sobre o preconceito racial existe h muito tempo.

No Brasil, foi a partir da redemocratizao, na dcada de , que a msica como forma de protesto contra o preconceito racial ganhou popularidade. Desde ento, a sociedade brasileira passou a buscar na msica uma forma de representao social e protesto, 1. Ser utilizada a nomenclatura etnia em detrimento da de raa, j que a gnese da idia de raa, base do pensamento racista, de onde se originou a ideologia de superioridade e racial.

Foi nesse contexto que a banda Reflexu's se destacou, tornando-se a primeira banda baiana a se projetar no cenrio nacional dessa dcada. A trajetria da banda negra. Pensando nessas consideraes, esta monografia objetiva analisar a construo do discurso de valorizao da negritude e de protesto contra o preconceito racial nas letras de algumas msicas da banda baiana Reflexu's. De forma especfica e como premissas analticas objetiva compreender as condies histricas do contexto brasileiro que ensejaram a produo de discursos de protesto logo de valorizao tnico-racial apontando genericamente para o tratamento conferido a estas questes nas msicas do perodo analisado; repertoriar e discutir as categorias terico-metodolgicas da Anlise do Discurso de orientao francesa AD e identificar e analisar os recursos discursivos que constroem os sentidos de protesto e exaltao da negritude nas letras das msicas da banda Reflexus.

O problema parte da questo de como so construdos discursivamente os sentidos de valorizao tnico-racial e de protesto contra o preconceito racial nas letras das msicas da banda Reflexus. O argumento hipottico gira em torno da pressuposio de que a msica trabalhada a partir de recursos discursivos carregados de mecanismos de persuaso que visam transmitir uma mensagem contra o preconceito racial atravs e valorizao dessa etnia atravs da constante exaltao de elementos culturais em suas relaes com os processos histricos.

Como referencial terico, a pesquisa partiu dos estudos realizados no mbito da Anlise de Discurso de orientao francesa AD , utilizando autores como Michel Foucault e Michel Pcheux, que criaram conceitos e categorias, facilitando assim o entendimento da construo dos sentidos, significados e posicionamentos ideolgicos existentes nos discursos. A msica, enquanto discurso, permite focalizar a linguagem em seu funcionamento, o sujeito em interao, produzindo sentido por meio da linguagem em dada situao e contexto histrico, concebendo a relao entre histria, sujeito e linguagem, na complexa decorrncia de produo de sentidos ORLANDI, Entende-se a partir da AD que os aspectos relevantes discutidos, sobre as evidencia uma proposta especialmente de protesto, traduzindo musicalmente uma riqueza cultural, baseada na denncia e na valorizao da etnia.

Para tanto, ser analisada uma amostra com 17 letras de msicas, as quais seguem anexadas. Em um universo de aproximadamente 75 msicas, estas foram escolhidas de acordo com a aproximao da abordagem do tema em questo. A estrutura da monografia dividida em trs captulos: apresenta um breve histrico do racismo e como este foi se constituindo ao longo da nossa histria. Uma histria marcada pelo preconceito e discriminao racial numa sociedade marcadamente pluricultural; O Captulo 2 aborda as categorias de anlise da AD, bem como trabalha alguns conceitos intrnsecos a ela; O Captulo 3 traz o estudo especfico sobre as anlises propriamente ditas, ou seja, a anlise do discurso das letras das msicas.

Analisar sob uma viso crtica as relaes raciais no Brasil foi e tem sido uma tarefa difcil, sobretudo porque o pas possui uma imagem de nao racialmente democrtica. Ao avaliar as vrias dimenses das relaes existentes entre indivduos negros e brancos torna-se perceptvel que os negros sempre estiveram em posies desiguais em relao oportunidade de emprego e educao, por exemplo.

Para tentar justificar esta afirmativa tem sido evocada a herana da escravido como um dos argumentos principais. O processo de escravido de acordo com a definio dada por Paul Lovejoy uma forma de explorao que possua caractersticas especificas que. Incluam a idia de que os escravos eram propriedade; que eles eram estrangeiros, alienados pela origem ou dos quais, por sanes judiciais ou outras, se retirara a herana social que lhes coubera ao nascer; que a coero podia ser usada vontade; que a sua fora de trabalho estava completa disposio de um senhor [ A partir da metade do sculo XIX, a escravido no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra, que proibiu o trfico de escravos, pressionando o pas a aprovar a Lei Eusbio de Queirz, abolindo o trfico negreiro.

Aprovou-se logo em seguida a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data e foi promulgada a Lei dos Sexagenrios, que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.

Somente no final do sculo XIX que a escravido foi mundialmente proibida. No Brasil, sua abolio foi tardia, ocorrendo em 13 de maio de , com a promulgao da Lei urea, feita pela Princesa Isabel.

A lei deu a liberdade aos escravos, porm no resolveu os problemas racias. A realidade foi cruel com muitos deles. Sem moradia, e em condies econmicas precrias, muitos negros no conseguiam emprego, sofriam preconceito e discriminao racial. A grande maioria passou a viver em habitaes de pssimas condies e a sobreviver de trabalhos informais e temporrios. Fazendo uma releitura do processo de abolio brasileiro, Lilia Schwarcz afirma que esse procedimento:. Carregava consigo algumas singularidades.

Em primeiro lugar, a crena enraizada de que o futuro levaria a uma nao branca. Em segundo, o alvio decorrente de uma libertao que se fez sem lutas nem conflitos e sobretudo evitou distines legais baseadas na raa [ A discriminao sempre existiu ao longo da histria como um fenmeno social, no entanto, o racismo tal como concebemos hoje, um conceito relativamente recente.

Surgiu essencialmente como uma justificativa da escravido e do colonialismo, opondo-se aos movimentos abolicionistas emergentes. O racismo uma teoria construda sob a gide da pureza e separao da raa, respaldada em uma falsidade cultural ou cientfica que nasce no sculo XVIII, mas eclode no sculo XIX, perodo em que surgem as teorias sobre as diferenas entre as raas. Segundo Skidmore , as teorias raciais podem-se dividir em trs grupos. A primeira escola a etnolgico-biolgica, cuja afirmao centrava-se no argumento de que as diferenas fisiolgicas representavam as variedades da raa humana e que tais diferenas tinham ligao com o clima a que cada raa estava exposta,.

A segunda, a escola histrica, argumentava que as raas podiam ser fisicamente diferentes umas das outras, com a branca superior a todas as outras, por que o gene do homem branco seria mais forte. O terceiro grupo terico de pensamento racista foi o chamado darwinismo social. Defendia um processo evolutivo que iniciava com uma nica espcie, na qual as raas evoluam de formas inferiores para superiores, resultado da sobrevivncia dos mais aptos.

Todas essas teorias tinham intuito de justificar a superioridade do homem branco. O ento chamado racismo cientfico ganha corpo nas grandes naes do mundo. No Brasil, o seu desdobramento na poltica e na sociedade do perodo tornou-se assunto amplamente debatido entre os historiadores, socilogos, antroplogos e cientistas polticos. Essa nova abordagem histrico-scioantropolgica considera que. A origem do racismo no cientifica, e o homem no nasce com preconceito. Ou seja, a teoria raciolgica, serviu principalmente para concretizar os interesses econmicos e polticos das grandes potncias colonizadoras que estavam interessadas em dominar certos segmentos populacionais, como exemplo, os povos da Amrica, sia e frica.

As teorias raciais impulsionaram as desigualdades entre os seres humanos e por meio do conceito de raa puderam classificar a humanidade.

Para Munanga a raa no uma realidade biolgica, mas sim apenas um conceito, alis, cientificamente inoperante para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raas estancas. Ou seja, biolgica e cientificamente, as raas no existem , p. O termo raa tem uma variedade de acepes, geralmente utilizadas para descrever um grupo de pessoas que compartilham certas caractersticas morfolgicas.

A idia de raa tem sido questionada pela chamada gentica de populaes, que se debrua sobre a variabilidade biolgica das populaes humanas. Desde as atrocidades do nazismo, no contexto da Segunda Guerra Mundial, esse termo vem sendo refutado por bilogos e cientistas sociais, j que vem sendo usado para se referir cor da pele e aparncia das pessoas ou mesmo a sua ancestralidade.

Politicamente, o conceito de raa tambm utilizado por setores de movimentos negros na luta contra o racismo. No Brasil, o conceito de raa foi retomado pelo movimento negro na segunda metade do sculo XX, especificamente no final da dcada de , destacando-se o MNU, surgido em Hoje presente em quase todo o Brasil, referncia de grande significado para a luta poltico-ideolgica de encaminhamentos de agregao e mobilizao da populao afro-descendente.

Por conta dessa multiplicidade de significaes acerca desse conceito que a cincia e a poltica tm se entrelaado nos debates sobre raa no Brasil, baseados numa suposta desigualdade gentica entre os indivduos. Alertam para os perigos postos pelo determinismo gentico que podem abrir margem para novas formas de racismo.

O tema da raa ainda mais complexo na medida em que inexistem no pas regras fixas ou modelos de descendncia biolgica aceitos de forma consensual. Afinal, estabelecer uma linha de cor no Brasil ato temerrio, j que essa capaz de variar de acordo com a condio social do individuo, o local e mesmo a situao.

Aqui, no s o dinheiro e certas posies de prestigio embranquecem, assim como, para muitos, a raa, transvestida no conceito cor transforma-se em condio passageira e relativa. Lideranas do movimento negro tm questionado tambm a utilizao do conceito de raa, por acreditar que ela refora, atravs da biologia, o discurso da miscigenao que tende, por sua vez, a ser associado existncia de uma democracia racial no Brasil, fornecendo, desta forma, um respaldo biolgico para o discurso da mestiagem que, historicamente, tem sido acionado para se minimizar a existncia de racismo e das desigualdades raciais no Brasil.

O final dos anos de marcado no Brasil pela dominncia de uma certa ideologia mestia, pela qual os tericos do racismo afirmavam que o problema racial brasileiro residia na miscigenao, ou seja, estavam preocupados com o problema da mistura racial.

O mestio era o exemplo da degenerao surgida com o cruzamento de espcies diversas. De acordo com Raeders , o principal nome nesse sentido foi o de Arthur de Gobineau, autor do Ensaio sobre a desigualdade das raas humanas. Nesta obra, ele postula que a histria deriva da dinmica das raas, subdividindo a humanidade em trs complexos raciais: branco, amarelo e negro. Esclarece que a desigualdade das raas humanas no era uma questo absoluta, mas um fenmeno ligado miscigenao, colocando assim o futuro do progresso histrico dependente da ao direta ou indireta das raas brancas.

Para Ali Kamel, que tambm escreve a cerca do assunto:. O debate em torno de raas no Brasil sempre foi intenso. Deixando de lado todo o debate entre escravocratas e abolicionistas, o sculo XX foi todo ele permeado por essa discusso. Nas primeiras dcadas do sculo passado, o pensamento majoritrio nas cincias sociais era racista.

Mas at ele reconhecia que o Brasil era fruto da miscigenao. KAMEL, , p. Diante disso, o Brasil era considerado pelos europeus como um pas mestio. A viso era que o negro desaparecesse pela miscigenao e que algum dia o Brasil seria branco. Muitos nesse perodo, como Louis Agassiz, afirmavam que era no Brasil que as melhores qualidades do branco, negro e ndio estavam se apagando rapidamente, deixando surgir um tipo indefinido e hbrido. J Raeders , definiu-a como uma populao mulata, assustadoramente feia.

Essas teorias racistas impregnaram o Brasil do sculo XX. A imagem de um pas contraditrio diante dos seus avanos e recuos sociais, polticos e cientficos, ora era colocado, em ritmo de modernidade, ora como smbolo de atraso, atribudo por alguns presena de negros.

Como resposta, segundo Schwarcz , na Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios PNAD , realizada em , pesquisadores do IBGE registraram respostas, intituladas de Aquarela do Brasil 2 diferentes relacionadas cor negra, ou seja, as nomenclaturas foram dadas com intuito de substituir a identidade negra.

Isso foi interpretado pelos movimentos 2. Darcy Ribeiro j dizia que prevalece em todo Brasil uma expectativa assimilacionista, que leva os brasileiros a supor e desejar que os negros desaparecessem pela branquizao progressiva. Fazendo com que ocorra uma suposta e efetiva modernizao dos brasileiros, procedente tanto por meio da branquizao dos pretos, como pela negrizao dos brancos.

As trias raciais teorias pregavam o cruzamento inter-racial como forma de resolver o problema de um pas negro e mestio. Para Skidmore a teoria do branqueamento.

A primeira a populao negra diminua progressivamente em relao branca por motivos que inclua a suposta taxa de natalidade mais baixa, a maior incidncia de doenas, e a desorganizao social. Segundo a miscigenao produzia naturalmente uma populao mais clara, em parte porque o gene branco era mais forte e em parte porque as pessoas procurassem parceiros mais claros do que elas.

Essa ideia afirma a busca da negao da imagem de inferioridade inata dos mestios. A intelectualidade brasileira forjou uma concluso otimista afirmando que a miscigenao no produzia de maneira inevitvel degenerados, mas uma populao branca, tanto cultural quanto fisicamente superior Skidmore, A imigrao de europeus apareceu nessa conjuntura como veculo impulsionador do branqueamento da nao, pois, constituindo uma raa mais forte, se imporiam no contexto racial brasileiro.

Slvio Romero, autor expoente que escreveu sobre o branqueamento, expe uma ideia da agregao das raas, caracterstica do Brasil. A obra de transformao das raas entre ns ainda est mui longe de ser completa e de ter dado todos os seus resultados. Ainda existem os trs povos distintos em face um dos outros; ainda existem brancos, ndios e negros puros. S nos sculos que se nos ho de seguir a assimilao se completar. Fica evidente que o autor acreditava na viabilidade de um futuro no qual, por meio da mestiagem, o sangue de negros e ndios viesse a desaparecer da sociedade, mesmo que fosse preciso esperar por sculos, dando lugar aos mulatos, que surgiram com o processo de embranquecimento, significando que o Brasil seria uma nao sem raa.

Esta era a imagem passada para o exterior, de um pas democrtico no quesito racial. Comea ento a ser discutido o mito da democracia racial. O iderio da democracia racial brasileira surgiu por volta da dcada de e era caracterizado como um sistema legal desprovido de qualquer barreira legal ou institucional para a igualdade racial, e, em certa medida, um sistema racial desprovido de qualquer manifestao de preconceito ou descriminao DOMINGUES, , p. Essa idia foi formulada de forma exemplar por Gilberto Freyre , que contribuiu muito para a legitimao cientfica da afirmao de que no Brasil no havia preconceitos e discriminaes raciais.

A partir de uma anlise minuciosa da formao da sociedade brasileira, descreve como se dava a relao senhor-escravo dentro do engenho, ressaltando a benevolncia e a solidariedade que permeavam esse universo.

Freyre tambm valorizou a fuso das trs raas ou a interpenetrao das culturas portuguesa, indgena e africana na formao do Brasil e de seu povo. Essa argumentao era consistente, uma vez que se baseava na positividade da intensa mestiagem da populao, fundamentada na riqueza das diferentes contribuies culturais a formar uma nova e rica civilizao nos trpicos, caracterizada ainda por baixo grau de tenso inter-racial. A respeito dessa civilizao nos trpicos, Sampaio afirma que as condies geogrficas foram.

Encontrareis, nos climas do Norte, povos que tem poucos vcios, muitas virtudes, sinceridade e franqueza. Aproximai-vos dos pases do Sul e acreditareis afastar-vos da prpria moral: as paixes mais ardentes multiplicaro os crimes; cada um procurar tomar sobre demais todas as vantagens que podem favorecer essas mesmas paixes.

Outro conceito tambm muito discutido na dcada de 30 foi inserido por Sergio Buarque de Holanda , na qual analisa como as relaes entre ndios, escravos e portugueses nestas terras do sul acabaram por gerar um povo particular, especial, que pode ser entendido atravs da imagem do homem cordial. Holanda afirma que o homem cordial resultado da cultura patrimonialista e personalista prpria da sociedade brasileira. Essa cordialidade enfatizava o predomnio de relaes humanas mais simples e diretas que rejeitavam a polidez e a padronizao.

Para o autor, as relaes familiares no eram benevolentes para a formao de homens responsveis, pois havia uma hegemonia patriarcal vinculada tambm ao homem cordial, a qual impedia uma distino entre a noo de pblico e privado.

A impossibilidade que o brasileiro tem em se desvincular dos laos familiares a partir do momento que ele se torna um cidado gera o homem cordial. Esse homem cordial aquele generoso, de bom trato, que para confiar em algum precisa conhec-lo primeiro. Holanda considera o Brasil uma sociedade onde o Estado apropriado pela famlia, os homens pblicos so formados no crculo domstico, onde laos sentimentais e familiares so transportados para o ambiente do Estado.

Pode-se inferir, portanto, que tanto a obra de Gilberto Freyre como a de Sergio Buarque de Holanda constituem referencial bsico para discutir a sociedade brasileira, mas muitas dessas hipteses e concluses foram posteriormente rechaadas por uma nova gerao de intelectuais que, entre os anos e , fixaram s cincias sociais no Brasil uma acentuada crtica do materialismo histrico e dialtico. Esta crtica acusa, principalmente, Freyre de sustentar o mito de uma.

A partir dos anos , um grupo de cientistas sociais comearam a questionar o mito da democracia racial, fazendo com que a defesa freyreana das concepes de identidade nacional brasileira comeasse a se flexibilizar. Por sua vez, isso s foi possvel aps uma srie de projetos de pesquisas sobre relaes raciais brasileiras, encomendada pela Organizao Educacional, Cientfica e Cultural das Naes Unidas UNESCO em , a qual adotou como parte de sua misso o combate ao racismo em todo o mundo.

A princpio, a pesquisa foi feita no Rio de Janeiro e So Paulo, estendendo-se por algumas cidades de Minas Gerais, e nos estados nordestinos da Bahia e de Pernambuco. As equipes constataram elevados nveis de desigualdade entre as populaes brancas e negras, alm de fortes evidncias de atitudes e esteretipos racistas. Segundo Oracy Nogueira, os projetos de pesquisa patrocinados pela UNESCO deixaram um vasto legado para a histria da luta contra o racismo, como tambm para o repensar da identidade nacional brasileira.

A principal tendncia que chama ateno, nos estudos patrocinados pela UNESCO, acima mencionados, a de reconhecerem seus autores a existncia de preconceito racial no Brasil. Assim, pela primeira vez, vem, francamente, de encontro e em reforo ao que, com base em sua prpria experincia, j proclamavam, de um modo geral, os brasileiros de cor.

De acordo com Maggie , na base da discusso em torno dos sistemas de classificao racial no Brasil estaria a naturalizao da cor. Para a autora, no pensamento social brasileiro a cor aparece como algo concreto. Nos diversos mbitos, a cor emerge como algo natural, os sistemas classificatrios a partir dos quais os significados so demarcados servem para marcar as distines presentes no mundo social, as quais so produtos da construo cultural ou social.

Ou seja, a identificao entre negro ou mestio e a pobreza disfaram as barreiras que mantm estas populaes afastadas das oportunidades de insero social, visto que os traos fsicos, como formato do rosto, tipo de cabelo e a cor da pele so transformadas em base para a discriminao. Para Nogueira , isso pode ser explicado porque aqui o preconceito de marca, ou seja, determinado pela aparncia, onde o racismo manifesta-se no mago das relaes sociais incorporado posteriormente pelos negros.

O interesse da UNESCO referente problemtica da raa no Brasil incentivou considerveis debates e reflexes, alm de incentivar muitos estudiosos brasileiros que haviam participado de pesquisas, a exemplo de Florestan Fernandes e Thales de Azevedo , a prosseguirem com essa temtica da democracia racial em suas futuras carreiras.

O socilogo Florestan Fernandes ao enfatizar a existncia do preconceito de cor no Brasil, vai contestar assim a ideologia da democracia racial. No entanto, no seu discurso, o preconceito de cor est muito articulado ao preconceito de classe, abordando a temtica racial fundamentada na desigualdade e numa forma particular de racismo, ou seja, um preconceito de no ter preconceito.

A respeito da pesquisa feita por Fernandes, Schwarcz afirma que o conjunto das anlises feitas por ele revelador, na medida em que,.

Canto Para o Senegal

Ou seja, a tendncia do brasileiro seria continuar discriminando, apesar de considerar to atitude ultrajante para quem sofre e degradante para quem a pratica. Ou seja, para Florestan Fernandes a origem do preconceito e da discriminao tem sua origem na escravido. Preconceito este que estaria resolvido com o desenvolvimento econmico do pas. Em outras palavras, o autor focalizou o processo de insero do negro na estrutura social e econmica em vias de transformao, e sobre a luta poltica dos mesmos.

Guimares utiliza as categorias analticas de raa e cor buscando uma razo para o preconceito e a discriminao no Brasil. Raa no apenas uma categoria poltica necessria para organizar a resistncia ao racismo no Brasil, mas tambm categoria analtica indispensvel: a nica que revela que as discriminaes e desigualdades que a noo brasileira de cor enseja so efetivamente raciais e no apenas de classe GUIMARES, p.

Com isso pode-se dizer que o preconceito racial no Brasil se sobrepe ao preconceito de classe. Neste prisma, as categorias raa e cor se articulam e esto presentes nos processos de discriminao e preconceito racial p. Outro pesquisador muito imponente foi Thales de Azevedo, que fez um panorama da ascenso social de homens de cor na Bahia dos anos Ao escrever sobre a existncia do preconceito de cor na Bahia, afirma que:.

A posio dos que negam inteiramente o preconceito a de quem formula um padro ideal de relaes, inspirado "no desejo que no houvesse o problema , ou no vo intento de contribuir para que a sociedade o esquea" [Rmulo Almeida].

Os que exageram as propores da questo poderiam ser personalidades inadaptadas, o que no ocorre sempre; essa exagerao um poderoso meio para chamar ateno para um problema que se supe inexistente ou sem importncia e funciona tambm como uma forma de agresso contra o grupo discriminante. Este estudo possibilitou observar as eventuais barreiras para a ascenso social dos negros e mulatos, ou seja, a sua trajetria familiar ou pessoal, os seus instrumentos, mecanismos e instituies de mobilidade vertical, assim como o padro das relaes sociais entre brancos e negros e as suas atitudes uma vez inseridos nas classes altas.

Em linhas gerais, o mito da democracia racial brasileira foi concebido como parte de uma campanha ideolgica maior para justificar o domnio autoritarista e oligrquico no Brasil.

Segundo Guimares , durante o regime da ditadura militar foi formada uma ideologia racista, que utilizou a democracia racial como uma espcie de ideologia do Estado brasileiro, para negar os fatos de discriminao e as desigualdades raciais, que cresciam cada vez mais no pas, formando assim uma justificativa da ordem discriminatria e das desigualdades raciais realmente existentes.

A partir do momento em que esse modelo de governo passou a sofrer crescentes ataques, pde-se observar o declnio desse mito. Dos anos aos anos , novos estudos foram feitos sobre as relaes raciais, denunciando uma vez mais como os negros ficavam em posies desvantajosas diante dos brancos. Na dcada de , perodo marcado pela redemocratizao brasileira, esse mito foi transformado no principal alvo de criticas dos movimentos negros, pois acreditavam ser esta uma ideologia racista.

Nesse perodo, foi institudo o Conselho de Participao e Desenvolvimento da Comunidade Negra, com a implementao de polticas voltadas para promover a insero qualificada da populao negra, alm de uma crescente valorizao da cultura com a criao do Dia Nacional da Conscincia Negra e o Programa Nacional do Centenrio da Abolio da Escravatura, que atraem a ateno para o negro e a questo racial, possibilitando um ambiente favorvel ao debate sobre as relaes raciais.

Desde ento, o poder pblico, por meio dessas manifestaes reconhece que existe discriminao racial na sociedade e que cabe a ele o desenvolvimento de aes retificadoras. Ponderando que numa sociedade, que tem no preconceito racial um dos pilares de sua construo sciohistrica, fica evidente que o negro precisa lutar cotidianamente para tentar desconstruir as imagens criadas em torno da sua etnicidade, pois:. A Constituio Federal de tambm traz avanos indiscutveis referentes questo racial.

Fundamentada no respeito da dignidade humana, tem como um de seus objetivos fundamentais, explcitos no artigo 3,. I - construir uma sociedade livre, justa e solidria; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalizao e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raa, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminao.

Grifo meu.

O PARA BAIXAR SENEGAL BANDA REFLEXUS CANTO

Muito embora afirme a igualdade e tenha por princpio o pluralismo e a proteo tnico-cultural como direitos fundamentais, a acessibilidade aos direitos dos segmentos representados merece ainda grande empenho para que se concretize. A democracia brasileira foi reinventada a partir do pleito dos movimentos sociais organizados, que passaram a denunciar as disparidades e injustias sociais. No seria coerente dizer que inexiste preconceito no Brasil se a sua extino foi elencada como objetivo de nosso pas h pouco mais de duas dcadas.

Apesar das conquistas e progressos, estamos longe de termos uma sociedade na qual sejam extintas todas as formas de preconceito e discriminao. As discusses sobre raa na Bahia comearam com as pesquisas sobre os negros escravizados trazidos da frica nos navios negreiros. Desde Nina Rodrigues, inmeros cientistas estudaram a evoluo e a problemtica dos negros, um tema. A partir da dcada de , foi reforada a ideia de uma Bahia tradicional, ligada africanidade, e ao mesmo tempo repleta de necessidades no atendidas de polticas pblicas ante as desigualdades raciais.

A Bahia um estado eminentemente negro, a maior parte de sua populao negra ou afro-descendente. Entretanto, por um longo perodo de nossa histria, todo esse percentual de negros parecia invisvel ao Estado brasileiro.

Essenciais para o norteamento de polticas pblicas, as pesquisas demogrficas do pas s comearam a incluir em seus formulrios o quesito cor a partir do censo realizado em , o primeiro feito aps o regime militar. A partir de ento as estatsticas comearam a desvendar as desigualdades raciais existentes no pas, fornecendo dados que serviram de instrumentos de pesquisas acadmicas e como fomentadores de mobilizaes sociais em prol de melhorias nas condies de cidadania do povo negro, que vem resultando em avanos significativos nas polticas pblicas e, aos poucos, promovendo aes de equiparao da igualdade racial no Brasil.

De acordo com os ndices sobre a desigualdade racial, os negros do sculo XXI ainda sofrem com as marcas deixadas pela escravido no pas. Do total da populao brasileira, os negros so os que possuem menor escolaridade, tm mais dificuldade no acesso sade e ao mercado de trabalho e so mais expostos s moradias precrias.

Na Bahia, este fato mais marcante, devido, sobretudo maior penetrao do sistema escravocrata na formao da cultura. Este sistema sempre trabalhou com ofertas restritas de trabalho, sendo mais um meio de limitao da condio de desenvolvimento do cidado de origem negra. Isso faz com que ocorra uma verdadeira segregao. Segundo pesquisa intitulada Os negros no mercado de trabalho e o acesso ao sistema pblico de emprego, trabalho e renda, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Sociais e Econmicos Dieese , Governo do Estado da Bahia, Fundao Seade e Universidade Federal da Bahia em , no mercado de trabalho h uma desigualdade enorme.

Os negros ainda so os que. Os dados da pesquisa revelaram que a desigualdade racial no mercado de trabalho, nos ltimos cincos anos, permaneceu praticamente a mesma na Regio Metropolitana de Salvador. As primeiras alternativas surgidas para o negro, neste processo, esto relacionadas com trabalhos manuais, ligados principalmente em empregos pblicos, nos sistemas de educao e de sade. O histrico brasileiro foi marcado pela negao das desigualdades raciais, mesmo apresentando profundo distanciamento entre brancos e negros.

O Estado sempre demonstrou competncia para sufocar os modelos de resistncia coletiva que pudessem ameaar o poder hegemnico estabelecido. As relaes raciais estiveram, por muitos anos, influenciadas pela idia de democracia racial.

Essa imagem dificultou a viso crtica da realidade vivenciada pelo pas acerca das relaes raciais. Somente nos ltimos anos, o Estado brasileiro comea a reconhecer as desigualdades existentes entre os negros e brancos e a necessidade de implementao de medidas de combate ao racismo e desigualdade racial.

Segundo Lilia Schwarcz , se durante o perodo escravocrata os negros estiveram submetidos a todo tipo de suplcios e humilhaes, isto no fez com que perdessem seus traos culturais.

Ao contrrio, foram capazes de impregna-los na cultura da nao. Mesmo estando submetidos ao poder poltico e econmico vigente no perodo, sua cultura permanece vigorosa, estabelecendo lugar inegvel. Possui uma base interdisciplinar situada em trs domnios: a Lingustica, o Marxismo e a Psicanlise, tendo como suportes iniciais o mtodo de anlise estruturalista, o conceito de ideologia marxista, o de sujeito advindo da teoria psicanaltica.

Essa teoria especializada em analisar, de forma reflexiva, as construes ideolgicas presentes num texto, sugere que o objeto de estudo no deveria tratar da lngua, nem da gramtica, embora essas coisas lhes interessassem, e sim estudar o discurso, isto , a palavra em movimento por meio da qual se procura compreender a lngua fazendo sentido, enquanto trabalho simblico, parte do trabalho social geral, constitutivo do homem e de sua histria, concebendo assim a linguagem como mediadora entre o homem e a realidade socio-cutural.

Realidade que, tratada por esta pesquisa, foi camuflada, se assim pode-se dizer, pelo discurso racista da sociedade brasileira, que influenciou e ditou padres especficos, muitas vezes massificando a imagem do negro, que nem sempre estava adequada a estes padres institudos pelas classes dominantes e que acabou por gerar desvalorizao das diferenas fsicas e sociais dessa etnia e suas miscigenaes. A partir do estudo dos discursos de valorizao do negro e de protesto contra o racismo nas msicas ser possvel estabelecer relaes as aes e posturas das sociedades ao longo da histria, em relao ao tema, bem como do sentido e transformam a prpria histria atravs das suas representaes discursivas.

A anlise do discurso no se interessa tanto pelo que o texto diz ou mostra, pois nao uma interpretao semntica de contedos, mas sim em como e porque o diz e mostra. PINTO, , p. A questao que a AD no trabalha apenas para entender o que os textos exemplificam, mas tem o intuito de produzir conhecimentos a partir do prprio texto, ou seja, trabalha em busca de se estabelecer um determinado sentido.

Assim, para a AD, nos estudos discursivos no existe separao entre forma e contedo, ou seja, possuem uma relaao de reciprocidade. Diante disso, trabalha a confluncia entre a lingustica, a histria e a ideologia, constituindo assim o novo objeto de estudos, o discurso.

Foucault entende o discurso como um conjunto de enunciados que se apoiam em um mesmo sistema de formao, alm disso, para ele. O discurso - como a psicanlise nos mostrou - no simplesmente aquilo que manifesta ou oculta o desejo; , tambm, aquilo que o objeto do desejo; e visto que isto a histria no cessa de nos ensinar - o discurso no simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominao, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.

Essa uma idia renovadora em relao ao discurso, este aparece como produto de algo que exterior a ele, que o poder. Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as interdies que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligao com o desejo e com o poder FOUCAULT, , p. Com slidos conhecimentos acerca das diversas manifestaes de poder por meio do discurso, Foucault nos leva a compreender as idias bsicas de sua linha filosfica sobre o saber e o poder, bem como a descobrir o poder das palavras no discurso do indivduo, que ora o exclui, ora o torna dono do saber poder, como muito bem se define nos procedimentos externos ou internos de controle e delimitao do discurso.

O poder, segundo a conceituao elaborada por Michel Foucault, visto como algo que se dispersou pelas entrelinhas da sociedade. No mais aceito.

Mas, o que procura estar em harmonia com as possibilidades dos vrios locais de poder. Esses poderes determinam discursos prprios para seus interesses, facilitando a ligao entre o discurso que se quer proferir e o poder que pretende privilegiar.

Em outras palavras, o discurso trabalha para o poder e para aqueles que fazem do discurso arma do poder, conduzindo assim os sujeitos que esto volta desses ncleos de poder. O discurso surge como o defensor de um grupo em detrimento de outro, tomando o discurso enquanto desejo, no s porque o manifesta, mas aquilo que o objeto de desejo. Enquanto poder, no s porque traduz as lutas, mas aquilo pelo que se luta o poder do qual nos queremos apoderar.

Dessa forma sublinha a idia de que o discurso sempre se produziria em razo de relaes de poder, as quais controla, seleciona, organiza e redistribui a produo de sentido dentro da prpria sociedade. Segundo Focault , p. Essa ideia se explica no fato de que para Foucault alguns assuntos e discusses so proibidos dentro da prpria sociedade, uma vez que existem processos de excluso dentro da produo do discurso, os quais dizem respeito aos discursos que coloca em jogo o desejo e o poder.

Para Foucault preciso ainda considerar o discurso nas suas condies de produo, consider-lo limitado por procedimentos de controle e delimitao, que se. Estas condies compreendem fundamentalmente a relao entre situao e sujeito. Segundo Orlandi,. As condies de produo do discurso iro determinar no o sentido em si, mas as posies ideolgicas do jogo discursivo. Podemos considerar as condies de produo em sentido restrito e temos as circunstncias da enunciao: o contexto imediato. E se as considerarmos em sentido amplo, as condies de produo incluem o contexto scio-histrico, ideolgico.

Pensando nessas afirmaes, pode-se inferir que as condies sociais de produo interferem diretamente no processo discursivo, j que atravs dela que o sujeito posiciona-se ideologicamente, fazendo com que os discursos funcionem de acordo com valores, os quais esto presentes nos procedimentos de assimilao dos sujeitos trabalhados no discurso, analisando assim as relaes histricas, de prticas concretas, que esto vivas nos prprios discursos, relacionando deste modo a lngua com outra coisa.

Foucault define como prtica discursiva. Na verdade, tudo prtica para Foucault, uma vez que ela est imerso em relaes de poder e saber, que se implicam mutuamente, constituindo prticas sociais permanentemente presas, amarradas s relaes de poder, que as supem e as atualizam, concebendo assim o discurso, no somente como lugar de expresso de um saber, mas o lugar em que o poder se exerce.

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Para o terico , p. As prticas s quais esse autor se refere advm de acontecimentos histricos, que so representados sob o ponto de vista das formaes discursivas FD. A introduo do conceito de FD coloca em xeque a noo de mquina estrutural fechada, na medida em que o dispositivo da formao discursiva est em relao paradoxal com seu exterior: uma formao discursiva no um espao estrutural fechado, pois constitutivamente invadida por elementos que vm de outro lugar Pcheux a, p.

Esclarecendo a noo de FD, Foucault apresenta quatro hipteses: a primeira considera que os enunciados, diferentes em sua forma, dispersos no tempo, formam um conjunto quando se referem a um nico e mesmo objeto; na segunda, ressalta que para definir um grupo de relaes entre enunciados, deve-se levar em conta sua forma e seu tipo de encadeamento; a terceira parte do pressuposto de que no se poderia estabelecer grupos de enunciados determinando-lhes o sistema de conceitos permanentes e coerentes que a se encontram em jogo.

A quarta e ltima leva em considerao que a identidade e a persistncia dos temas podem relacionar os enunciados de uma mesma formao discursiva FOUCAULT, , p.

Esse conceito de FD de Foucault baseado em um sistema de disperso, formados por elementos que no esto ligados por nenhum princpio de unidade, cabendo AD descrever essa disperso, buscando as regras de formao que regem a formao dos discursos. A preocupao de Foucault no com o discurso, enquanto expresso de uma idia ou de uma linguagem, mas enquanto suas condies de possibilidade, o que o autor denomina como as condies da formao discursiva.

A noo de FD para Orlandi permite a compreenso do processo de produo dos sentidos e sua relao com a ideologia. Alm de dar ao analista possibilidades de regular o funcionamento dos discursos, lembra que embora seja ainda polmica, a noo de FD de suma importncia para analisar esses discursos, pois permite compreender o processo de produo dos sentidos, bem como a sua relao com uma determinada conjuntura scio-histrica, que determina o que pode ser dito e o que deve ser dito.

Determinantes na formao de um discurso, os objetos, os tipos de enunciao, conceitos e estratgias, caracterizam as singularidades e possibilitam a regularidade do discurso.

O que Foucault prope analisar esses quatro nveis no. Ao descrever o conceito de FD, Foucault define aquilo que essencial para compreender a constituio de um saber, isto porque, para o autor: [ Para Orlandi , as formaes discursivas so formaes componentes das formaes ideolgicas.

Assim sendo, as palavras mudam de sentido ao passarem de uma formao discursiva para outra, pois muda sua relao com a formao ideolgica. Outro conceito importante na AD o de formao ideolgica FI. Pcheux, no primeiro momento de construo de sua teoria, absorve das revises althusserianas sobre o marxismo, apresentando, ento, a ideologia como aquela que interpela o indivduo em sujeito, concebendo assim, o sujeito coagido ao assujeitamento, destacando a autonomia relativa da ideologia de uma base econmica, e a sua significativa contribuio para a reproduo ou transformao das relaes econmicas.

Nesse sentido, o racismo pode se expressar atravs das estratgias que os grupos dominantes encontraram para driblar as normas anti-racistas. Tratase, pois, de discursos ideolgicos que justificam a sua situao dominante sem, aparentemente, violar as normas vigentes. Para orlandi , o discurso no existe sem o sujeito e no h sujeito sem ideologia: o indivduo interpelado em sujeito pela ideologia e assim que a lngua faz sentido p.

Refora a tese de que a ideologia ocorre em formas materiais e atua atravs da constituio das pessoas como sujeitos sociais, fixando-os em posies-sujeito e dando-lhes, ao mesmo tempo, a iluso de serem agentes livres.

Ao tratar de ideologia, Orlandi parte da idia que a ideologia o discurso em si, considerando que a forma histrica de um sujeito assim como a ideologia da sociedade em que vive, pode alterar sua percepo sobre determinados discursos. Como por exemplo, no capitalismo, onde existem processos de individualizao do sujeito pelo Estado, que o submete a um reflexo da realidade aparentemente livre e responsvel, provocando o assujeitamento dos indivduos.

A autora tambm ressalta que Adotando a perspectiva de que o. No se trata de pretender aqui que todo discurso seria como um aerlito miraculoso, independente das redes de memria e dos trajetos sociais nos quais ele irrompe, mas de sublinhar que, s por sua existncia, todo discurso marca a possibilidade de uma desestruturao-reestruturao dessas redes e trajetos: todo discurso um ndice potencial de uma agitao nas filiaes scio-histrica de identificao.

O autor afirma que todo enunciado intrinsecamente suscetvel de tornar-se outro, diferente de si mesmo, se deslocar discursivamente para derivar para um outro PCHEUX,, p. O que significativo para a AD, pois o sentido no compreendido como uma unidade fixa, j que histrico e, por isso, pode deslizar-se para outro, mostrando que a lngua tem a sua materialidade discursiva, ou seja, a tomada de um enunciado pressupe a considerao das condies de produo.

Essa interpelao acontece quando o indivduo sofre intervenes da histria no sentido de se inscrever em um discurso j existente memria discursiva.

E essa inscrio no eventual, pois h um processo de identificao do sujeito com o discurso predominante. Convm expor ainda o conceito de enunciado. Tendo-se como pressupostos a se considerar o fato de que toda enunciao pressupe interao verbal entre interlocutores, pode-se dizer, a partir de Foucault, que o conceito de enunciado, est associado ao de funo enunciativa e discurso:.

Essa definio completa-se ao considerar o discurso como um conjunto de enunciados que se apiam na mesma formao discursiva, constitudo de um nmero de enunciados para os quais se podem definir condies de existncia. O conceito de discurso, compreendendo um conjunto de enunciados que ocorrem como performances verbais em funo enunciativa, apresentado considerando a idia de prticas discursivas. Assim, amparado por esse modo de analisar os enunciados, considerando-os instveis, reconhece-os como objeto de luta, regulados por uma ordem do dizvel, definida no interior de lutas polticas.

Ao propor uma explanao do conceito de enunciado, Foucault diz que:. Em outras palavras, uma mesma proposio, em sua forma material, pode conportar mais de um significao e definir enunciados diferentes no que concerne funo enunciativa desempenhada, pois a materialidade de um proposio a base significatica comum.

Por isso, Foucault define a materialidade como uma propriedade do enunciado e no como o enunciado produto da interveno verbal. Ao investigar a materialidade discursiva das msicas, percebe-se que para a maioria das pessoas uma forma de expressar sentimentos, desejos, frustraes, conceito que no est muito longe da realidade, pois durante muito tempo ela foi utilizada como forma de abrir os olhos da humanidade para as questes que afligiam o mundo, como a guerra, a opresso, enfim a discriminao.

Partindo do pressuposto de Orlandi de que. Para Foucault, o importante a anlise das relaes entre os enunciados num domnio de coexistncia, pensando na existncia da palavra como efeito de saberes postos em circulao numa dada poca, possibilitando o entendimento de como se formam os saberes que do emergncia a esses trajetos tericos que chegam a engendrar qualquer outra coisa.

Dentro dos postulados da AD Francesa, cada sujeito, na produo de um discurso, promove uma relao deste discurso em formulao com o interdiscurso ou memria discursiva, ou seja, com todos os dizeres que j foram de fato, ditos. Pcheux afirma que:. Em outras palavras, na memria discursiva que surge a possibilidade de toda formao discursiva produzir e operar formulaes anteriores, que j foram feitas, que j foram enunciadas. Ou seja, a memria discursiva permitir na infinita rede de formulaes existente no intradiscurso de uma formao discursiva o aparecimento, a rejeio ou a transformao de enunciados que pertencem a formaes discursivas posicionadas historicamente.

Nesse sentido, Orlandi explica que o conceito de interdiscurso de Pcheux possibilita-nos compreender que as pessoas esto vinculadas a esse saber. Segundo essa autora, a memria discursiva est articulada ao complexo de formaes ideolgicas. Nesse processo discursivo, segundo Pcheux, os enunciados produzidos em outro perodo da histria podem ser atualizados no novo discurso ou rejeitados mais tarde em novos contextos discursivos.

A partir da memria discursiva, os enunciados pr-construdos podem ser operados na formao discursiva de cada sujeito que, ao produzir novos discursos, constitui relaes com o que j foi dito, ou seja, com sua memria discursiva. O funcionamento da linguagem assenta-se na tenso entre processos parafrsticos e processos polissmicos.

Vale salientar que. Os processos parafrsticos so aqueles pelos quais em todo dizer h sempre algo que se mantm, isto , o dizvel, a memria. A parfrase representa assim, o retorno aos mesmos espaos do dizer.

Produzem-se diferentes formulaes do mesmo dizer sedimentado. Nesse processo discursivo, segundo Pcheux, os enunciados produzidos em outro perodo da histria podem ser atualizados no novo discurso ou rejeitados mais tarde em novos contextos discursivos.

A partir da memria discursiva, os enunciados pr-construdos podem ser operados na formao discursiva de cada sujeito que, ao produzir novos discursos, constitui relaes com o que j foi dito, ou seja, com sua memria discursiva. O funcionamento da linguagem assenta-se na tenso entre processos parafrsticos e processos polissmicos. Vale salientar que. Os processos parafrsticos so aqueles pelos quais em todo dizer h sempre algo que se mantm, isto , o dizvel, a memria.

A parfrase representa assim, o retorno aos mesmos espaos do dizer. Produzem-se diferentes formulaes do mesmo dizer sedimentado. A parfrase esta do lado da estabilizao. Ao passo que, na polissemia, o que temos deslocamento, ruptura de processos de significao. Ela joga com o equivoco. O primeiro procedimento apresenta-se como indispensvel na AD, uma vez que todo o dizer vai se estruturando a partir de famlias parafrsticas, as quais do continuidade ao sentido formado durante a histria do indivduo ou da sociedade.

Sobre esse processo, Pcheux escreve que a produo do sentido estritamente indissocivel da relao de parfrase e que a famlia parafrstica de um determinado corpus constitui o que poderia chamar de matriz de sentido.

Em uma ltima inferncia importante ressaltar que estes dispositivos analticos, so imprescindveis realizao da AD, constituindo-se, portanto, em um desafio para aqueles que desejam apreender o processo de realizao deste tipo de anlise, j que fazem com que todo sentido se manifeste na relao existente entre o significado e o significante sempre produzindo prticas com sentido.

Ainda, a utilizao desses dispositivos pode colaborar na compreenso de fenmenos discursivos que interessam comunicao e msica, permitindo que novos modos de se pesquisar se concretizem e que intervenes propcias possam ser implementadas no mbito assistencial. Os sentidos e significados dados s letras das msicas podem ser representados a partir do levantamento dos enunciados que expressam discursos referentes valorizao tnica e de combate ao preconceito racial.

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Nesse sentido, a memria recria discursivamente sentidos que dialogam com a produo dos acontecimentos ocorridos no passado atravs da referncia a fatos histricos.

Pode ser considerada ainda como o saber discursivo que torna possvel todo dizer e que retorna sob a forma do pr-construdo, o j dito que est na base do dizvel, sustentando cada tomada da palavra ORLANDI, , p. J as condies sociais de produo referem-se ao contexto histrico em que a msica foi produzida, a dcada de Todas influenciam na produo de sentido da msica. Os enunciados transcritos das letras das msicas da banda Reflexus possuem uma relao estreita com uma srie de formulaes com as quais ele coexiste.

Alm disso, so constitudos por formaes discursivas que condicionam os sujeitos por uma determinada ideologia regulando aquilo que podem ou no dizer em determinadas conjunturas histrico-sociais. So construdos a partir de uma memria discursiva que remete a smbolos da cultura, como tambm a fatos histricos j ocorridos. Partindo do pressuposto de Pcheux, de que o discurso sempre produzido por sujeitos scio-historicamente determinados e, por isso, condicionado a regras que regulam as prticas discursivas, as quais determinam as condies de exerccio da funo enunciativa A AD possibilitar uma investigao minuciosa dos enunciados, a fim de entender os acontecimentos discursivos que possibilitaram o.

Os enunciados foram categorizados de acordo com o pressuposto de que as msicas demonstram uma expressiva evidncia de resistncia e valorizao da negritude, ambas relacionadas a elementos culturais. Assim sendo, os enunciados foram classificados em duas categorias: os que remetem resistncia e luta contra o racismo e valorizao da negritude.

Em um universo aproximado de 75 msicas, estas foram retiradas de acordo com a aproximao do tema que aborda a questo do negro, como tambm, pelo fato de que todas elas renem elementos bem representativos que abordam as duas temticas centrais - a valorizao da negritude e a resistncia contra o preconceito racial, estas esto presentes em todo o universo.

Contudo, estes elementos aparecem de forma mais emblemtica e com maior freqncia nas msicas que sero aqui analisadas. Isso s para fins de organizao e como guia de percurso para facilitar o encaminhamento da anlise das letras.

Alm do mais, as categorias no so isoladas. Apesar dos enunciados serem subdivididos nessas duas categorias distintas, muitos deles se relacionam de forma simultnea com as duas, no entanto, para fins de anlise foi proposta a categorizao a partir da identificao de enunciados com sentido, remetendo-se de modo mais emblemtico, ora a uma, ora a outra categoria. Com intuito de estabelecer uma coerncia na anlise foram escolhidos trs enunciados, os quais representam de modo mais marcante as categorias.

Os enunciados sero representados uniformemente atravs das marcas: E. Madagascar Olodum. In: Reflexus da Me Africa. Emi, Chicote No. In: Serpente Negra. Faixa 3. A f da razo. In: Atlntida. Faixa 7. Inicialmente pode-se observar que toda a composio dos dois enunciados foi construda utilizando-se de um passado histrico. A representatividade do Pelourinho, centro histrico da cidade de Salvador e patrimnio histrico da humanidade, apresentada na letra da msica de forma marcante, como Palco da vida e negras verdades, ou seja, considerado histrico por que representa a origem dos negros que aqui foram escravizados.

Porm, no segundo enunciado o termo pelourinho vem com outro significado, era utilizado para nomear uma coluna de madeira ou pedra erguida em praa pblica para castigar criminosos e escravos, servindo tambm como smbolo do poder pblico.

O pelourinho segundo Tavares. Tem-se a uma formao discursiva baseada em fatores simblicos que referem-se a fatores scio-histricos e ideolgicos.

No trecho, Protestos, manifestaes - Faz o Olodum contra o Apartheid, alm da formao discursiva de resistncia ser baseada em uma memria discursiva, considerada aqui como o que j foi dito, que remete a poltica de segregao do Apartheid6.

Os enunciados incentivam ainda a luta pela emancipao do negro e do reconhecimento e sobrevivncia da cultura e da tradio afro-brasileira. Neste trecho pode-se perceber ainda a presena do componente ideolgico nos elementos musicais, os quais fazem com que o sujeito dessa prtica discursiva seja interpolado pela historia e pela prpria ideologia ORLANDI, Na categoria 2, os enunciados so baseados em discursos provenientes de uma mentalidade anti -racista representada por meio da resistncia e de elementos culturais como a dana e a msica.

Valoriza os negros atravs de adjetivos e locues adjetivas cor mais linda O negro lindo, uma ostensidade e da referncia a escravido, mostrar que esse passado foi superado, tornando necessrio uma nova prtica social que alm de respeitar a origem, reconhea-os como formadores da cultura da nao. A partir disso, a formao discursiva que rege esses discursos de suma importncia, pois admite apreender o processo de produo dos sentidos e significados, dados aos prprios discursos, bem como a sua relao com uma determinada situao scio-histrica, que determina o que pode ser dito e o que deve ser dito.

A polissemia caracterizada pela emergncia do diferente e da multiplicidade de sentidos de valorizao e resistncia no discurso, tornando sua presena marcante e obrigatria nas mudanas que a sociedade construiu, e pode ser percebida em diferentes situaes de discursividade ao longo da histria do negro. O discurso de resistncia aparece nas letras das msicas da banda Reflexus por meios de representaes histrico-culturais que remetem a uma ancestralidade baseada na religio e em fatos histricos j ocorridos, ou seja, na memria discursiva, que nesse sentido pode ser entendida como as experincias passadas, retomando os sentidos j ditos em algum momento anterior, produzindo dessa forma um efeito no discurso da fala corrente, ou seja, o j-dito possui uma relao com o que se est dizendo ORLANDI, Os fatos histricos mencionados possuem.

Isso pode ser observado com mais clareza nos enunciados abaixo:. No incio da dcada de 80, o pas atravessava uma forte crise econmica, e o Estado brasileiro que mais se destacou nesse cenrio foi o Nordeste que passava por uma situao de fome e misria, at ento imensurvel. No interessante observar apenas o contexto em que vivemos para tentar entende-las em sua totalidade, mas retroceder um pouco na histria em uma relao dialtica com o presente, para assim compreender melhor como se formaram os processos que afirmaram as classes e posies sociais brasileiras, ou seja, os exclusos e os inclusos na nossa sociedade atual.

O que bem visvel, e no foge da temtica, que realmente havia uma classe excluda naquela sociedade, remanescentes principalmente, do processo de abolio. As foras de Olorum. Som Livre, Outra forma de marginalizao dos negros no Brasil se manifestou por meio da segregao espacial. Alguns estudos como o de Edward Telles , na obra Racismo Brasileira mostram que, os lugares em que se encontra o maior nmero da populao negra so consequentemente os mais pobres.

Sendo assim, um dos meios estratgicos que essa populao encontra para rejeitar tal estado de excluso o deslocamento espacial. A pobreza, o subdesenvolvimento, a falta de oportunidades os legados do Imprio, em toda parte podem forar as pessoas a migrar, o que causa o espalhamento Hall, , p. A aluso a escravatura aparece tambm com muita freqncia nas letras das msicas, ressaltando a presena do negro escravizado na criao do progresso dos imprios, denunciando dessa forma, a situao em que os negros eram submetidos naquela poca, como mostrado nos enunciados abaixo, os quais fazem referncia a uma memria discursiva que possibilita um saber perpetuado atravs do sentido das palavras dado ao perodo escravocrata.

A escravido no Brasil durou cerca de anos, sendo o ltimo pas a abolir este sistema que se apropriava da mo-de-obra cativa advinda do continente 9. Serpente Negra. Faixa 1. Diferentemente do ndio, o negro era traficado e chegava ao Brasil "despossudos" de sua humanidade. O Negro no era nem trabalhador, nem vadio: era escravo. Ao escravo no era possibilitado o "entrar e sair" do mundo do conquistado; ele nascia escravo e se formava dentro desse mundo ao ser embarcado nos navios do trfico na costa africana.

A representao de "coisa", como construo dos traficantes e dos senhores no engenho, no possibilitava transitar entre dois mundos [ Em outras palavras, os escravos no eram reconhecidos enquanto cidados e pessoas, sendo visto pela sociedade da poca como "coisa", mercadora, objeto, passvel de compra e venda.

Os autores das letras das msicas, fez questo de ressaltar que esse processo de escravido no foi o bastante para conter a fora e garra do negro que representa a face da terra: E. Ela construiu futuramente uma classe marginalizada vtima de preconceitos e excluso. Mesmo aps alforriados os negros escravos no tinham direitos de representatividade poltica, ou seja, no exerciam papel de cidados comuns.

Os afro-descendentes nasciam tambm nessa condio, assim no eram ingnuos e O que se pode observar que de um modo ou de outro, a figura do negro sempre desprezada, e seus descendentes sofrem descriminaes que se amontoam at hoje.

O principal sentido dado a esses enunciados remetem a uma formao discursiva baseada em razes negras. Ao denunciar a escravido, almejam a abolio que foi proclamada a partir da assinatura da Lei urea e conseqentemente uma possvel igualdade entre as raas.

Os negros alcanaram a liberdade, mas no obtiveram direitos. No foi dado a eles o direito terra, educao e nem sequer ao trabalho remunerado. Com a abolio, as oligarquias da poca se sentiram ameaadas, afinal, o pas j era de maioria negra. Porm, uma maioria que compunha as classes mais baixas.

Assim, a arma encontrada pelos escravocratas foi fortalecer o racismo. De dominados os negros passaram a excludos. Situao que permanece at os dias de hoje. A situao social em que viviam na poca da escravido foi muito questionada por figuras histricas, como o exemplo abaixo:. A figura de Zumbi dos Palmares hoje o cone maior dos movimentos de valorizao da cultura negra, visto como um heri que conseguiu alimentar o sonho de liberdade.

A partir de uma anlise minuciosa desses enunciados perceptvel que a evocao da ancestralidade, fortalece ainda mais o discurso de resistncia, mostrando que a morte de seus antepassados no perdeu significado. Kizomba, festa da Raa. In: Bahia de Todos os Sons. Incentivando os jovens negros a assumirem o passado e lutar por um fortalecimento tnico, visando superao da escravido e a construo de um futuro MATOS, A representao histrica feita atravs de formaes discursivas e ideolgicas dos enunciados abaixo comprova a construo de uma identidade afro-brasileira, resgatada atravs da memria discursiva do povo africano.

As manifestaes populares eram um espao de suporte para as identidades ideolgicas, aliceradas na ancestralidade africana e afro-brasileira, que vo alm da expresso corporal e conseguem reforar o senso coletivo dos descendentes de escravos. Os grandes imprios africanos so destacados com suas caractersticas singulares, como tambm o movimento de islamizao no sculo XI e o do rastafarianismo 15 no sculo XIX: E. Tambm conhecido como rastafri um movimento religioso que surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponesa afro-descendentes em meados dos anos 20, iniciado por uma interpretao da profecia bblica baseada pelo status do Imperador Etiops como o nico monarca africano.

Alguns historiadores, afirmam que o movimento surgiu, e teve posteriormente adeso, por conta da explorao que sofria o povo jamaicano, o que favorece o surgimento de idias religiosas e lderes messinicos. Canto para o Senegal. In: Reflexus da Me frica. EMI, Faixa 6. O primeiro contato dos brasileiros com a cultura islmica foi por intermdio de escravos africanos muulmanos, estes, oriundos principalmente da Sria e do Lbano, tinham principalmente formao crist. O Islamismo teve papel muito importante na "aglutinao e resistncia" dos negros feitos escravos no Brasil.

Esse Islamismo, que, j na frica, como vimos, no era exatamente o mesmo da Arbia, no Brasil sofreu, claro, ainda outras influncias, recebendo os nomes de 'religio dos alufs', e culto 'mussurumin', 'muulmi' ou 'mal' nomes estes pelos quais eram genericamente conhecidos os negros islamizados.

E foi esse Islamismo que criou a mtica do negro altivo, insolente, insubmisso e revoltoso Os negros adeptos do Islamismo comearam a chegar ao pas a partir do sculo XVIII e foram deslocados principalmente para o Nordeste, em especial a Bahia onde mais tarde, em , seriam responsveis pelo episdio conhecido como Revolta dos Mals, movimento organizado por negros cultos, alfabetizados e viviam agrupados na capital, Salvador, e no Recncavo. Esse movimento foi de reconhecida importncia para os negros na Bahia e no Brasil, esse pode ter sido um dos motivos que fizeram a banda utilizar esses fatos histricos a fim de representar e valorizar a comunidade negra, atravs de recursos discursivos ajustados principalmente pela memria discursiva desses fatos.

Para fortalecer o discurso utiliza smbolos como o Baobs, rvore que representa a nao de Madagascar e o emblema nacional senegals. Considerando que a discursividade um acontecimento que ocorre no interior de um discurso em relao com outros discursos, com os quais estabelece correlaes e deslocamentos, na qual as redes de memrias produzem os sentidos em um dado momento histrico PECHUX, Pode-se dizer que essa interdiscursividade, ocorre de forma marcante e com freqncia nas letras das msicas remetendo-se ao Apartheid, como tambm a figura de Nelson Mandela e do arcebispo Desmond Tutu.

Para MAGNOLI , o Apartheid que quer dizer separao na lngua africner24 foi um regime de discriminao racial que vigorou na frica do Sul ligado principalmente poltica do pas, a qual inclua artigos onde era clara a discriminao racial entre os cidados, mesmo os negros sendo maioria na populao.

Atingia a habitao, o emprego, a educao e os servios pblicos, pois os negros no podiam ser proprietrios de terras, no tinham direito de participao na poltica e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos ZULU, Rey. Libertem Mandela. Os casamentos e relaes sexuais entre pessoas de raas diferentes eram ilegais. Para lutar contra essas injustias, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano - CNA, uma organizao negra clandestina, que tinha como lder Nelson Mandela, que mais tarde foi condenado a priso perptua sendo libertado apenas na dcada de 90 quando foram realizadas as primeiras eleies multirraciais elegendo Mandela para a presidncia da republica, da em diante, uma nova Constituio no-racial passou a vigorar, com o desafio de transformar o pas numa nao mais humana e com melhores condies de vida para a maioria da populao PEREIRA, Na entrevista realizada com o ex-cantor e compositor da banda Reflexus Marcos de Almeida possvel perceber por meio de sua fala a influncia das condies sociais de produo na composio das letras das msicas.

Claro que no tenho a pretenso de achar que foi a "nossa" msica que o libertou, mas acredito em energia positiva e gosto de pensar que de alguma forma posso ter contribudo para a sua libertao.

Desmond foi consagrado com o Prmio Nobel da Paz por ter lutado contra o Apartheid em seu pas natal. GIL, Gilberto.

Faixa 2. Salve a batina do bispo Tutu Salve a batina do bispo Tutu Oh, Deus do cu da frica do Sul Do cu azul da frica do Sul Tornai vermelho todo sangue azul Tornai vermelho todo sangue azul J que o vermelho tem sido Todo sangue derramado Todo corpo, todo irmo Chicoteado, i Sabei que o papa j pediu perdo Sabei que o papa j pediu perdo Varrei do mapa toda escravido Varrei do mapa toda escravido.

A expresso sangue azul foi utilizada por muito tempo para caracterizar as famlias nobres europias, as quais se consideravam superiores e desfrutavam de grandes benefcios. Da o desejo de transformar todo sangue vermelho em azul para que todos tivessem os mesmos direitos e oportunidades.

Pode-se inferir que a existiu uma apropriao social dos discursos que para Foucault , um sistema educacional, espao onde os indivduos tm acesso a muitos discursos e de maneira poltica mantm-se e modifica-se essa apropriao dos discursos, com os saberes e poderes que eles trazem consigo, ou seja, uma ritualizao da palavra, uma qualificao e uma fixao dos papis para os sujeitos que falam. Por muito tempo foi aceitvel o lugar de desvantagem em que o negro ocupou na sociedade em relao ao branco.

Para desmistificar esse histrico de sofrimento, retomam ao prprio passado de uma forma que utiliza elementos culturais e ancestrais para representar a unio entre diversas raas, com intuito de mostrar.

A partir disso, pode-se fazer um paralelo com Munanga , o qual afirma que os negros devem se unir e exercer essa unio por meio da compreenso das heterogeneidades imbudas na negritude. Tal posio fundamentada na diversidade de grupos tnicos que vieram para as terras brasileiras, o que resultou na diversificao dos signos culturais. Havia no sculo XVI no Brasil uma rica reconstituio das culturas existentes na frica e ainda hoje Canto a Nigria. Obatal na mitologia yoruba, o criador do mundo.

Para Hall , p. No obstante, como prtica discursiva o racismo possui uma lgica prpria, tentando justificar as diferenas sociais e culturais que legitimam a excluso racial em termos de distines biolgicas. Neste discurso, determinadas caractersticas construdas sociais e historicamente, permeadas por relaes de poder e subordinao, so legitimadas como naturais e inatas, criando todos os esteretipos atribudos s minorias HALL, Comungando com as mesmas idias, Munanga menciona: [ Enquanto isso, a utilizao do termo negro, piv de batalhas discursivas intertnicas, foi resultado do discurso como prtica ideolgica e poltica, no sentido definido por FOUCAULT , como aquele discurso que trabalha para o poder, como tambm, para os que fazem do discurso a prpria arma de poder conduzindo dessa forma os sujeitos entre as relaes existentes de poder.

Canto Para O Senegal

O discurso como prtica ideolgica constitui-se como defensor de um determinado grupo em detrimento de outro, manifestando como objeto de desejo. Nos enunciados que se seguem a presena do sujeito discursivo observado por meio da linguagem empregada e da presena da polifonia. Esse sujeito representado a partir de duas vertentes - as afirmaes caractersticas da voz simples como Eu tenho kel, sua sina, ao mesmo tempo em que se tem a voz erudita em expresses como Icgnita do escuro Melodia primitiva, por essncia.

Essas vozes so constitudas pelo sujeito enunciador, que idealiza ser dono do seu prprio dizer, contudo composto por diferentes vozes membro de sua formao. Por conseguinte, temos um sujeito heterogneo e no individual. A redemocratizao brasileira ocorrida na dcada de 80 foi um perodo em que se pde perceber o desfrute, por partes de alguns indivduos, de alguns direitos Aproveitando esse contexto social em que surgiram diversos movimentos de combate a discriminao racial, entre eles o MNU, a banda Reflexus usufruiu das condies sociais de produo desses discursos, que para Orlandi , compreende a relao entre situao e sujeito, para por em contenda algumas questes que surgiam dos mais diversos setores, e que desqualificava os debates sobre a democratizao das oportunidades de acesso, minimizando a questo das desigualdades tnico-raciais, numa demonstrao de que no se reconhecem o sistema escravista e suas consequncias, como injustias cometidas contra a populao negra ao longo da formao do pas MATTOS, Esse legado histrico pode at no ter sido reconhecido como propulsor das desigualdades raciais, por muitos na sociedade.

Todavia, no se pode generalizar essa afirmao, pois a partir dos enunciados que se seguem, fica visvel que o discurso da banda Reflexus alm de reconhecer a herana deixada pela escravido, torna essa prtica discursiva, oriunda de tais acontecimentos histricos FOUCAULT, , indispensveis para o reconhecimento do preconceito como instrumento ideolgico de poder na luta contra o racismo, buscando de tal modo a valorizao cultural negra.

Tal sujeito insere-se como negro defensor da causa negra, visto que todo o seu discurso se constri em oposio a um determinado discurso que tem como uma de suas caractersticas a concepo de superioridade da raa branca. Acreditando que a banda utilizou-se de diferenciadas formas simblicas para representar a cultura negra, com propostas de resgatar a auto-estima dessa populao atravs da retratao de aspectos culturais e polticos das naes africanas, pode-se pensar que a justificativa para esta representao, se deu devido ao fato, de que, a sociedade brasileira tentou ignorar os efeitos que a escravido teve, tanto para o territrio brasileiro, quanto para a populao negra, permitindo ento, uma invisibilidade do processo histrico.

Na primeira acepo a representao o instrumento de um conhecimento imediato que revela um objeto ausente, substituindo por uma "imagem" capaz de traz-lo a memria e "pinta-lo" tal como [ Assim desviada, a representao transforma-se em mquina de fabricar respeito e submisso [ A representao nesse sentido torna-se fator importante na luta pelo reconhecimento da identidade negra como fator crucial na construo scio-histrica brasileira, visto como para Hall , as representaes e as identidades so construdas dentro do discurso.

Alm disso, elas emergem no interior de modalidades especficas de poder e so assim mais o produto da marcao da diferena e da excluso do que o signo de uma unidade idntica, naturalmente constitudas, de uma identidade em seu significado tradicional isto , uma mesmidade que tudo inclui, uma identidade sem costuras, sem diferenciao interna HALL, , pg.

Esse fator pode ser percebido de forma clara a partir da anlise do E. Esse discurso identitrio estruturou-se a partir de famlias parafrsticas, as quais deram continuidade ao sentido desse discurso durante o processo histrico do negro no pas. Canto da cor. In: Kabissele. Nomeada a Ode caador E. Em sntese, podemos dizer que temos um sujeito enunciador com uma formao discursiva contestatria, correspondente a sua formao ideolgica de defensor da causa dos negros, e determinada tambm por fatores histricos, sociais e ideolgicos.

Nas letras das msicas da banda Reflexus possvel perceber a utilizao de discursos que so elaborados a partir da valorizao da negritude. Os enunciados que seguem abaixo so fortemente representativos, A presena da questo da esttica tambm muito forte. Pode-se ressaltar, portanto, que a esttica da negritude teve na Europa as origens de sua desvalorizao, durante o processo de colonizao quando classificaram outras culturas como inferiores a sua.

Por um longo tempo os padres estticos africanos foram tidos como inferiores. Sob esse prisma, Joel Zito Arajo questiona os esteretipos sobre o negro e a esttica racista da telenovela brasileira. Assim sendo, a banda Reflexus, utilizando-se de uma memria discursiva, tentou compensar esse passado histrico de desvalorizao, atravs das letras das msicas, que pode ser observado nos enunciados a seguir:.

Outra caracterstica encontrada nos enunciados exaltao, feita atravs da representao de grupos musicais que divulgam a cultura negra: E. Atravs desses discursos, percebe-se ainda um forte desejo de liberdade para a etnia negra, liberdade esta que foi dada parcialmente, atravs da abolio da escravatura. Nesse contexto, as condies sociais de produo que, para Pechux , so um fator determinante na produo do discurso, favoreceram uma prtica discursiva na dcada de , que remete complexidade das relaes existentes entre os diversos discursos da negritude encontrados nas letras das msicas.

Falando sobre a expressiva valorizao do negro atravs da msica a excantora Marinez de Jesus afirma que essa expressiva utilizao pode ter ocorrido:. Talvez por ser a raa que sofra mais discriminao.

Embora buscssemos uma forma de denunciar toda forma de desumanidade, usando a msica, que um divisor de guas! JESUS, A partir da anlise das locues ostentao, pichado e exposio, inseridas no enunciado abaixo, observa-se uma aproximidade desses termos que poderamos justificar por meio da relao interdiscursiva dessas formaes ORLANDI, Ambas contribuem para recriar, ao mesmo tempo, um efeito de valorizao e de resistncia no discurso.

Observa-se ainda que os trs termos Grupo cultural afro baiano que tem o objetivo de preservar, valorizar e expandir a cultura afrobrasileira. Desde que foi fundado vem homenageando os pases, naes e culturas africanas e as revoltas negras brasileiras que contriburam fortemente para o processo de fortalecimento da identidade tnica e da auto-estima do negro brasileiro, tornando populares os temas da histria africana vinculando-os com a histria do negro no Brasil, construindo um mesmo passado, uma linha histrica da negritude.

Olodum atualmente um grupo cultural que desenvolve aes de combate discriminao social e racial, defende e luta para assegurar os direitos civis e humanos das pessoas marginalizadas, na Bahia e no Brasil. Conforme assinalado nas escritas anteriores, a concepo de ideologia pecheuxtiana parte de um consenso de que esse conceito definia-se como uma forma de interpretao da realidade social.

Isso pode ser observado no enunciado que segue:. As postulaes de Pcheux permite olhar para o discurso do enunciado de forma a identificar na sua argumentao traos de uma formao ideolgica por meio de uma serie de deslizamentos que marcam o funcionamento das formaes discursivas. Observando mais criteriosamente o discurso, por tais evidncias, marcado pela contradio, pela fragmentao e pela heterogeneidade, uma vez que totaliza uma disperso, mas cuja inscrio histrica define a regularidade enunciativa, uma vez que na relao do discurso com as condies histricas que o sentido se revela.

Na construo do sentido desse enunciado, h o lugar da ideologia com instauradora da significao. Este trabalho est inscrito em um campo terico que trabalha com a lngua ligada produo de sentidos e histria, dos sujeitos e do dizer. Tornando, portanto, as condies sociais de produo, condio para que o analista seja orientado na teoria discursiva. Nas palavras de Orlandi,. Pensamos a tarefa do analista de discurso como sendo a da construo de um dispositivo terico que leve o sujeito compreenso do discurso, ou seja, elaborao de sua relao com os sentidos, desnaturalizando-os e desautomatizando-os na relao com a lngua, consigo mesmo e com a histria.

SENEGAL PARA BANDA REFLEXUS CANTO O BAIXAR

Nessa proposta terica o sujeito, estando exposto ideologia, constri um saber que no ensinado, mas que est em andamento e que produz seus efeitos, tornando as condies de produo imprescindveis e determinantes para a produo do conhecimento e para a constituio do sujeito.

A influncia das condies sociais de produo podem ser visibilizadas nos enunciados abaixo,. Olodum Ologbom. Este processo de constituio do saber e do esquecimento mostrado no enunciado por meio da exposio do sujeito s condies de produo de sentido, tanto restritas, ao contexto imediato, quanto abrangentes, das quais fazem parte o contexto social, o histrico e o ideolgico.

No enunciado que segue abaixo a memria discursiva est presente a partir da formao discursiva que remete a um passado histrico das raas que originaram a miscigenao.

Essa memria discursiva constitutiva de todo discurso, pois para que este produza sentido necessrio que ele j faa sentido, em outras palavras, que se apoie em algo j posto. A partir dessa sustentao podemos compreender qual a determinao histrica que est inerente ao discurso. Ou seja, compreender a temporalidade e os fatos que constituem a materialidade discursiva em anlise, alm da maneira como eles nos conduziro historicidade e aos possveis efeitos de sentidos.

SENEGAL O BAIXAR REFLEXUS CANTO PARA BANDA

Considerando que a AD no se reduz apenas interpretao de informao e muito menos pode ser assinalada como linear, pois busca desvendar como objetos simblicos produzem sentidos, como foi aqui analisado, e considerando o universo de significaes inserindo assim o elemento interpretativo, porm, no se atendo estritamente a ele, dado que procura lidar com seus limites sem estabelecer um sentido verdadeiro atravs da interpretao ORLANDI, Deste modo, vlido inferir que a anlise das relaes raciais no Brasil revela uma complexidade de situaes diferenciadas para a populao negra, incidindo sobre as formas pelas quais essa populao definida, nos moldes dos padres ideolgicos dominantes e tambm, nas formas pelas quais ela prpria interpreta a sua vida social.

Conclui-se, ento, que o entrelaamento entre o suporte terico, o percurso metodolgico e o constante ir e vir ao material emprico permitiu a crescente percepo da presena dos dispositivos analticos na discursividade analisada dos enunciados. Por isso, eles so utilizados para responderem s questes que motivaram o pesquisador, constituindo- se como passagens para a consecuo da anlise, atravs da superao das etapas que a caracterizam.

Tendo por base a noo de que a msica determinante na produo de sentido e um poderoso instrumento de contestao e resistncia, foram encontrados na Anlise do Discurso os pressupostos necessrios para se compreender o que as letras das msicas da banda Reflexus dizem como dizem, e os objetivos que as levam a dizer o que dizem. Ao justificar a escolha das letras das msicas da banda Reflexus de acordo com a aproximao do tema da pesquisa, procura-se identificar os recursos discursivos que fazem com que o discurso prepondere a partir de alguns elementos scio-histricos e ideolgicos.

Nessa perspectiva, considera-se a importncia do interdiscurso, ou memria discursiva, bem como as condies sociais de produo, que por meio do estabelecimento e compreenso da relao existente entre ambas, foi possvel compreender os procedimentos discursivos dos quais os autores das letras das msicas fizeram uso para elaborar os discursos.

Baseando-se em Foucault e na anlise do discurso, pode-se dizer que as linguagens musicais so frutos de foras e caractersticas prprias das pocas em que so criadas, a partir de questes sociais, culturais, econmicas, polticas e, talvez principalmente, pelo o que os sujeitos que as criam almejam com sua obra. Como Foucault aponta, o discurso de uma obra musical pode ser entendido como uma forma de organizao e representao do mundo na qual est em jogo um conjunto de foras scio-histrico-culturais aliadas formaes discursivas que constituem-na.

Por meio da memria discursiva, percebe-se que, mesmo elaborando um discurso predominantemente de valorizao e resistncia ela recriou discursivamente significados que dialogam com a produo dos acontecimentos ocorridos no passado atravs da referncia a fatos histricos ORLANDI, Aparecendo dessa forma nas letras, remetendo-se aos smbolos da ancestralidade.

Atravs das condies sociais de produo foi possvel perceber sua inferncia na composio das msicas, uma vez que o contexto da dcada de foi caracterizado por uma forte articulao dos movimentos democrticos e concomitantemente, houve uma abertura poltica e social que possibilitou em maior ou menor grau o reconhecimento e a importncia dos negros na formao do Brasil.

Aproveitando-se desse contexto a banda Reflexus construiu as letras de algumas msicas por meio de um discurso que remetia a resistncia contra o preconceito racial e a valorizao da negritude, ambos com o intuito de refutar as idias a cerca da inferioridade do negro enraizadas na sociedade. Em outras palavras a banda tentou compensar esse passado de sofrimento e desvalorizao da negritude. De modo sistemtico a proposta da pesquisa foi contemplada, bem como seus objetivos, pois no trabalho de pesquisa novos conhecimentos foram adquiridos e futuros trabalhos podero ser realizados com embasamento nesse.

Como j foi dito anteriormente, so poucas s vezes em que se pode observar questes relacionadas a populao negra sendo abordada de forma ampla, respeitando as diferenas, oferecendo alternativas de valorizao, e promovendo uma mudana na mentalidade da sociedade quanto forma de tratar questes relacionadas a essa temtica.

A questo racial exige a construo de uma nova sensibilidade e prtica poltica, capaz de alterar hbitos e valores impregnados desde a escravido na cultura e na sociedade brasileira, legitimados, sobretudo nas relaes cotidianas.

Espera-se que esse trabalho faa com que, se isso no acontea pelo menos lance as bases de sustentao para que possa acontecer quem sabe em um futuro mais prximo e possa atingir indivduos de todas as etnias e camadas sociais. Editora Pallas. Rio de Janeiro, A negao do Brasil: o negro na telenovela. As Elites de Cor numa Cidade Brasileira. Racismo, Preconceito e intolerncia. So Paulo: Atual, Constituio da Repblica Federativa do Brasil de A beira da falsia.

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