so-pretty.info

Blog da fotografia portuguesa interessada em viajar. Meu nome e Bruno e espero que voce goste do meu site

BAIXAR CD SARAVADA 2011


Download Saravada - Download de CDs - Portal Salvador Dez. SARAVADA PARQUE DE EXPOSIÇÕES DEZ - - CLICK AQUI . Banda Abala Tudo - Aovivo Cd - download at 4shared. Banda Abala Tudo - Aovivo . BAIXAR CD KARUNESH - O roteiro foi feito totalmente pela equipe da Azul Music. Tem Cds lançados no mundo todo: Uma experiência e tanto! . BAIXAR CD KARUNESH · CD SARAVADA DOWNLOAD GRATUITO · MUSICA JOGAR.

Nome: cd saravada 2011
Formato:ZIP-Arquivar
Sistemas operacionais: MacOS. iOS. Windows XP/7/10. Android.
Licença:Somente uso pessoal
Tamanho do arquivo:56.19 MB

Pela primeira vez na histria, segundo o autor, existe uma conexo entre o eu e a sociedade num crculo global. Baixar Markets Blogger de Fiji quer que você baixe arquivos sem problemas. Rio de Janeiro: Ed. O que dizes sobre isto? Como se um fosse outra face, o outro lado da moeda. Identidades so, pois, identificaes em curso. Eu: Ento Sr. Na nova reinveno da identidade cultural no h um ponto de apoio influenciado pelos pensamentos de Conscincia Negra do Movimento Negro e sim um apoio nas influncias do mercado e da prpria cultura. Segundo o autor, somos potncias individuantes que selecionam e extraem dos encontros ou relaes que estabelecemos e experimentamos singularidades. Em seguida desse pequeno dilogo marcamos a entrevista para dali a trs dias. Esse momento pode de repente tirar o foco da pesquisa ou contribuir para o que j existe de mancha negativa sobre o objeto. Os discursos de tais letras foram completamente abolidos do conjunto de composies mais comuns nos dias atuais, e o tipo de fentipo descrito, se no transposto do lugar que se encontrava neste perodo, tambm no mais hostilizado. Bad, primeiro mandamos uma equipe filmar exclusivo para nós em Bali. Edson Oliveira Nunes organizador. Mesmo as identidades aparentemente mais slidas, como a de mulher, homem, pas africano, pas latino-americano ou pas europeu, escondem negociaes de sentido, jogos de polissemia, choques de temporalidades em constante processo de transformao, responsveis em ltima instncia pela sucesso de configuraes hermenuticas que de poca para poca do corpo e vida a tais identidades. A partir desta direo, possvel tomar como objetivos nesta pesquisa, a compreenso de como o pagode baiano tem influenciado na formulao das identidades do pblico alvo atingido pelo ritmo na Cidade da Cachoeira e regio, mas ao mesmo tempo proposto tambm aqui uma compreenso a partir da subjetividade, passando pelos modos de subjetivao e a partir de Flix Guattari e Giles Deleuze: Para essa subjetividade, sem cessar de ser um canio pensante, o homem hoje adjacente a um canio que pensa por ele, a um phylum maqunico que o leva alm de seus possveis anteriores. Vamos verificar e depois te informamos. Agora se tornou comum reivindicao, principalmente dos grupos.

SARAVADA PARQUE DE EXPOSIÇÕES DEZ - - CLICK AQUI . Banda Abala Tudo - Aovivo Cd - download at 4shared. Banda Abala Tudo - Aovivo . BAIXAR CD KARUNESH - O roteiro foi feito totalmente pela equipe da Azul Music. Tem Cds lançados no mundo todo: Uma experiência e tanto! . BAIXAR CD KARUNESH · CD SARAVADA DOWNLOAD GRATUITO · MUSICA JOGAR. BAIXAR CD SARAVADA - Especial cd parangol todo. Baixar cd jonas esticado repert rio novo dezembro 2k16, baixar cd. Parangole a danca do arrocha. Clique agora para baixar e ouvir grátis A Bronkka Tour (Audio do BAIXAR CD COMPLETO O POVO GOSTA DE PAGODE Baixar; BAIXAR CD COMPLETO. Denunciar Oz Bambaz Desca Com Mao Na Cabeca Baixar; Oz Bambaz Mao Na Cabeca e Rala Baixar;

Desse ponto de vista, ser preto ou pardo9 em Cachoeira ter um p no terreiro, ou assumir ser msico de uma banda e grupo afro da cidade ou de um dos grupos de Samba de Roda.

Wesley Safadão se declara em aniversário de um ano do filho

Aspectos que podem sustentar uma importante proposio, a de que parte do pagode baiano atual trs consigo a releitura do conceito de reafricanizao10 , aquele de que trata Osmundo Pinho em o Mundo Negro: O processo de reafricanizao tornou-se elemento paradigmtico, tanto para leituras sobre as modernas culturas 9. Categorias utilizadas pelo IBGE contabilizando a soma total destes em negros. E que utilizei no questionrio aplicado para essa pesquisa. As idias centrais do conceito explicam que Salvador presenciou uma nova afirmao de identidade negra.

A formao das classes, as interaes miditicas, o papel da religio na cultura, o ativismo negro, todos estes aspectos podem ser, e tem sido, explicados em conexo a reafricanizao originria.

Embora o pagode apresente elementos reafricanizadores, no podemos definir sua configurao de forma totalizante, ou como nos moldes na dcada de setenta do sculo XX, por via dos blocos afros e afoxs de Salvador, a reafricanizao nesse novo contexto possui uma nova roupagem.

Na nova reinveno da identidade cultural no h um ponto de apoio influenciado pelos pensamentos de Conscincia Negra do Movimento Negro e sim um apoio nas influncias do mercado e da prpria cultura. Para pensar os sujeitos no pagode a partir de suas subjetividades entendemos assim como Flix Guattari que: A nica finalidade aceitvel das atividades humanas a produo de uma subjetividade que enriquea de modo contnuo sua relao com o mundo , p.

Segundo o autor, somos potncias individuantes que selecionam e extraem dos encontros ou relaes que estabelecemos e experimentamos singularidades. A prpria vida quem produz realidade e, portanto, por esta capacidade de gerar o excesso, agentes em mutao constante, tornam ao mesmo tempo possvel e necessrio novos modos de uma vida social em plena expanso.

Podemos considerar ento que as escolhas acolhidas num determinado tipo de existncia compreendida por Guattari, assim como vimos anteriormente em Foucault como modo de subjetividade possvel, e que os modos de subjetivao so de diferentes configuraes, todas produtoras de formas de vida e formas de organizao social diferentes, cabe insistir, dinmicas. A partir dessas referncias e tambm numa tentativa prpria de pensar o pagode, esboaremos nesta pesquisa um caminho terico que aliado ao trabalho etnogrfico tentar discutir questes relevantes sobre este objeto.

Vou com a inteno de me divertir e beijar na boca, eu me chupo no bar do pagode, eu namoro, s no fao sexo, que de lei isso errado.

2011 BAIXAR CD SARAVADA

Mas namorar beijar na boca adoro. Gilles Deleuze. Sobre os olhares lanados ao pagode existe polmica. Como fazer artstico ele causa controvrsia, havendo aqueles que defendem fervorosamente seu valor esttico e aqueles que o consideram como lixo cultural.

No sentido preciso de que o feminismo pressupe um sujeito a mulher que se define pela experincia da opresso masculina, ou do dano patriarcal. Portanto, expressos por discursos em defesa da mulher, ou os que pretendem representar e justificar os chamados "bons costumes", autoqualificados de cientficos, cultuados como verdades em si ou formas puras do saber, encontramos linhas que no esto ocupadas em afirmar diferenas constituintes dos seres ou ponto de vista da vida.

O que encontramos alm de ideias conectadas ao racialismo dos sculos passados a organizao de pontos de vista e de leis que normatizam as condutas e levam a uma pretensa ordem universal, numa palavra, tudo o que constitui a atitude moral na relao do indivduo com a sociedade. A primeira coisa importante em ressaltar que o pagode constitui um universo complexo e plural, onde operam ambiguidades e contradies, como tambm est abarrotado de mecanismos de self, o que interessante conhecer.

Diante da austeridade das abordagens que nos referimos, o pagode retirado de sua ampla diversidade enquanto gnero musical, artstico e cultural. Alm disso, a definio das identidades tambm retirada daquela definida historicamente por um sujeito que assume diferentes identidades em diferentes momentos, o que necessariamente aponta para a fragmentao da unidade identitria assumida na modernidade.

Na maioria das classificaes feitas grosso modo, o pagode se apresenta sempre como uma mesma coisa, que produz sempre uma nica msica, de quase sempre mesmo contedo e para as mesmas finalidades. O pagode assim seria sempre uma produo: machista, comercial e de baixa qualidade musical.

Suas letras e apresentaes difamariam e explorariam o gnero feminino quando no s estariam falando sobre asneiras, criminalidade ou baixaria. Suas motivaes artsticas teriam fins meramente comerciais e suas composies musicais estariam bem de fora do que se pode eleger como "boa msica", onde ritmo, harmonia, melodia apresentam suposta qualidade esttica e sonora.

Porm no pagode que conheci em Cachoeira e Salvador os discursos percorrem tanto mensagens contra violncia as mulheres, quanto falam de sexualidade ou de consumo, de elevao da auto estima dos indivduos, dentre outras:. A Maria da Penha ta ai pra te pegar seu z man Voc que se acha o tal Quando chega em casa bate na mulher, Pois , pois eu te avisei e voc no levou f, Pois , pois com raiva chegou em casa bateu na mulher, Bateu na mulher se acha o macho, Vai descer de ralo, vai descer de ralo Durante a fase inicial o pagode concentrou as coreografias no corpo feminino, mas esta no a configurao da fase atual, na qual encontramos a prpria diversidade de gnero e de corpos.

Onde antes o espao era totalmente preenchido pela presena destes corpos femininos, as chamadas gostosonas, agora encontramos a sexualidade e sensualidade de diferentes corpos em movimento e a presena dos gneros feminino, masculino e dos viados. Alm da incluso de outros corpos, o pagode atual tambm deixa para trs alguns preconceitos relacionados ao perfil esttico, determinados estigmas antes encontrados em algumas letras que reforavam padres de beleza enquanto rebaixavam certos fentipos.

Em letras como Uva e Vaza Canho, ambas dos anos , podemos visualizar do que se fala: Com a vida de maresia no sabia o que fazer J que no tinha dinheiro Emprego acabo de perder Mas com a cara de pau nisso assim eu sou legal Levo a vida na esportiva Levo tudo na moral E que toda essa histria partiu de um brincadeira Resolvi dar um "rol" No buzu vou na trazeira Parou no ponto, abriu a porta num instante me liguei E quando olhei pra frente Foi a que me assustei Eu dei de cara com baleia e sem pensar logo gritei.

Uva , uva Olha que uva, uva, olha que uva, uva Duzentos quilos e cinquenta eram s de peitoral Bumbum arrastando no cho E uma fazenda de cacau Essa menina no se enxerga cheia de pose e moral Se paramos pra observar um verdadeiro baixo astral No leve isso como ofensa em voc s vou de uva Agora cante o seu refro pois voc uma uva Uva , uva Olha que uva, uva, olha que uva, uva. Eu conheci uma menina na Internet Ela me disse que era um verdadeiro avio Eu marquei um encontro com ela na avenida sete.

Os discursos de tais letras foram completamente abolidos do conjunto de composies mais comuns nos dias atuais, e o tipo de fentipo descrito, se no transposto do lugar que se encontrava neste perodo, tambm no mais hostilizado. O corpo, agora mltiplo e menos engessado nos padres de dcadas atrs terreno mximo para todos os gneros envolvidos, embora o tipo de dana possa algumas vezes mudar em relao a cada corpo.

Atravs da dana o pagodo uma fantstica manifestao das possibilidades expressivas do corpo. Podem-se encontrar facilmente conexes com a maioria das danas pertencentes ao conjunto da cultura negra produzida na dispora. So muitas as coreografias e bastante intensa a maneira como se improvisa e se cria initerruptamente enquanto incorporada por aqueles que.

As coreografias, movimentos e performances podem variar de acordo a vertente musical: pagofunk, groove arrastado, pagoarrocha etc.. Alguns movimentos so especficos para todos os gneros e se repetem mesmo quando se muda a msica, como passos bsicos, assim como existe no break do Hip Hop ou no passinho do Funk.

Esses passos so marcadores do ritmo e a partir dele pode se explorar outros movimentos. O pagode no mais e nem apenas o pagode conhecido pelo Grupo o Tchan, Companhia do Pagode etc nos anos 90, onde a dana era protagonizada pelo corpo feminino e sua erotizao. Pode acompanhar determinada letra ou no, comunicando a partir dos gestos a mensagem cantada, sendo estas performances uma espcie de cnone do pagodo.

Neste caso especfico algo precisa ser tambm desmitificado, retirado de uma interpretao bastante conhecida e cristalizada. Primeiro, se o sexo tema recorrente no pagode, seja nas suas letras, seja nas suas performances, antes de qualquer coisa o que pagode est dizendo que o sexo matria prima, ou seja, assunto recorrente na vida e da prpria vida.

Se por um lado muitas das afirmaes despejadas sobre ele o acusam de produzir baixaria e banalizao do sexo, por outro, encontramos na raiz destas afirmaes a moral que considera o prprio sexo como baixaria e como banal, sendo, portanto uma dimenso considervel ao pensarmos estas acusaes.

Foucault, na Histria da Sexualidade nos aponta brilhantemente o problema: Dai, enfim, o fato de o ponto importante no ser determinar-se essas produes discursivas e esses efeitos de poder levam a formular a verdade do sexo ou, ao contrrio, mentiras destinadas a ocult- los, mas revelar a vontade de saber que lhe serve ao mesmo tempo de suporte e instrumento.

Neste caso, no divergiria nenhum grande especialista da dana, que o mais interessante neste terreno as suas mltiplas possibilidades, suas infinitas chances de explorar o.

Martha Graham11 declarou certa vez em uma entrevista sobre o movimento que expressa emoes, boas ou ruins, o que provocou muitas vezes sua incompreenso diante do mundo da dana: No quero que sejam entendidos, eu quero que sejam sentidos. Dessa forma, ao mesmo tempo em que uma performance possa parecer ertica ou sexualmente apelativa demais para um contexto pblico entendendo o espao pblico como moralmente proibitivo ao sexo , pode se enxergar e constatar outros valores e elementos, no caso os mais relacionados ao estilo prprio de cada ritmo musical.

Mas mesmo assim, se fosse o erotismo a questo elementar, no seria um equvoco dizer que de desejo que tambm esto falando, e de direitos sexuais. O erotismo gesto de corpo, a repetio do gesto do corpo. A essncia do erotismo , assim, ser a transgresso por excelncia, dado que ele resultado da atividade sexual humana enquanto prazer e, ao mesmo tempo, conscincia do interdito BATAILLE, , p.

Claro que estas observaes esto diante de problemas e questes de status amplamente complexo, e uma delas est profundamente ligado ao fato de que o pagode protagonizado pelo corpo de sujeitos negros: Deveramos ressaltar e considerar como a sexualidade tem sido questionada como uma arena de constituio da alteridade cultural, e da diferena entre nativos e civilizados.

E de como a sexualidade pode ser, assim, racializada, como um sintoma da diferena cultural, que se expressa em termos morais. PINHO, , p. A representao do negro perpassa variados arqutipos em nossa sociedade, entre eles o do negro e da negra sedutores, que se valem da sensualidade para conquistar os seus objetivos bastante difundido, alm do corpo da bicha, considerado uma aberrao social, mas no apenas isso. As regras e os cdigos de sentido comandam a interpretao que constituem o tecido das nossas sociedades e como so comunicadas, como se fossemos prisioneiros de "pr-conceitos" e de imagens que subjazem no inconsciente coletivo e que coexiste no modo de transmitir contedos.

Martha Graham foi uma danarina e coregrafa estadunidense que revolucionou a histria da dana moderna. O que aquela mulher quer que eu pense se no que ela est querendo me dar? Danando desta forma, toda arreganhada, incitando o sexo No posso pensar outra coisa, seno que ela est querendo me dar.

No necessrio argumentar sobre a natureza machista do comentrio j que to evidente. O que interessa aqui perceber o quanto as aes esto aprisionadas tanto em cadeias que rezam que toda relao social pressupe uma troca concretizada, como certificar-se de que estas cadeias determinam os significados, naturalizados e concebidos, por uma lgica no pertinente a verdade daquela ao, mais a uma verdade de poder interpretativa, colocada acima de seu significado real.

A convico de que a ao da moa que danava est ligada as pretenses elucidadas pelo rapaz que a observa de um machismo, sexismo e misoginia imenso, como pertencem ao mesmo tempo a um conjunto de poderes que existem a fim de corresponder a investimentos que o prprio rapaz requer, assim como faz a prpria sociedade para se manter coesa em relao as suas regras.

Como veremos e como j dissemos anteriormente, o pagode no produz um nico tipo de msica e contedo. A luz da idia de que toda a histria da sexualidade deve ser revista encontraremos pontos chaves para adensar a discusso. No pagode a maioria das letras parte efetivamente dos sujeitos masculinos.

So eles maioria em quase todos os lugares onde est sendo feito o pagode: empresrios, produtores, vocalistas de bandas, msicos, compositores etc.

Hoje em dia, diferente de tempos atrs, so muitos tambm no espao da dana, j que foi alterado a constituio deste espao ao longo das transformaes no pagode, como aqui mostrado. A mulher ainda muito mais requisitada para a funo de danarina, embora j se tenha mulheres atuando como vocalistas e compositoras de banda, segunda voz etc. No pblico, aquele que compreende outra dimenso no pagode sendo tambm ele Como nos casos de Clebemilton Nascimento em Pagodes Baianos: entrelaando sons, corpos e letras de No acredito ser possvel contabilizar qual gnero abrange maior ou menor apreo e presena.

No caso de constatarmos que a maior parte de letras sejam produzidas por homens, constatamos que o ponto de vista da maioria delas seja fundamentalmente masculino. Este trabalho no mergulhou na dimenso das motivaes ou de como so produzidas estas letras, o que revelaria muitas informaes as quais por enquanto permanecem ocultas.

Para isso haveria de ter uma pesquisa muito mais prxima e direcionada s bandas e aos compositores de letras. A questo da sexualidade da mulher ou mesmo do que ser mulher est longe de ser concluda.

J se sabe que o feminismo no ocidente est cheio de lacunas enquanto representao do ser feminino por inteiro : Contudo, alm das fices fundacionistas que sustentam a noo de sujeito, ao problema poltico que o feminismo encontra na suposio de que o termo mulher denote uma identidade BUTLER, , p.

As mulheres so diversas e participantes de culturas e modos de vida diferentes em todo o mundo e isto implica fundamentalmente que nem tudo que mau num momento, para um indivduo, num determinado lugar, o necessariamente se um dos elementos no encontro variar, o lugar, o tempo, o indivduo, o corpo ou a idia.

Desse modo, o que me agride num tempo ou lugar, pode me elogiar noutro tempo ou lugar, bem como o que alimento para um pode ser veneno para outro. Se partirmos objetivamente para uma letra tal, na qual seu contedo representasse algo altamente agressivo e difamador para uma determinada mulher, encontraramos na agncia de uma pagodeira um ponto de vista oposto.

A primeira letra proposta nessa sesso Presso do grupo Guig Guetho de Quando voc samba eu fico todo arrepiado Ver voc sambando eu fico louco apaixonado Vem pra c negona d pra mim essa presso e abalar meu corao. Presso vou botar presso mame refro Presso chama na presso mame Chega mais perto vem abraa no me pirraa No faz assim comigo no poderosa demais me d teso.

Na viso de Nascimento a mulher seria para o homem que a idealizou na letra uma mulher sexualmente livre, a mulher fcil, fora das normas scias, associada noo de puta, ninfomanaca, de sexualidade desregrada, que, nessa representao desejada e, ao mesmo tempo desqualificada pelo discurso masculino. Seria interessante perguntar se encontramos nos acontecimentos de maneira geral e naquilo que nos acontece algo diferente do que est determinado e determinante, j que somos capazes de experimentar por ns mesmos e apreender aquilo que constitui os acontecimentos, do mesmo modo que os constitumos?

Sendo a experincia um campo ativo, de sentido vivo, a provocao aqui est intricada na possibilidade de tais experincias e acontecimentos no estarem sempre aprisionadas nos fatos ou nas significaes dominantes do poder constitudo, na maneira como essa verdade produzida pelo poder.

Este poder ser um caminho onde a liberdade esteja no horizonte, de outro modo, as experincias estaro sempre dada no modo como o poder se apodera dos acontecimentos e lhes confere significado.

Tudo isto serve para dizer algo que no pode deixar de ser dito: a mulher no pagode ou a mulher pagodeira exerce sua agncia. Sua presena neste universo est relacionada com vrios dos fatores de que fala este trabalho, alm de se relacionar tambm em termos de sua subjetividade. Por isso a necessidade da crtica quando se pensa na mulher pagodeira para fora de sua agncia.

So muitas as armadilhas que nos reservam os valores estabelecidos pelos poderes que se descolam e se voltam contra o campo social. A mesma msica, Presso, fez parte do questionrio no quesito onde se pergunta a opinio sobre algumas letras e a respeito dessa opinio, uma mulher nos diz: A msica do pagode assim mesmo.

Fala de sexo, fala de coisas que no se fala por a, mas so coisas que a gente passa e gosta. Se no for um homem que se t interessada s cortar e pronto Mas se voc est bonitona, gostosona e pra cima, claro que vai arrepiar qualquer homem, deixar ele com teso Frequentadora do bar. O que se pe com extrema importncia em relao questo da mulher no pagode exatamente conhec-la melhor, conhecer a dimenso da sua relao neste universo, suas demandas, seus desejos, seus problemas e tantos outros aspectos de sua.

O que nos cabe antropologicamente fazer conduzir todas estas problemticas ao caminho etnogrfico para melhor conhecimento de suas singularidades, como tambm se apoiar nas mulheres que esto falando sobre si em seus diferentes lugares, alm de promover e permitir debates e estudos mais amplos e mais abertos e aqueles onde seja flexvel, sobretudo, as diferentes modalidades de agenciamentos subjetivos ainda que a investigao coletiva seja assegurada.

A outra letra escolhida para ser reanalisada Todo enfiado do grupo O Troco. Novamente Nascimento extrapola os limites entre aviltamento e liberdade das pagodeiras, gerando uma confuso ao seu leitor. Ou ser de autonomia da mulher sobre o seu corpo? O autor ento interroga -nos diversas vezes se essa mulher no mundo do pagode autnoma ou no, sendo ele mesmo confrontado por este questionamento: Tem mulher que usa "p" Tem mulher que usa "m" Tem mulher que usa "g" E a outra "GG" A piriguete anda com um fio s Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado.

Ela chega no pagode Chamando ateno Com um tomara que caia E o celular na mo As mulheres do pacote T com o bicho no cho. As mulheres do pacote To com o bicho no cho Mas essa mina t com o fio s Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado Todo enfiado.

CD SARAVADA 2011 BAIXAR

Novamente, de maneira conhecida pela histria que nos conta esses sujeitos; agora sendo encarnados nas pagodeiras os , so classificados como excessivamente sexuais, agentes do machismo e da baixaria quando so homens, agentes da subjugao, por exemplo, quando so mulheres. O machismo neste caso parece est empregado de forma totalitria atravs de uma relao dicotmica de bom e mau comportamento pertencente a um corpo de leis que ultrapassam as questes fundamentais no que tange o patriarcado, a violncia de gnero e submisso da mulher.

Parece que o juzo que determina seu carter no ambiente do pagode est ligado profundamente a como se encara a sexualidade exercida por estes sujeitos atravs de leis morais dominantes, como se a liberdade estivesse sendo assistida por fora e vigiada por dentro, relativa ao grau de liberdade que a prpria sociedade poderia suportar sem ser ameaada em sua estruturao.

No se pode negar a existncia do machismo no pagode, no isso. Nem se podem minimizar as suas consequncias enquanto esquema de poder. O machismo opera enquanto cultura no corpo da sociedade e por esta lgica existe e coexiste de maneira estrutural, sendo, portanto comum tambm aos homens e mulheres que vivenciam o pagode. O que nos interessa sinalizar que o machismo est presente em muitos outros estilos no mbito da msica, se no em todos.

Se cada estilo musical fosse analisado a partir de suas letras ou a partir das prticas de comportamento dos indivduos que os integram encontraramos o machismo operante: Podemos perceber que as msicas que so consideradas refinadas a exemplo as da MPB tambm pode ser vistas ou se representarem como opressoras, como letras que tambm sexualizam e oprimem a mulher.

Neste sentido podemos pensar que o machismo esta nas estruturas sociais que em certa medida acaba agindo atravs da msica dos diferentes tipos musicais reproduzindo assim desigualdades de gnero independente do tipo de msica. Neste sentido a primeira coisa a ponderar sobre as recentes tomadas de condenao direcionadas ao pagode em que o argumento se desenha atravs do combate ao machismo, o porqu do pagode ser alvo preponderante?

O TROCO - PUTARIA DO VERÃO

Sem esse conhecimento tudo que se lanar para compreenso destes problemas no passar de especulao e mascaramento, alm de vibrar enquanto valores de um outro, arbitrrio, e no caso, s bloquear e separar o indivduo de sua capacidade imanente de pensar e agir por ordem prpria, desqualificando seus saberes locais e singulares como meras crenas, desarticulando suas potncias autnomas que criam seus prprios modos de efetuao.

Ainda mais longe, preciso que tais pesquisas estejam pretensas a tocar mais de perto a realidade, j que essas coisas no devem separa-se: a reflexo e suas consequncias prticas, o individual e o social, o pblico e o privado. Os principais estudos sobre a musicalidade baiana e o pagode, entre os quais se destacam: Armindo Bio, Ari Lima, Osmundo Pinho, Clebemilton Nascimento, dentre outros, analisam o estilo a partir principalmente da questo racial, passando pela questo social at as anlises crticas quanto identidade, subjetividade e musicalidade, apontando a produo do pagode, aqueles que produzem e aqueles que vivenciam como sendo sujeitos afrodescendentes, oriundos das periferias urbanas em sua maioria.

Pagode13 na Bahia tem diversas conotaes. Pode ser: o local onde msicos se apresentam ao vivo, onde se execute msicas atravs de som mecnico, ou para resumir como considera Pinho em sua tese Tanto o gnero musical e comercial como o evento festivo popular. Na viso destes estudos sobre a musicalidade baiana, no seu incio, o pagode surge como um ritmo derivado do samba de roda praticado no Recncavo da Bahia: O pagode descende de uma forma muito direta de comunicao, o samba de roda, que acontecia nas praas, nos quintais, nas praias.

No meio da roda as pessoas revezavam-se a danar, enquanto outros sustentavam o ritmo nas palmas. O repertrio era composto de um sem-nmero de letras curtas, relacionadas s intensas relaes entre o Recncavo rural e a sociabilidade compartilhada atravs de temticas do cotidiano. Mas novamente Pinho considera que ele descende no s do samba de roda: Este novo pagode baiano na verdade uma transformao do partido alto carioca rebatizado de pagode pela imprensa a partir do sucesso do grupo que reinventou nos anos 80, o Fundo de Quintal hibridizado com o tradicional samba de roda ou samba duro do recncavo baiano, do qual muitas canes de domnio pblico ou muitos temas estilsticos foram transferidos para o repertrio das bandas de pagode.

Dentre os temas estilsticos copiados do samba de roda citados por Pinho podemos observar no pagode atual a similaridade de algumas letras como, por exemplo, a presena de temticas sobre a sexualidade ou de danas que provocam o corpo.

Devemos considerar o pagode um elemento da modernidade? Se no comeo ele no se apropria de noes vindas de fora e sim caractersticas musicais e culturais locais, o samba de roda e o partido alto. No busca conceitos globais para compor sua estrutura, diferente de outros estilos como o funk carioca na viso de Livio Sansone: As tradies musicais a cultura e o hbito referentes msica so receptivas a sons, estilos e letras vindos de outros lugares.

Algumas influncias de fora permanecem e conseguem modificar os estilos locais. Elementos de uma forma globalizada so o que vm tomando conta hoje, do que seriam as funes da tradio, da. Pode ser tambm um modo de gozar, tirar onda com o outro, como ouvir comumente pelas ruas de Cachoeira.

O conceito de globalizao melhor compreendido como expressando aspectos fundamentais do distanciamento entre tempo e espao. A globalizao diz respeito interseco entre presena e ausncia, ao entrelaamento de eventos e relaes sociais distncia com contextualidades locais.

O advento da modernidade extrai de ordem crescente o espao do tempo, a separao entre os dois no um movimento que ocorre de forma unilinear.

A modernidade causa um estilo de vida em que somos desprendidos dos exemplos tradicionais de ordem social. Tanto em sua extensionalidade quanto em sua intencionalidade, as transformaes envolvidas na modernidade so mais profundas que a maioria dos tipos de mudana caractersticas dos perodos precedentes GIDDENS, , p.

Existe continuidade entre os modos antecedentes e os atuais como, por exemplo, entre a tradio e modernidade as quais esto conectadas e divididas dentro de modelos encontrados na tradio que ainda so pertinentes na era moderna: a tradio um modo de integrar a monitorao da ao com a organizao tempo- espacial.

Um dos primeiros estudos sobre o pagode, identifica em sua configurao traos de uma performance, de uma relao do corpo e com o corpo, algo que se conectaria a uma ancestralidade africana, como j dissemos aqui sobre a questo da herana cultural: do Salvador e do Recncavo Baiano de folguedos populares do tipo samba de roda, onde muitas pessoas participam danando e cantando, com uma base instrumental e um espao circular definido pelos presentes performance, que se alternam individualmente ou em duplas, assumindo o centro da roda para as evolues coreogrficas, constituindo-se o desafio, a seduo e a provocao em elementos dramticos da interao.

Essa tradio do batuque africano est na origem do lundu que brilhou no teatro baiano do sculo passado e, mais remotamente, do emblema musical da cultura portuguesa contempornea, o fado. As msicas do mundo atlntico negro foram as expresses primrias da distino cultural que esta populao capturava e adaptava a suas novas circunstncias.

Ela utilizava as tradies separadas mas convergentes do mundo atlntico negro, se no para criar a si mesma de novo como conglomerado de comunidades negras, como meio para avaliar o progresso social acusado pela autocriao espontnea sedimentada pelas interminveis presses conjuntas da explorao econmica, do racismo poltico, do deslocamento e do exlio. Essa herana musical gradualmente se tornou um importante fator facilitador da transio de colonos diversos a um modo distinto de negritude vivida.

Ela foi fundamental na produo de uma constelao de posies temticas que era francamente devedora, para suas condies de possibilidade, do Caribe, dos Estados Unidos e mesmo da frica Paul Gilroy, , p. Rapaz se olhe no espelho repare o cabelo compare o nariz Sua origem frica mesmo que no queira todo mundo diz Se assuma ser nego massa Se assuma ser nego raa Passe l no il Tem um bocado igual a voc Passe la no olodum Tem um bocado igual a voc Filhos de Gandhi Tem um bocado igual a voc Tem um bocado igual a voc Se assuma ser nego massa Se assuma ser nego raa Olha que eu gosto do negro Porque o negro me lembra voc Salve os neges Rapaz se olhe no espelho repare o cabelo compare o nariz Sua origem frica mesmo que no queira todo mundo diz Se assuma ser nego massa Se assuma ser nego raa Passe l no mal Tem um bocado igual a voc.

Passe l no okamb Tem um bocado igual a voc Passe la no apache Tem um bocado igual a voc muzenza Tem um bocado igual a voc Inicio este captulo ressaltado a imensa contribuio terica que Paul Gilroy em seu livro O Atlntico Negro ofereceu para as anlises e a compreenso que proponho discutir ao abordar o pagode, e, mais especificamente a sua vertente conhecida como: pagode social, rap groovado, shake style, groove arrastado, pagode da periferia, entre outras denominaes, que aparece como um novo conceito, hibridizado por influncias e referncias de outros movimentos culturais importantes da cultura negra, no caso mais particular o Hip Hop, enquanto manifestao evidente de um discurso entrelaado s ideias de reafricanizao como tambm em forte sintonia com a histria cultural do povo negro.

O problema das origens culturais e da autenticidade para o qual esses exemplos apontam persistiu e assumiu um significado maior a medida que a cultura de massa vai adquirindo novas bases tecnolgicas e a msica negra se torna um fenmeno verdadeiramente global. Esses novos estilos resignificam as identidades e a participao da comunidade negra no processo de luta contra o racismo, o preconceito social, o entendimento e compreenso da realidade, como tambm do aparecimento de um posicionamento subjetivo empoderado, ou contrrio ao reforo dos sistemas de produo de subjetividades dominantes, alm dos desejos de transgresso s condies impositivas do lugar determinado a estarem enquanto sujeitos negros e perifricos so todos temas percebidos na elaborao desta vertente, encontrados em suas letras e performado em suas danas.

Dizendo isso, quero sinalizar para o argumento de uma fora poltica e cultural que se reinventa como linguagem exatamente na musicalidade, e isto no novidade nenhuma, pois a histria poltica e cultural do povo negro nas Amricas veio a ser protagonizada pela msica de modo muito singular e expressivo ao longo destes sculos, e foi terreno para processos muito importantes de luta, resistncia e transvalorao. Quando comumente ao se referirem ao pagode, ou a outros estilos encontrados nas entranhas da cultura popular desconfiamos ou muitas vezes afirmamos que o.

Que esto mais voltados para as distraes do mundo moderno e condenados a no compreenderem os processos intricados da realidade a que esto e impotentes para qualquer transformao. Alguns estudos acadmicos recentes afirmam esta impresso sobre o pagode, e entre a noo das classes mdias, as quais chamo de senso comum, essa ideia quase hegemnica: Na configurao dos novos grupos de pagode, verifica-se que o contra discurso das msicas dos blocos afro-carnavalescos de Salvador e o discurso de afirmao da identidade negra vai sendo substitudo por um tom mais descomprometido, marcado pela ausncia de uma reflexo politica que prevalece a descontrao, a espontaneidade e a alegria, mesmo nas letras onde a temtica central a condio social Nesse sentido o pagode despolitizado por aqueles que no enxergam os seus modos, naturalmente distintos, dos modos de se fazer poltica na esfera burguesa, ou como j mostramos anteriormente, que no reconhece a prpria diversidade nas letras de pagode, engessando-o numa nica moldura.

Assim, muito facilmente podemos rebater esta impresso, j que encontramos letras no pagode, onde o tema principal dialoga com as ideias de raa e comprometimento com a identidade negra:. Negritude uma rara beleza que irradia Externa o poeta poesia Negra linda cor Il Liberdade, a corrente se quebrou Vamos cantar, comemorar, fazer a festa Aumente o som, vamos liberar geral E fazer desta conquista um carnaval Curuz, a negona Curuz O nego Curuz, a negona Curuz Balana o black, as tranas O Black, as tranas Curuz, a negona Curuz O nego Curuz, a negona Curuz.

Na msica existe uma metfora endereada ao fim da escravido a corrente se quebrou, vamos cantar comemorar, fazer a festa , alm de uma conexo com elementos de reafricanizao que fazem parte do conceito elaborado. No to difcil constatar que os processos polticos reinventados nas periferias, justamente pelo que nos conta a histria poltica da humanidade, ser vivida por cdigos completamente diferentes.

CD SARAVADA 2011 BAIXAR

Vale lembrar que esta mesma classe mdia transita pelo universo do pagode, ouve suas msicas e dana suas danas, mas a questo a fundamentalmente o que o estilo musical, a sua musicalidade representam para este pblico. Para aqueles que pertencem periferia, o pagode representa muito mais do que o entretenimento das festas e do carnaval, muito mais do que a embriaguez dos fins de semana e o divertimento de um lazer efmero, mesmo funcionando tambm para todas estas finalidades.

Para quem vive nas periferias o pagode um espao para produo de afirmaes, expresses e posies, um desafio de suas possibilidades e um espao de conhecimento vivo de sua histria passada e presente : a criao cultural representa subjetivamente o mundo social, ou seja, tenta-se extrair da narrativa descritiva de seus contextos aquilo que apreendido a partir da realidade vivida, conhecido e sentido no cho ROCHA, , p.

Atua como modo de representao de poder da populao negra. No quero parecer exagerado ao considerar estas questes sobre o pagode, porm interpret-lo criticamente numa orientao pela ideia de que seu surgimento est conectado ao fundo de experincias relacionadas s formas de expresses culturais que esta populao capturou e adaptou a suas novas circunstncias, alm de recolocar a sua existncia no que confere a musicalidade negra imprescindvel para sua melhor compreenso.

A possibilidade de encarar o objeto, sendo ele to complexo, contraditrio e polmico, alm de pouco discutido, s possvel com a ajuda dos estudos engajados num aprofundamento mais crtico, como no texto de Gilroy, menos estreito tanto quanto mais amplo na perspectiva antropolgica que se fortalece entre pesquisadores da nova antropologia social, ao desafiar com objetos de pesquisas o nosso modo de pensar at ento sobre esses temas, quando no os ignoramos.

Toda esta pesquisa em defesa deste estilo musical e de sua importncia para aqueles que o vivenciam, pois tenho considerado que os diversos fatores negativos associados ao pagode so na verdade a principal razo para o obscurecimento de seus. Esse capitulo, portanto, objetiva analisar algumas letras do pagode baiano, sem descartar a dana e sonoridade, todas em temticas previamente definidas e direcionadas para os conceitos e categorias que pretendemos aqui discutir: negritude, raa, classe social considerando as ideias de reafricanizao atualizada nas letras de forma a produzir identidades de sujeitos em processos de afirmao, na qual a favela posta em contradio a tudo aquilo que se pensa comumente sobre ela: A favela aparece no imaginrio racista como o lugar dos maus, como o espao reservado aos criminoso AMPARO, , p.

Para isso, utilizaremos as teorias j mencionadas, as quais dialogam com o objeto desse trabalho, como est em Pinho A incorporao de estilos musicais vindos dos guetos, a crescente indstria fonogrfica, cada vez mais voltada para o pblico jovem, e o desenvolvimento acelerado dos veculos de comunicao promove um lugar potencializador na produo de identidade, de ideias e prticas micropolticas transmitidas atravs de uma musicalidade constituda de valores.

Para compreend-las necessrio realizar uma anlise do contedo das letras e das formas de expresso musical, bem como das relaes sociais ocultas nas quais essas prticas de oposio profundamente codificadas so criadas e consumidas GILROY, , p.

2011 SARAVADA BAIXAR CD

Considerando a importncia da msica dentro das numerosas culturas de matriz africana, devemos concluir que a investigao do seu lugar continua a ser uma aspirao nos estudos sobre musicalidade afro-baiana e reafricanizao. Alm disso, essas. Tomando o principio bsico da escolha do discurso, da informao e mensagem transmitida, as letras aqui analisadas aparecem ativamente enquanto contradiscurso aos padres e representaes hegemnicas ligadas s questes de identidade racial, cultural e social da periferia, como o caso de outros estilos oriundos de uma musicalidade negra a exemplo do Hip Hop e de outros tambm nascidos na Bahia e que foram utilizados para os mesmos propsitos, como os blocos afros e afoxs onde elementos de reafricanizao existentes nestes movimentos culturais e musicais diaspricos so amplamente identificados.

Segundo Rocha em sua dissertao Racionais Mcs: A voz ativa da Juventude Negra: Diversas outras performances musicais do Il Aiy e dos Racionais, procuram via diferentes construtos simblicos elencados, intervir nas relaes raciais no Brasil adotando como mote denncias de prticas que aprofundam as desigualdades e o orgulho de pertencer raa negra.

Nesse sentido desenvolvem o exerccio auto-referente de reconstituio e reafirmao da histria intelectual dos negros no Brasil e, simultaneamente, de reelaborao de seus referenciais. A herana cultural africana fortemente estruturada nas prticas culturais do Il Aiy tambm est presente em algumas das produes e discursos dos integrantes dos Racionais MCs. Nesse ambiente, o papel da msica crucial. Essa nova forma de musicalidade, fundindo a potncia dos discursos e o legado complexo dos processos que os segregam, passou a ser vista como um meio privilegiado de luta contra as injustias no cotidiano desses sujeitos.

Eles tm a conscincia tanto da natureza complicada dos problemas que enfrentam quanto do poder da msica em suas vidas e na vida daqueles que os ouvem, e atravs das letras, da dana e especialmente do estilo musical, constroem uma identidade autentica em oposio ao absolutismo conceitual proposto pelos sistemas de dominao.

Quando buscamos recuperar elementos culturais capazes de nos identificar como membros pertencentes a uma coletividade comum, muitos so os objetos, as prticas, os predicados acionados que cumprem o papel de revelar o lugar social do qual se est falando. A revalorizao de elementos, de ritmos, melodias, ancestralidade do continente de origem, de msicos que so autnticos heris para seu pblico funcionam convertendo ideias de auto-reconhecimento com o passado diaspricos. Nosso povo precisa de um heri aqui na terra Defensor dos guetos periferia a voz da favela Com deus do nosso lado ningum pode, se liga galera que eu sou ciclope.

Sou a voz da favela, que invade a janela e que vai bater forte em seu peito Na Humildade e pedindo respeito, o prncipe do gueto Entre os anos de e surge no pagode baiano um novo fenmeno que trs consigo novos significados, elementos expressivos, linguagens, e, principalmente,. Vale ressaltar, que essas inovaes traziam influncias marcantes da cultura negra de outras partes do continente e o principal motor deste movimento seria a produo destes sentimentos de identidade cultural baseada nos efeitos de reafricanizao.

Denominado pelos criadores Nenel e Edy Sacanagem do grupo Parangol, como era conhecido o agora Ed City no inicio de sua carreira como O Pagode da Laje, essa nova vertente a chave para este captulo.

A laje assumida aqui faz referncia direta aos locais onde historicamente o evento pagode acontece nos bairros perifricos. Nela que os indivduos, essencialmente, os criadores da ideia se reconhecem, portanto, se torna um contradiscurso o qual fornece signos de resistncias para que os subalternizados se rebelem e: Uma vez que esse contradiscurso disporico, preciso assumir toda a sua heterogeneidade, pois no a origem comum que delimita, Trecho da msica do Parangol Favela o dela nesse su se remete a Favela cantada em estrofes antes e depois: favela favela eu sou favela LOPES, , p.

Essa nova vertente do pagode inaugurou na cena baiana uma musicalidade com letras e ritmo mais voltados para o lado social15 incorporando elementos prprios da favela, seja ao falar de violncia ou para chamar a ateno da sociedade para o que acontece no cotidiano desses sujeitos, fala de realidade social, de transformao, de como eles tomando o fato de que os artistas so os prprios agentes, pois tambm pertencem a estas comunidades so representados nesse discurso especialmente na letra Tome baculejo A letra se remete as constantes abordagens policiais nos bairros perifricos onde a polcia ganha voz ativa interrogando um provvel suspeito do movimento do trfico , e questiona sobre cad o documento?

Na msica h um desabafo de um jovem cansado dessas abordagens dirias que incomodam as comunidades tirando a paz e o sossego dos moradores. O Movimento da laje, depois registrado por Ed como o Groove arrastado que veio do Samba, foi se modificando e ganhou corpo maior a partir de , junto ao surgimento do Fantasmo, novamente formado por Ed, um marco dentro do estilo musical trazendo conceitos ainda mais elaborados e pautados tanto na favela quanto na Isso eu acho que a gente mudou sim u m pouco.

Ed city em entrevista ao Mosaico Baiano em Baculejo como ficou conhecido s abordagens ou averiguaes policiais jovens nos bairros perifrico de Salvador, em muitos dos casos de forma violenta.

Com uma caracterizao totalmente diferente das utilizadas na poca vestidos de mortalha, caras pintadas e instrumentos atpicos para o pagode naquele momento , alm de influencias com elementos denominados por Rocha em sua dissertao de cultura das ruas17 , o Hip Hop, inclusive nas perfomances freestyle de break dos danarinos, e nas letras nos moldes das rimas do Rap e do Rock nacional, o Fantasmo conquistou inmeros fs em todo o pas.

Um dos seus grandes sucessos foi alcanado ao cantar uma msica com a temtica sobre o Kuduro18 , musicalidade genuinamente africana nascida em Angola, e se assemelha ao pagode na inteno de provocar o corpo para dana: Vem de Luanda, hit de Angola, aqui na Bahia j virou moda, dana africana, botei na roda vixe Maria, coisa nova.

Isso no rap, isso no samba, essa mania vem de Luanda. Kuduro, Kuduro, Kuduro, Kuduro, voc vai assim, voc vai assim Kuduro, Ou ainda: Eu vim da favela eu vim do gueto, batendo na panela e derrubando preconceito, pra voc que pensa que negro correndo ladro tem branco de gravata roubando de monto Eu sou ne go, eu sou do gueto. Na msica Kuduro, algo diretamente conectado com a periferia de um pas africano trazido para o contexto baiano na mistura com o samba de roda do recncavo e com o rap, pois se o pagode genuinamente surgido na Bahia, o Kuduro essencialmente de Angola no seu inicio e depois ganhando espao em outras culturas perifricas Na outra letra que ficou conhecida como O hino dos guetos procura fugir do esteretipo instalado em um senso comum e institucionalizado na representao social dos que vivem na periferia, pois se os negros roubam, os brancos engravatados, polticos corruptos tambm o fazem sem alguma ou pouca punio, que roubam o dinheiro do povo de uma classe menos favorecida.

Portanto, ambos diaspricos, se encontrando em um contexto global e local onde a hibridizao dos elementos musicais deve ser interpretada pela procura de mapear e fixar, em contextos prprios, um conjunto de smbolos que identifique a subjetividade da cultura negra so movidos pela curiosidade sobre a forma como os locais reinterpretam o global SANSONE, , p.

A cultura da rua envolveria ento todos os elementos presente no Hip Hop, alm dos j citados existe ainda o graffite, o rap freestyle e as batalhas de break.

O Fantasmo foi pioneiro na composio da letra falando sobre o ritmo angolano. A partir desse momento surge uma gama de grupos seguidores dessa vertente, os quais vo trazer em seus repertrios questes ligadas a diversas temticas, que vo tornando-se cnones no pagode atual e se refere diretamente ao que se convencionou como um pagode perifrico como no caso dos: Sam Hop, Saravada, Assombra, Veneno Letal, Guetho Guetho, Groove Guetho, No Styllo, A Bronkka, dentre outros, embora a mulher e a sexualidade ainda sejam temas estilsticos comuns presentes nas letras.

Um fenmeno comum entre alguns dos grupos e cantores a orientao para reivindicao, s vezes, auto- atribudas de vozes representativas da favela. O intuito de passar msica, de passar mensagem de um gueto que no tinha voz que hoje moda a voz do gueto, hoje todo mundo fala de gueto, todo mundo fala de favela O que parece ser um discurso tensionador, na verdade, tambm um dos modos de ganhar adeptos dos seus estilos, tendo em vista que no momento atual do pagode baiano todos os grupos aqui citados j possuem sua marca registrada e j conquistaram seu pblico.

O Kannrio, voz marcante no pagode perifrico, tem sido um dos mais impontantes cantores em conssonncia aos ideais do estilo. Suas interpretaes das letras e seu discurso assumindo a condio de favelado produzem em muitos dos seus fs uma identificao direta com sua representao, por isso uma voz ativa do guetho, que procura se adequar a uma linguagem que comum aos seus fs, comum para toda uma realidade pautada nos discursos assumidos de forma a retratar um cotidiano no qual coexiste uma favela cansada de ser vista como uma classe sulbalterna, desacreditada e esquecida nos becos e vielas pelo Brasil a fora.

Ainda aproximando o pagode com o rap nacional proponho um pequeno debate atravs de ilustraes de duas letras de ambos os estilos musicais, as quais, ao que me parece, apresentam a mesma problemtica em diferentes localidades do pas e que diretamente so altercaes a cerca de demarcadores sociais, ou seja, construdas em cima de uma mesma realidade de modo metafrico: a disputa entre classes. A primeira letra Sou Favela se tornou na Bahia elemento de demarcaes territorias entre as.

A condio de favela ou de orla te d aqui, nesse contexto, uma aproximao da real experincia vivida em cada um desses lugares, determinados tambm pelos demarcadores econmicos, pois no envolve s a questo de quem mora em um ou deteminado lugar, mas sim de quem pode ou tem condies financeiras de morar na orla, por exemplo.

Como se um fosse outra face, o outro lado da moeda. Um lado mais atrasado, sem as tecnologias encontradas na face mais abastarda. A outra a letra dos Racionais Mcs Da ponte pra c criada sobre a ideia de que h um atraso entre o empeendimento moderno consumido pela favela quando se comparada elite. A exemplo do discurso pregado pelos adeptos ao pagode perifrico a favela no renegada como lugar de origem e sim afirmada cada vez mais pelos indivduos que l residem e se auto representam enquanto tal nas suas con tradies.

Ta olhando assim porque , t cismado comigo Eu no quero problema rapaz , quero ser teu amigo Ta olhando assim porque , t cismado comigo Eu no quero problema rapaz, quero ser teu amigo Deixe de onda , deixe de onda , deixe de onda Porque eu sou favela , sou favela Sou favela, sou favela Voc favela ou Orla?

Voc favela ou Orla? Deixe de onda , deixe de onda , deixe de onda Porque eu sou favela , sou favela Sou favela, sou favela. No adianta querer, tem que ser, tem que p, O mundo diferente da ponte pra c No adianta querer ser, tem que ter pra trocar, O mundo diferente da ponte pra c Tem que ser, tem que p, O mundo diferente da ponte pra c A pergunta parece ter se tornado comum atravs da prpria msica, tornando -se referncia para as conversas ou discusses a cerca da classe social.

E que a depender do contexto na qual se instala seu espao geogrfico pode ser ocupada e consumida pelas elites. No adianta querer ser, tem que ter pra trocar ROCHA, , p, Portanto, o pagode um estilo musical originalmente da periferia,. Seu lugar de origem so os bairros perifricos da Bahia, onde se concentra a maioria de homens e mulheres de pele negra, descendentes da dispora africana.

Na periferia, encontram-se as msicas, as religiosidades, os costumes populares. Nela tambm est o racismo, a polcia, a intolerncia, a pobreza e suas consequncias. Ainda na dimenso do que encontramos na periferia, as grias, ou dialetos como cita Mano Brown linguagem e comunicao. Dentre No meio de vocs ele o mais esperto, ginga e fala gria, gria no, dialeto. Essa identidade orienta a construo de valores, de reafirmao, de pertencimento daquele lugar, exprime uma orientao sobre estes cdigos, funcionando como correo do comportamento de quem os negligenciou, corrompendo- os, vacilando, traindo os seus iguais, destruindo as ideias de solidariedade e coletividade, como no refro do cantor Ed City: parceiro j , vacilo j era.

Portanto, passando uma mensagem, tais letras seriam um movimento de denncia e crtica s exploraes sofridas pelas populaes marginalizadas, sempre em combate com quem os oprime, e a violncia a teria o sentido de resistncia. Na periferia, a histria outra e a poesia violncia real. Ela permeia todas as relaes. Se fato atual, como algo virtual preste a se atualizar. Por meio dela muitos sujeitos so se constituem E a no como um A violncia constitudos e.

Assim como no Rap, a msica no pagode tambm pode ser uma forma de resistncia e transformao da realidade. Ningum vai me socorrer por que Devo me erguer sozinho deste cho Nesta selva de concreto Eu digo o que voc tem agora para mim?

Selva de concreto Ah no vai agora me deixar na mo Assim ainda podemos demonstrar a partir de uns dos entrevistados para esta pesquisa ao ser perguntado sobre as motivaes ao compor as letras de msicas: estamos falando a realidade do dia-dia n vi? Parece que fora das possibilidades de leitura crtica, da anlise de como so construdos os vrios fatores que envolvem a questo da violncia, das criminalidades, da marginalidade abordada nas letras do pagode, estaramos apenas na superfcie da questo, naturalizando os preconceitos e estigmas contra estas populaes.

Segundo Pena, em sua dissertao: as letras deixam deflagrar que as relaes entre eles so sempre permeadas por ameaas de violncia fsica, diferente dos signos sobre relaes homem-mulher, que escamoteia a violncia , p.

A conscincia da negritude, do despertar para uma autoafirmao da esttica negra e da identidade se formula a partir desse novo momento, tendo em vista que a maioria das msicas executadas at ento se remetiam mais a algo ligado as coreografias com a busca incessante ao duplo sentido, um misto entre brincadeira e sexualidade. Agora se tornou comum reivindicao, principalmente dos grupos.

Quando me ver Abra os braos e d um sorriso Assertivas da negritude desse sujeito e no relato h a noo representativa de um contingente formado por muitos desses: de onde eu venho tem mais Este orgulho e reconhecimento so responsveis por um fenmeno muito importante que favorece o surgimento de movimentos expressivos como foi o caso da blackmusic e hoje o caso de diversos grupos artsticos.

A negritude seria, no caso, o conjunto de traos caractersticos do negro no que se refere a comportamento, capacidade de emoo, personalidade e alma: A negritude seria, neste caso, tudo o que tange raa negra; a conscincia de pertencer a ela MUNANGA, , p. Tais aspectos quanto s afirmaes sobre o pagode no pertencer a uma musicalidade que conte a histria do negro, considerando-o uma msica pobre, pode ter conexo com os preconceitos j mencionados sobre o sujeito brau, no caso, msica de brau: A personagem ou a performance , meio ficcional, meio sociolgica, do brau bem conhecida em Salvador: um homem jovem, quase sempre negro, vestido de forma aberrante, com modos e gestos agressivos e de difcil classificao no padro tradicional das etiquetas raciais na Bahia.

Essa formao identitria ambgua tem habitado as formas cotidianas de. Outro elemento que afirma a identidade negra no pagodo atual a busca por fundamentao nas religies de matriz afro brasileiras como o caso do candombl, alm da autoafirmao na qual msicos se enquadram como iniciados no candombl de onde so trazidos cones prprios da religio com saudaes direcionadas para muitos dos orixs presentes na cosmologia africana, alm de instrumentos musicais usados nos rituais como o caso dos percussivos:.

Pescador bota o barco no mar Hoje dia 2 Dia de iemanj Odoi Rema, rema, rema Rema, rema, rema Remador Nessa levada que vai Nessa levada que eu vou Bahia de todos os santos Tem fora, feitios, indicios, encantos Tomara meu deus tomara Que meu barco navegue os sete mares E os povos de todos lugares Naveguem na paz do senhor Odoi Nas ondas meu barco balanar Nas ondas meu barco balanar Mas vou seguindo viagem Esperando a calmaria No levo muita bagagem S pai nosso e uma ave-maria Meu povo guerreiro de f Tem fora e sabedoria Odoi.

Eu vou pedir a OGUM para abri meus caminhos Com f nos orixs e guizos no ando sozinho Samba que samba caboclo samba miudinho At quem no da macumba vai dar um gritinho. Tu vens do massap. Os homens guerreiros filhos de oxum. O sol no OGUM y. Olha o homem do ouro o sopro da vida. Ca cabecil. Com suas flexas lhe caador. Um te zoguearo. Vem de aruanda essa minha cor. E o rufo do tambor.

Bate que bate que bate que bate. Bate ru, bate pil. Bate que bate na palma da mo Nas letras de Remador e Rupil, os Orixs, divindades africanas da cultura Yorub, pertencentes ao panteo das divindades do candombl no Brasil so saudados enquanto se enfatiza a vida cotidiana dos pescadores.

O que merece destaque nesta letra exatamente sua conexo com os deuses africanos, que so tambm os deuses afrobrasileiros. A citao de tais deuses no est ali de maneira decorativa ou sem significado. Evocar suas saudaes uma maneira de introduzir a memria, a identidade e a cultura, uma origem e conscincia africana, afirmando com orgulho quem so e quais heranas lhes pertencem.

A conscincia da dispora, ou seja, a evocao do Deus cristo o sinal da ambiguidade, a dupla conscincia como descreve Paul Gilroy, completamente compreendida nos processos ocidentais modernos: Sou do bonde de Deus que fortalece os irmos uma mensagem de paz trago em meu corao. A grande sacada nestes novos estudos o desafio de aprofundamento crtico, porque a histria do negro na Amrica, a histria do negro no Brasil e na Bahia no uma histria de vergonha, mas uma histria de luta,.

Esse o principal condutor das contradies existentes no pagode e outros movimentos negros. Me recordo na adolescncia, quando ainda morador do bairro do IAPI um mini reduto de pagodeiros, onde durante muito tempo ensaiaram bandas como Harmonia do Samba, Selakuatro, dentre outras dos quais fui frequentador por alguns anos, alm de baixar os cds das bandas ou baixar na internet, ouvir por pessoas mais prximas que: o pagode coisa passageira, logo, logo vai acabar.

Isso j faz mais de uma dcada e o ritmo cada vez mais se fortaleceu e hoje move uma enorme massa de msicos e frequentadores nos eventos e que assim como eu tambm baixam da internet e compram cds e dvds de dezenas de grupos, de forma mais informal do que formal. Portanto, est mais que comprovado que o pagode no um modismo e sim uma necessidade se configurando como uma expresso perifrica na Bahia, melhor dizendo, uma genuna cultura se reafirmando nas periferias : som de preto, de favelado A produo de uma etnografia constitui um percurso rduo.

No inicio do trabalho no se tem a menor idia de como ele terminar, suas voltas, os modos e maneiras como se alcana o objetivo, como se penetra o tema, os momentos de excesso e vazio, o intenso desejo de escrever, ou a ausncia de tal desejo.

H uma finalidade que corre pelo trabalho e ele tambm convoca distintas maneiras de expresso. Em um mesmo plano de composio, tornou-se possvel produzir aproximaes de campos distintos para observar o pagode baiano e poder discutir as questes das quais considero relevantes sobre ele. Sendo assim, uma das primeiras coisas a dizer tem a ver justamente com o que verificamos apontado para o pagode e seu rebaixamento enquanto lixo cultural.

Descobrimos que tal ponto de vista nada mais do que uma srie de preconceitos relacionados a quem o produz, mas tambm no deixa de ser uma incompreenso ligada a sua subalternidade enquanto interesse das cincias sociais.

Reconhecemos aqui que o pagode constitui uma cultura ativa e criativa, de um povo pertencente ao corao das periferias baianas, hegemonicamente afrobaiano, que confere ao pagode um espao legtimo de suas expresses. Desse modo, pensar o pagode pensar a sociedade, as mentalidades, o momento em que vivemos, as artes da periferia, as inquietaes de um determinado grupo que ganha voz e faz dessa voz um instrumento ativo que entoa sentimentos, saberes, conhecimentos, canes, relaes de fora, ideologias.

Pensar no porqu desta realidade, no uso de alguns elementos e de determinada esttica, na produo dessa musicalidade e que o pagode por princpio problematiza a sociedade, pois confronta seus poderes, mas tambm o pagode, como vimos aqui, pode ser problematizado.

2011 SARAVADA BAIXAR CD

Nessa perspectiva, a produo do sujeito nos dias atuais se mostra como problemtica nesta investigao e sinaliza um caminho sobre lutas polticas que se fazem necessrias em nosso tempo. Consideramos que o pagode tem operado como conjunto de aes que norteiam aspectos relacionados a questo racial, possibilitando a constituio de valores que cooperam para produzir formas de vida e formas de organizao que combatem o racismo existente, alm de formas que ligam os indivduos a seus saberes autnomos e locais, configurando deste modo, lutas contra a sujeio, contra as formas de dominao e submisso.

Por assim dizer, encontramos na musicalidade do pagode baiano, a elaborao de uma cultura negra viva, capaz de fornecer a todos os envolvidos a conscincia racial, social e cultural que fortalece suas experincias de resistncia na sociedade desigual de que fazem parte.

Podemos dizer que as encenaes mais escrachadas produzidas no pagode retiradas da perspectiva do poltico por aqueles que o condenam, mas funcionando nela, intencionam uma via que proporciona prticas sociais que incidem sobre os desejos e subjetividades, e que esta poltica no cotidiano tambm transformadora das relaes cotidianas e do mundo social.

O pagode est. A constituio da modernidade enquanto projeto social, histrico, poltico e cultural, se sustenta num conjunto de regras articuladas entre si para a produo dos modos de vida, amparados no princpio da racionalidade humana e seus.

O DVD DE PIADAS DO ESPANTA BAIXAR

No caso, na modernidade tambm que a experincia cada vez mais rara por excesso de opinio, e no caso deste objeto, o. As mais variadas opinies tomaram cena. O sujeito moderno um sujeito informado, que tem por hbito opinar. A opinio se torna uma dspota que pode muitas vezes anular nossas possibilidades de experincias, e de experincias efetivamente livres.

Ainda nesta dimenso, o sexo, o ertico ou a putaria como se costuma dizer, encontrado em algumas produes no pagode, percebe-se muita agitao de opinies, e neste caso levando aos extremos de sentido prescritivo ou jurdico, como foi o projeto da Lei Antibaixaria. Nesta pesquisa pudemos perceber que as experincias vividas no pagode por homens, mulheres e viados no se resumem as interpretaes ditadas por aqueles que pensaram esta lei.

Vimos mulheres um tanto subversivas em relao ao patriarcado. Experincias livres como uma geografia dos corpos livres. Espanta era potiguar RN. Ele era a própria piada. Participou da Escolinha do Professor Raimundo e foi o maior vencedor da Batalha dos Humoristas, quadro do Show do Tom, pois sempre que participou foi o maior pontuador. Vídeo do humorista Espanta contando espnata sobre viados. Fica a torcida numa figa, piaras que alguma alma amiga, poste o que tem aqui.

Eu falei durante o jantar que ele era o verdadeiro humorista porque o palco dele ia além da casa de piadae. Eu passei 5 anos da minha vida vendo o Espanta. Matéria do Diario do Nordeste: Nos shows, a piadqs do pai-de-santo arrancava ainda mais gargalhadas que a da rapariga Helena contada pelo Df de Cana. Ze lezin vs espanta quem conta a melhor piada de — ze lezin vs rvd quem conta a melhor piada de Vídeo do humorista Espanta pizdas piadas sobre viados.

Es;anta Red pra dentro e risadas pra fora!! Uma curiosidade é so sempre que Espanta se apresentava no TAM, sempre havia mais mulheres idosas do que homens, só por causa padas personagem. Eu faço auditoria pra seguradoras, por isso tive acesso a detalhes precisos; cara, nunca deixe piadaa usar um cinto de segurança! Inscreva-se no nosso canal para receber novos vídeos: Priquito é igual ao Osama Bin Laden: Faria um show em Mossoró, à noite. Vicente Gonçalves, gerente de restaurantes em Fortaleza, foi um dos acolhedores do Espanta na cidade.

A BRONKKA CD O PROTESTO VERÃO - Pagode - Sua Música

Inscreva-se no nosso canal para receber novos vídeos: Isso porque, quando o humorista foi para a Escolinha do Professor Raimundo, Chico Anysio achou que os sulistas marcariam o bêbado pelo nome. Sim, eu o conheci e era meu amigo. Sebastiana Pereira da silva, ou simplesmente Bastinha, mulher puramente nordestina de sotaque carregado, saiu da frente de emergência para estudar em Londres. Mas a cada oportunidade de improviso, a cada brincadeira ou pedido vindo da platéia, o dom do repente humorístico se fazia evidente.