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MUSICA E O BONDE DO CUCO BAIXAR


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Tô reformando o Blog aos poucos! Lisboa vai ter um mega baile de funk brasileiro e reggaeton Jvitinhoo2 39;- mega das dancinhas. Get your own Chat Box! Estamos Disponibilizando 1. Pedro Almodóvar in the Groove Pedro Almodóvar, has always given music pride of place in his films, whether existing pieces, or new compositions. Anônimo 15 de março de Anônimo bonse de março de O Binde mandou construir.

MUSICA E O BONDE DO CUCO BAIXAR - Quem sou eu Nome: O sonho do Cuco era mudar de vida, ser Mc. O Cuco mandou construir. Pit cruel 24 de março . Bonde do Cuco - Tranqüilidade (Letra e música para ouvir) - Pode aumentar essa paradaaaaa / Aeee / A bala vai comer, a ba-a bala vai comer / A bala vai. Pode aumentar essa paradaaaaa. Aeee A bala vai comer, a ba-a bala vai comer. A bala vai comer, a ba-a bala vai comer. Aproveitado Tô bolado, vou falar para. A música de Alex MC – Bonde do Caca Tesouro (DJ Cuco) foi produzida por DJ Cuco no Estudio Bom Bando. Link para download aqui. Lyrics to 'Bonde Do Cuco' by MC Pé De Pano. OVERVIEW. LYRICS. Music Video. Bonde Do Cuco - MC Pe de Pano. Top Songs By MC Pe de Pano. TRACK .

Senti, de início, um leve desconforto, que rapidamente se transformou em dor. Eu me observava dentro, pela primeira vez. Seu olhar me escavava dentro e revolvia aquele limo emocional que eu jamais quis ver ou enfrentar.

Aquilo que estava por vir foi bem mais doloroso. O silêncio que se seguiu àquele veredicto rapidamente tomou conta do espaço daquela estufa e conquistou cada canto. Sentia-me esvaziado de energia. Preferia ser apenas deixado em paz e largar tudo. Aquela pausa persistiu cruelmente. Um espaço-silêncio se instaurou em mim, nascido daquele grito sobre-humano, terrível, um grito de guerra lançado entre o brado de armas e berrantes, no meio de um confronto mortal.

Algo se liberou e aguçou minha capacidade de ouvir. Recorda-se de quando você chorava por horas a fio, até ficar sem voz? Imagens alternaram-se na minha mente: quadros de um passado distante sobrepuseram-se e misturaram-se como cartas de baralho entre os dedos de um ilusionista.

Era eu. Examinou-me longa e severamente, e eu sustentei Seu exame. Eu estava colocando ali todas as minhas fichas Minha vida pendia por um fio sutil, suspenso na boca de um abismo. Reverta suas convicções Naquele momento, acomodou-se, arrumando com cuidado algumas almofadas em torno do Seu corpo. Reverta, mude completamente suas convicções! A ideia de me convidar a sentar nem Lhe passou pela cabeça; deixou-me em pé, no mesmo lugar onde me encontrava desde o início daquele nosso encontro.

Naquele momento me era impossível conceber um ser que, como o Dreamer, vivesse cada instante estrategicamente. Qualquer um tem sua parcela de fé para administrar, para investir Essas afirmações me desconcertaram.

Eu ouvia um pensamento novo, jamais ouvido antes. Percebi também a exigência de uma força prodigiosa e de um gênio laborioso para tal conquista. Pela primeira vez perguntei a mim mesmo em que eu tinha tido fé Ver os próprios limites, circunscrevê-los, significa libertar-se deles!

A vida do ser humano é governada pelas emoções negativas. Se um guerreiro acreditasse, só por um minuto, em uma ajuda externa, perderia no mesmo instante a sua invulnerabilidade. Calou-se em seguida e fechou os olhos. Aproveitei para registrar o que me dizia.

Mas aquela pausa se prolongava Procurei superar o embaraço do meu desconforto e da minha repentina superficialidade, relendo algumas partes das minhas anotações. A doença mais grave do ser humano é a dependência, anunciou em tom severo. Imediatamente, entrou em um estado de vigilância.

Fiz um movimento animalesco de defesa. Mentalmente alinhei, como os projéteis de um morteiro, todos os desaforos que gostaria de Lhe dizer. O Dreamer testou os limites da minha resistência.

Sabia como abrir espaços. Lembra-se do quadro? Ele me desconcertava todas as vezes. Aquilo que tantas vezes o Dreamer havia tentado me mostrar estava, finalmente, encontrando um modo de ser acolhido por mim. Tudo aquilo que encontramos, que vemos, tudo aquilo que tocamos, é reflexo de nós mesmos. O que isso poderia significar? Imponha-se um novo modo de sentir. Disse algo sobre a dificuldade de aceitar a ideia de que somos nós a causa de qualquer evento ou circunstância da nossa vida.

Representavam-na vendada. Abruptamente, fez silêncio. Uma parte dura e imóvel de mim cedeu e, internamente, uma voragem se alargou até me devorar. Experimentei a nauseante vertigem de uma queda sem fim, e um grito mudo de susto, de ajuda, de desespero, de vergonha ecoou nas fibras mais remotas do ser, como se toda a dor da existência se concentrasse num só ponto.

Ele percebeu quanto eu estava tremendo Pare de sentir medo e de se esconder! Essa morte é a sua grande oportunidade Somente você pode fazê-lo. Estava para me deixar.

As palavras na atmosfera encantada da estufa ao lado da piscina ainda importunavam minha memória. Sobretudo, tornava a ecoar dentro de mim, inesquecível, aquele Seu grito desumano: Paaaaaare! Frequentemente relia aquelas anotações e renovava em mim, vívida e forte, a química de Seus ensinamentos.

Depois, gradativamente, e sempre mais, Nova York me absorvia. A vida retomou os trilhos de sempre, entre o trabalho junto à ACO, e a rotina com as crianças e em casa com Jennifer. De repente, como se o mundo tivesse perdido os sons, o bar, cheio de seus clientes habituais, entrou em absoluto silêncio. O tempo desacelerou.

Dirigi-Lhe um mudo e desesperado chamado. De costas, estava aparentemente ocupado em reavivar o fogo da lareira de pedra. Um quadro imponente com matizes do preto ao cinza retratava peões, trabalhadores caminhando indolentes. Do rosto do Dreamer eu podia ver somente o perfil, destacado pelo fogo.

Vestia um robe du chambre de seda leve. O fio secreto dos meus estados de ânimo reportou-me ao nosso primeiro encontro. Também agora me dava as costas. Acolhi essa similitude com nervosismo.

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O pavimento revestido com pequenos losangos de terracota esmaltados era, por todo o seu comprimento, atravessado por uma pintura de Chagal. Senti Seus olhos de aço examinarem-me parte por parte, como espada. Peguei meu caderno e tomei nota de tudo. Por isso, o ser humano se depara com um mundo que continuamente o ameaça, um mundo que o faz irremediavelmente sua vítima O mundo é uma goma de mascar: assume a forma dos seus dentes. Percorri com o olhar as distantes colinas, o verde denso dos vinhedos e as ranhuras escuras dos sulcos na terra recém-arada.

A voz do Dreamer tinha o doce tom de uma promessa Recorde-se de Mim! Recorde-se do sonho! Significa saber entrar nas partes mais escuras do próprio ser e levar luz, respondeu Ele com uma intensidade especial, como se me transmitisse um segredo vital. Do porto chegava o cheiro intenso de mar trazido pelas vielas como por leitos de rios invisíveis. Um bonde despontou arquejante. Tinha o ventre excessivamente pronunciado, os braços pendentes em arco, como acontece aos obesos pelo efeito do aumento do volume da parte superior do tronco.

Mastigava e admirava. Eu estava longe de suspeitar a verdadeira origem do meu mal-estar. Era aterrorizante. Também você é um suicida, anunciou friamente. E com a voz baixa, completou: Aquele homem é você! Esperou alguns segundos até que eu me recompusesse do golpe, como se faz com o pugilista na lona.

Desejaria ter perguntado em nome de toda a humanidade suicida. Com dificuldade conseguia me manter em pé. Falou-me da autossabotagem e da lealdade à morte como características dominantes da psicologia da velha humanidade, quase uma segunda natureza que, no ser humano comum, se manifesta como um irresistível impulso de se suprimir.

Vive como um mendigo afligido por sensações de culpa e por um constante sentimento de fracasso, vítima do canto de dor que incessantemente projeta-lhe dentro imagens e pensamentos destrutivos. O sangue subiu-me ao rosto com violência e senti-me morrer de embaraço, como se tivesse me exposto, nu, na frente de toda aquela gente que lotava o belvedere. Continuou impiedosamente: O corpo é um revelador do ser.

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Deveria continuamente vibrar de prazer, de alegria, como uma criança Senti a dor de uma chicotada, uma dor verdadeira, limpa até, porque sem ressentimentos. A oportunidade que me estava oferecendo era muito grande. Mas essa liberdade durou apenas poucos instantes.

Na realidade, o corpo é o ser Seu olhar voltou a me perscrutar, como que avaliando as minhas condições, e em seguida reassumiu o rigor. Em muitas tradições religiosas, esse deus externo foi substituído pela crença num espírito-guia, numa alma, em uma invisibilidade interior ao ser humano.

Segundo o Dreamer, também essa crença é uma facínora. O corpo é a parte mais sincera, mais honesta do nosso ser. O corpo revela-nos Esfreguei levemente o pescoço e limpei a garganta. O Dreamer lentamente diminuiu o espaço entre nós em alguns milímetros; nos Seus olhos li uma inocente ferocidade e a impiedade de um ser selvagem.

O ar pesou. Senti como se, de repente, me encontrasse frente a frente com um inimigo mortal Ninguém jamais havia me falado assim nem me havia feito sentir assim. Quem era aquele ser? O que era aquele Seu amor lancinante, impiedoso como um bisturi que me lancetava a carne?

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Seja frugal! Se lhe parecer duro Prometi a mim mesmo que faria qualquer coisa para, sem desvios, aplicar à minha vida os princípios que o Dreamer, com tanto esforço, estava tentando me transmitir. Falava comigo como se eu fosse um obeso. Parecia um insulto. Essa distância aparentemente pequena entre mim e o Dreamer transformou-se em uma dor física indizível. Num instante, vi nossos seres completarem distâncias estelares e lentamente entrelaçarem-se. Receei ser pego em flagrante.

A pausa que se seguiu deu tempo para aprumar meus pensamentos e restabelecer pelo menos um mínimo das velhas certezas. E, antes ainda que eu pudesse recompor-me da surpresa, adicionou: Seu corpo denuncia que você é chantageado pela comida. Seu envelhecimento precoce revela ausência de temperança, ausência de inteligência, ausência de amor. Enquanto falava, Seus olhos examinavam-me parte por parte. Abandona essas superstições! No manuscrito de Lupelius, a ignorância de si mesmo, as emoções negativas e a comida eram indicadas entre as principais causas de morte, mas ouvir isso do Dreamer era um desafio a tudo aquilo em que a humanidade sempre acreditou, um atentado às suas convicções mais arraigadas.

Coma uma só vez ao dia. Seja frugal. E para que fim, afinal? A sombra ameaçadora que, no início de Seu discurso sobre comida, cobrira de névoa cada pedaço de mim, começou a se dissipar. Esteja atento! Um mundo sem fome. O que preencheria o vazio de espaço e tempo deixado por essa ausência?

Agora eu podia levantar os olhos. Olhei para o Dreamer. Considerei que essa era a chave para compreender por que, entre todos os aspectos de disciplina e de austeridade, a comida sempre foi o mais difícil e o mais evitado. Tanto que, em toda a nossa história, apenas santos e ascetas souberam obter uma vitória sobre a comida, e, muitas vezes, somente parcial e provisoriamente. Esquecido o jogo, o ser humano torna- se o elo final de um infernal ciclo produtivo.

A tarefa suprema da humanidade é transcender a si mesma pela arte do sonhar. Por isso, deve reduzir ao mínimo a necessidade de se alimentar. É um processo de dentro para fora.

Isso fez-me pensar nos deuses homéricos que, a cada tanto, querendo provar das alegrias e das dores dos seres humanos, deviam se degradar, descendo do Olimpo e transformando-se em animais. Recordei que quando me enamorei de Luisa, quando o perfume da sua juventude dominou cada pedaço da minha existência, eu passava dias inteiros sem sentir necessidade alguma de comer.

A frugalidade foi para mim um processo lento e uma natural consequência da proximidade a Ele. Objetei que, de qualquer modo, também o alimentar-se do interno é uma dependência. Pessoas que saibam provocar e guiar uma revolta contra qualquer forma de dependência? Eu era uma criatura lançada fora do Seu universo, exposta repentinamente à frieza de um mundo desconhecido, inóspito. Lupelius considerava corpo e espírito uma só e indivisível realidade, e reconhecia o corpo como o criador de todo o mundo fenomênico, do micróbio a Deus.

Eu precisava muito falar sobre isso com o Dreamer. A ordem em que estavam organizados os vinhos, por país, qualidade e ano, era absoluta.

Ao lado da lareira, saboreando um de Seus vinhos mais preciosos, o Dreamer perguntou-me sobre o andamento dos meus estudos e se eu havia descoberto algo de relevante.

Quis fugir! Senti o pensamento oscilar como se prestes a uma vertigem. O mundo é assim como você o sonha Também aquilo que lhe parece negativo, destrutivo, é somente o reflexo de um sonho conflituoso. O local ocupava uma antiga torre que dominava o imenso campo de Mas Anglada. A ampla abóbada capturava todo o poder do céu salpicado de cirros sedosos. Os conflitos, a criminalidade? Da pilha de toalhas rigorosamente ordenada, retirou uma para enxugar o rosto; depois, com elegância, colocou-a em torno do pescoço como uma mantilha valiosa, cruzando as pontas sobre o peito.

Aprendendo a governar o próprio corpo, um ser humano pode governar o Universo, disse. Foi nesse ponto que ergueu os olhos e fixou-me intensa e longamente, sem piscar. Os pensamentos dispersaram-se um a um, cada vez mais velozmente, até que minha mente foi completamente desocupada. Em seguida, os contornos de um distante episódio começaram a se tornar mais nítidos, e uma curiosa história despontou entre as lembranças daquele tempo.

Imitava suas gírias, seus trejeitos, o meneio indolente dos modos, o balanço do andar. Frequentava seus bares e até suas igrejas. Uma noite, voltando para casa com a mulher, um bando de negros assaltou-os e espancou-os de modo selvagem, sem motivo algum, nem mesmo o de roubo.

Foi uma surra impiedosa que os colocou num leito de hospital por muitos dias. Lembro-me de Corrado chorar de raiva enquanto descrevia essa sua desgraça. Em vez de usarem a arte como uma ponte entre o ser humano e o sonho, uma via para tocar a parte mais profunda de si mesmos, agarraram-se a ela como uma divindade, agravando aquele estado de dependência do mundo que tem governado suas vidas.

Parou de falar. Nesse momento, o Dreamer parou os exercícios. Veja só! Essa coisa escondida em uma sinuosidade do ser, essa mentira que cobre e esconde o egoísmo, o preconceito, a vaidade, o ódio racial, constrói aquele evento e é a verdadeira causa de todas as atrocidades do mundo.

O tom era de um cientista que anuncia a descoberta de um vírus investigado e procurado até os confins da existência. O sofrimento, a pobreza e todas as calamidades Pensamento é Destino O mundo é assim porque você é assim Vi que cada molécula é admiravelmente ligada ao Todo. E que o Todo é uma entidade pessoal, subjetiva. A brusca mudança de assunto surpreendeu-me. O bosque adormecido é o mundo como nos foi descrito, flagelado por pobreza e conflitos, cerrado em um sono hipnótico; e a bela é o despertar da vontade, o amanhecer do ser, o sonho.

Todo o meu ser saboreou a doçura amadeirada daqueles frutos.

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O período com Ele, inesperadamente longo, estava chegando ao fim. Agora, em silêncio, observava-O. Estava imóvel, havia muito. Estava com os olhos entreabertos, o corpo estendido para o alto.

Quando recomeçou a falar, fui irradiado pelo encanto de visões pressagiosas. Com a licença do Dreamer para partir, nada mais me segurava em Barcelona.

Tudo era conectado ao todo, nada era separado. Essas expressões do Dreamer ainda ecoavam na minha mente, renovando a dor do seu primeiro impacto. Bastava pensar naquela austeridade, para que os mais contrastantes estados de humor se alternassem e uma tremenda briga interna enchesse de nuvens escuras o céu do ser.

Foi deste modo, estudando-me e observando-me, que cheguei a identificar a parte de mim que se opunha, com dor, à ideia de mudar. Naquele dia teve início a luta Aquele inverno foi um dos mais severos de toda a história meteorológica de Nova York.

Eu era um privilegiado. Diante daquela vista, o intento vacilava. O que pode acontecer se apenas um dia você deixar de ir? Qualquer que fosse a sua origem, aquela voz interna me exasperava. Quis acabar com aquelas armadilhas sempre prontas a sabotar os meus propósitos. Mas era somente a ponta de um iceberg. Lembre-se: nada é externo! Degradei- me, cai e ressurgi mil vezes Tive de morrer e renascer antes de aprender a bendizer cada dificuldade que encontrava no meu caminho e reconhecer que o antagonista é sempre interno.

Caso os ensinamentos do Dreamer tolerassem ser confinados num método ou se tornassem uma doutrina ou um novo sistema filosófico, aquilo que o Dreamer chama rasteira na mecanicidade ocuparia um capítulo especial. Somente com o tempo, com o progresso do meu aprendizado, entenderia que o benefício da corrida consistia tanto no exercício físico, ou na capacidade de suportar o cansaço, como também na sua natureza de rasteira, de estratagema para romper uma ordem mecânica feita de repetitividade e indolência.

Dentre os ensinamentos recebidos do Dreamer, um em particular havia sitiado minhas convicções e, sob os seus golpes de aríete, desagregado as bases das minhas certezas. O mundo é a imagem fiel dos nossos estados. Aqueles vigias eram o reflexo de mim mesmo! Sem o ensinamento do Dreamer teria continuado a pensar que fossem seguranças, pobres diabos que estavam ganhando para viver.

O mundo sabe! Foram ideias como estas que permiti entrassem em mim e me transformassem ao longo dos anos. O tam-tam da existência estava transmitindo ao universo novas mensagens.

Suas batidas propagavam a notícia de que outro homem estava tendo a ousadia da fuga. Os muros As primeiras experiências de correr uma volta completa em torno da ilha exigiram um esforço heróico. Nessas fases críticas, era como se verdadeiros muros, barreiras, se formassem e, para serem superados, exigiam um esforço descomunal.

Observando-me exatamente nos estados de falta de energia, notava que os momentos críticos eram sempre precedidos pelo muro psicológico que se erguia, pela sombra que obscurecia o ser: o pessimismo e a desconfiança predominavam, e a voz do antagonista interno fazia-se sentir com mais força, sempre com novas razões para o abandono daquela atividade.

No seu moto alternado, eu reconheci o elemento constitutivo, o fundamento dinâmico de cada realidade física. Mas alguma coisa sempre me fazia dar por vencido e entregar os pontos. O fracasso, que sempre acreditei fosse efeito de causas externas, revelava-se um processo de dentro para fora, um mecanismo obediente a um comando interno, um ato de autossabotagem.

Correndo, muitas vezes eu fantasiava; gostava de acreditar que a qualquer momento encontraria companheiros de fuga, seres audazes que, como eu, haviam decidido escapar de uma existência medíocre. Uma vez se formou um pequeno grupo de cinco homens e duas mulheres. Lado a lado, fizemos uma volta completa na ilha.

De repente, acelerou. Nossos corpos pesados, abatidos, mostraram seus limites. Rapidamente o perdemos de vista. Aquele confronto tornou penosamente evidente o quanto cada um de nós tinha ainda a fazer. Continuamos a correr em grupo até o parque infantil e nos sentamos em banquinhos para recobrar o fôlego. Era cedo ainda. Com os olhos ainda fechados, permaneci por longos instantes em suspense, entre a incredulidade e a esperança.

É impossível! No entanto, a voz era inconfundível O Dreamer estava sentado ao meu lado. Eu tinha percorrido quase que a volta completa da ilha com Ele e nem havia suspeitado que fosse o Dreamer! Imaginei que os homens e as mulheres daquele grupo fossem Seus alunos. Contei- Lhe da corrida, da descoberta dos muros, do mistério daquela voz interna que continuamente me instigava a abandonar, a ceder, a fracassar no meu intento.

A voz que você ouviu é o antagonista que você carrega dentro, afirmou o Dreamer, iniciando um dos temas mais difíceis do meu aprendizado com um sorriso que O fez parecer ainda mais jovem. Sabia estar diante de uma passagem crucial. Endireitei as costas e inspirei profundamente: qualquer que fosse a barreira a ser superada, usaria toda a minha capacidade. Minuciosamente fui capturando cada detalhe daquela irreproduzível aula a céu aberto.

O Dreamer explicou-me que todo homem é um sonhador. Todo homem, porque sonhador, tanto no bem quanto no mal, é artífice, criador da própria realidade pessoal, do próprio destino; no tempo vê materializado qualquer sonho, qualquer pensamento, tudo aquilo que nasce do seu ser.

Por quanto paradoxal essas afirmações pudessem parecer, ponderei que, na realidade, nenhuma estratégia, ou aliado, poderia ter conduzido mais rapidamente David a coroar seu sonho. Eu nem tinha o que dizer Para uma nova humanidade, seria suficiente reconhecer que é o inimigo, o antagonista, que ama você. O busto de pedra de um Jesus na cruz ainda se erguia no silêncio daquelas ruínas. Na Sua voz se revelava um traço de dor pelo enésimo epílogo de um drama sem tempo.

Se tal verdade fosse reconhecida pela humanidade, revolucionaria, transformaria para sempre nosso modo de pensar e de sentir. Aprenda a sorrir internamente enquanto é atacado, enquanto a ofensa se manifesta em toda a sua crueldade O antagonista deve ser combatido fora e, simultanea-mente, perdoado dentro!

Mais claro que isso ninguém jamais explicou a vocês! Estava recebendo Dele o ensinamento de uma arte marcial capaz de transformar em força propulsora qualquer ataque ou qualquer coisa que, na vida, parece contrapor-se a nós. O Dreamer enfatizou ironicamente qual o troco que damos ao antagonista pelos seus preciosos serviços: maledicência e rancor.

Senti uma pungente melancolia e um pequeno remorso ao me recordar de todas as maldades que nós fazíamos para ele. Sobre esse ponto manifestei-Lhe minha incapacidade de imaginar um mundo sem atrito, em que fosse possível propor e atingir qualquer objetivo sem se valer da ajuda preciosa e impiedosa do antagonista.

O Dreamer percebeu que eu ainda esperava uma resposta sobre como fazer desaparecer cada ameaça, cada ataque da nossa existência. Por enquanto encontre sua dor, seu sofrimento, ordenou, e permaneça ali. Observe-se e coloque a nu as suas raízes. Somente você, vivendo permanentemente no Aqui e Agora, pode liberar o mundo de todos os opostos. O Dreamer sentou-se e eu me coloquei ao Seu lado em uma respeitosa distância. Era prazeroso e assim permaneci, desfrutando aquele momento.

As palavras do Dreamer, brandas, pareciam chegar de um mundo distante. Imponha-se a liberdade. Por um instante me sobressaltou; depois, o torpor em que estava mergulhando se reavivou, apossando-se gradualmente de cada uma de minhas faculdades. Ainda tive tempo de ouvi- Lo dizer: Transforme-se no homem que sonha, que cria, que ama!

O antagonista encontra apenas quem decidiu vencer a si mesmo.

Tranqüilidade

A suíte no St. James Depositei minha bagagem sobre o espesso tapete e olhei em volta. O luxo daquela suíte, a riqueza austera dos brocados e dos ornamentos molestaram-me. Com Ele nada acontecia por acaso e, ao mesmo tempo, nada podia ser programado.

Para o Dreamer, até o menor movimento fazia parte de uma estratégia. No curso dos anos do meu aprendizado, eu O havia encontrado nos países mais distantes e nas principais capitais do mundo. Todas as vezes sem prévio aviso, sem nenhuma necessidade de hora marcada ou planejamento. Eu havia recebido uma mensagem Sua no pequeno hotel em que me hospedava em Londres. Ao marcar o encontro para aquela noite, o Dreamer pediu-me que deixasse o Eaton Place e me transferisse para uma suíte do St.

James, em Mayfair. Flores, um ornamento de frutas no centro da mesa, champanhe, dois banheiros Haveria de pagar do meu próprio bolso.

Poucas noites no St. Esse pensamento, de dor psicológica, transformou-se rapidamente em dor física. É algo que o acompanha sempre, que você carrega dentro de você, e é a verdadeira causa das suas dificuldades, de uma existência infernal. Revi, envergonhado, os pensamentos daquele dia balançarem na mente como enforcados.

Para recuperar um alento de vida tive de me sentar. Peguei o telefone para perguntar o preço daquela suíte.

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Talvez tivesse ainda tempo de desistir. Por alguns segundos permaneci parado, paralisado. Depois, lentamente, repus o telefone no gancho. Recordei algo fabuloso que uma vez Ele me havia apenas sussurrado e que, por sorte, tinha conseguido captar e transcrever. Estilo é consciência Antes que o galo cante Senti minha química mudar. Semicerrei os olhos e bebi em grandes goles aquele luxo, absorvi cada detalhe daquele ambiente, sua riqueza, sua beleza.

Entendi que nada é fora de nós. A presença do Dreamer revelava aspectos completamente desconhecidos. Naquela suíte do St. James aconteceu algo fabuloso. Mesmo por poucos segundos, deixei de ser um homem medroso, hesitante, um homem fracassado, uma vítima, e tornei-me o arquiteto, o artista que havia idealizado aquele hotel. Compreendi a eterna distância entre sonhador e sonhado, entre um homem livre e aquele que depende.

Eis a fonte! Procurei a Bíblia. Encontrei-a em uma das gavetas do criado-mudo. Se tivesse sido um pouco mais sincero, mais honesto, se conhecesse a si mesmo um pouco mais, teria dito: Estou tratando de amar-Te! Com a pergunta repetida três vezes, Jesus na realidade estava perguntando: Você se conhece?

Sabe quem você é? Ama a si mesmo mais que qualquer coisa? Deixou de se matar dentro? Talvez tenha sido por essa rigidez que o chamou pedro. Pedro é o homem que se nega a mudar, que acredita poder mentir, esconder-se. Aquele homem era eu. Eu lia e chorava. Pobre Pedro! Se ao menos tivesse podido observar-se Amar-se dentro é um ato de vontade, significa conhecer-se. Amar-se dentro significa celebrar incessantemente a vida na sua totalidade.

Daquela passagem, da mensagem transmitida por aquela grande escola que foi o cristianismo primitivo, eu remontava à grandeza do ensinamento do Dreamer. O ser é a fonte de tudo aquilo que depois encontramos no mundo dos eventos. O Dreamer vestia um terno preto, de um estilo sem tempo, com os longos cabelos presos na nuca. Sob a echarpe de seda distinguia-se a camisa valorizada por uma fita de veludo preto.

Estavam com Ele quatro homens e três mulheres: Bruno e Rebecca W. E finalmente, um jovem casal de origem irlandesa, Peter C. Senti por eles uma instintiva simpatia. Aquela luminosidade me obscurecia. O espaço infinito de poucos passos do Dreamer me impôs a mudança. No momento seguinte ao que observei aquelas emoções, elas empalideceram e se dissiparam.

Restou, enfim, o fascínio por aquela descoberta; reconheci a riqueza da oportunidade de finalmente conhecer homens e mulheres que, como eu, haviam encontrado a Escola.

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Um teatro do absurdo estava levantando sua cortina e revelando os contornos de uma realidade separada. Cada um daqueles homens e mulheres era uma autoridade reconhecida no próprio meio. Bruno W.

Sua mulher, Rebecca, era esguia, de uma magreza quase doentia, mas com a energia concentrada de uma mulher de negócios internacional. Klaus E. Peter C. De cada um conhecia as capacidades, os limites e o lugar que ocupava na economia de uma obra perfeita. Ninguém pareceu notar a minha chegada. Ele sabe que o antagonista chega apenas para nos permitir superar os nossos limites. O Dreamer apresentou-a com todo seu secular mistério.

Um homem rico descobriu que seu capataz dilapidava seus bens. Your browser does not support the audio element. Copy the following link to share it Copy. You are currently listening to samples. On sale now Ascenseur pour l'échafaud Miles Davis.

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