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No terceiro marco temporal, de a , as aes do poder pblico para o turismo se voltaram para o Bumba-meu-boi como o representante, por excelncia, da cultura popular do Maranho. Além disso, possuem um viés romântico e nacionalista, próprio dos intelectuais europeus do século XIX. Desta maneira, o espelhamento funciona como estímulo ao desejo de ser distinguível dos demais, de obter uma particularidade que o revele diferente e melhor que outros cantadores: É um povoado antigo e tradicional,. Na perspectiva de Marques , p. Arthur Ramos enfatiza que entre os bantus, por ele categorizados como povo primitivo, o boi o animal totmico por excelncia, sendo o auto popular do bumba-meu-boi a mais representativa sobrevivncia totmica no Brasil, mesclada com elementos indgenas, porm de indiscutvel origem afrobantu. Para o antroplogo, o totemismo africano de sobrevivencia [sic] no Brasil essencialmente de origem bantu, entre cujos povos se achava mais disseminado que entre os sudanezes [sic]. Trazendo as coisas de volta à vida: emaranhados criativos num mundo de materiais. Mensagens de incentivo à vida Frases - Pensamentos Leia mais. Dessa forma, so temas recorrentes nas toadas fatos polticos em evidncia, medidas da poltica econmica, ecologia e questes sociais. E é esse seu destino, sua sina. Os ritos de renovao natural ligados ao sacrifcio do boi tambm so comuns nos estados do Norte e Nordeste, onde acontece, ainda, o repartimento do boi aps sua imolao, com a distribuio da carne e do sangue, celebrando a comunho dos presentes ao ritual. Alceu Maynard tambm faz aluso ao repartimento do boi, realizado aps o ritual de sacrifcio simblico do animal, pelo cantador, conhecido como cabeceira, que tira versos, destinando os pedaos da carne do boi aos presentes. É reconhecido na comunidade pelo seu talento, sua sabedoria, sua esperteza, sua singularidade e inteligência. Atravs da brincadeira, os grupos criam laos de solidariedade numa terra estranha e revivem, a cada brincada, sua cultura, sntese de sua viso de mundo, expressa numa mistura de lazer, compromisso, festas, ritos, performances, crenas e devoo. Apesar de figurarem nos relatos como brincadeira predominantemente masculina, h registro de Bois de mulheres nos primeiros cinqenta anos do sculo passado em Alcntara, conforme informa Raimundo Gomes; e em So Luis:. Parte desses versos fora publicada em A Flecha, no ano anterior. Em , uma segunda ocorrncia policial encontrada, tambm, no Arquivo Pblico do Estado do Maranho, expe o outro lado da ao policial e mostra os agentes da ordem cumprindo o papel a eles designado pela sociedade maranhense da poca.

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Pensamentos, sentimentos, percepções de mundo dos presentes afinam-se pela palavra pronunciada. Por esse fato, as tradições carregam uma energia particular e sofrem variações.

A palavra pronunciada, no bumba-meu-boi, é cantada. Voz e instrumento se harmonizam para dar ritmo e efeito às apresentações. Pouco é utilizada a ordem inversa. Linda Linda Feliz Pron. No caso das toadas aqui analisadas, os substantivos montam um bloco semântico que se liga às imagens da natureza, do canto e da beleza da cidade.

Os verbos, ora no passado resgatando fatos da memória ora no presente demarcando a presença física do cantador, Utilizando palavras que remetem ao seu universo, o cantador mistura elementos do meio rural a elementos religiosos, na primeira toada, elementos do combate e da força do boi a elementos religiosos também, na segunda, elementos mitológicos e naturais à euforia da chegada do boi na terceira e, finalmente, na quarta toada, mistura elementos da natureza à beleza do cantar do boi que representa.

O conjunto dos sinais poéticos ligados à vocalidade caracterizam as toadas como textos que se inscrevem no âmbito da oralidade e da performance. A voz valoriza e comunica o ritmo do verso que parece adormecido no texto escrito. Serve para reunir os brincantes, também chamados de vaqueiros ou vaqueirada.

Essa toada também é conhecida como Reunida. Seu léxico e sintaxe demonstram seu universo cultural e a eles se articulam construções verbais que sinalizam tempo futuro e ações do fazer e do dizer.

Opera, nesse sentido, aquilo que Zumthor p. O texto escrito comporta a forma, e esta, por sua vez, apenas sugere aos leitores a presença de sons, de instrumentos e gestos.

Registraram-se expressões como: [ Os grupos que fazem parte desse sotaque embalam suas toadas com matracas e pandeiros pequenos. Sempre que assopra o apito sinaliza aos brincantes que é hora de parar para ouvir a voz do cantador. É comum aparecerem expressões como: É à plateia a quem se dirige o cantador. Cantador, brincantes, o próprio boi e a plateia se desdobram em atos gerados por suas próprias intenções. Somente se ouve a voz do cantador. Ele é, no momento da performance, uma evidência, uma presença que representa a si mesmo e os outros.

Sua retórica, seu ritmo e sons contribuem para esse efeito. O cantador se manifesta como aquele que regula o seu pensamento pela ordem do que é sensível ao corpo, sem necessariamente passar pelo registro escrito. Quando entoa a toada rompe a clausura do corpo. Desalojado do seu corpo, lança-se aos olhos do mundo por meio da poesia. Pressupõem a existência de um grupo de produtores que criam objetos qualificados como poéticos. Vem de tempos antigos o estudo da influência da poesia no costume dos povos.

A descoberta da cultura popular identificou-se com o movimento nativista de reviver a cultura tradicional dos povos. Além disso, possuem um viés romântico e nacionalista, próprio dos intelectuais europeus do século XIX.

Bakhtin, , p. Esse modo particular de existência do cantador durante a festividade reflete sua maneira própria de ver o mundo. A toada 13 apresenta, ainda, uma espécie de agradecimento às entidades do culto de encantaria na sua primeira parte.

Ainda assim foi possível recolher uma toada do Boi da Maioba para exemplificar o tom de alegria e ironia que preenche as imagens de sofrimento e derrota do Outro. O urro representa a volta do boi que morreu 22 meses antes e que agora retorna ao ciclo da festa, ao tempo alegre. As citações 22 A morte do boi faz parte do ciclo da festa do bumba meu boi Assimilações como essas podem ser justificadas pela própria exigência do gênero. Em destaque se apresentam os elementos que compõem a autoimagem do eu lírico que se permite à luta.

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Mas é o próprio texto que fornece as informações sobre o autor nesta pesquisa. O que é oferecido pelo texto é a aparência do sujeito, a imagem que ele faz de si. Resultado das escolhas linguísticas e estilísticas de um sujeito, as toadas revelam caracteres, tipos, complexidades, ambiguidades, problemas, maneiras de viver, de mostrar sentimentos, paixões Ora, o alvo é a plateia, expectador, o brincante de bumba-meu-boi que acompanha a brincadeira pelos arraiais da cidade.

É a moça quem quer saber, portanto, é ela quem se interessa por ele. Manter contato é permitido pelo cantador, mas somente pelo telefone. Procurando compreender o perfil do cantador nas letras das canções, as informações extralinguísticas sobre ele auxiliam.

Entretanto, o registro do mostrado pelo texto escrito é suficiente para entender a aparência construída pelo que é dito. Os indícios textuais podem corresponder aos traços psicológicos ou à corporalidade, seja num movimento ou numa forma de se vestir. Constituem, desta O saber prévio que o auditório possui sobre o cantador intervém no sentido das toadas.

Esses modelos pré-construídos podem ser difundidos e percebidos por meio dos elementos e traços que se manifestam dentro ou fora do texto. A abordagem interpretativa do texto, segundo Umberto Eco , pode se articular à pesquisa da intentio auctoris, da intentio operis ou da intentio lectoris. Procurou-se explicar as estratégias que produziram determinado sentido, sem deixar de lado as intenções do autor, posto que [ ECO, , p. O pronome possessivo meu demonstra com firmeza a quem pertence aquele grupo de pessoas prontas para a festa.

Toada 9, Bumba-meu-Boi da Floresta, Toada 4, Bumba-meu-Boi da Floresta, Diante da calamidade a atitude do cantador na primeira toada é sentir pena, na segunda é sentir medo. Daí, presume-se a Entretanto, o regime irregular das chuvas pode causar danos.

Tece, desta maneira, a imagem do seu povo, sofrido, mas resistente. O espaço social em que vive também é ponto importante para o discurso afirmativo que se identifica. Toada 10, Bumba-meu-boi da Maioba, Cantador, boi e comunidade sofrem e lutam para ultrapassar as barreiras e vencerem juntos. O jogo constante entre a primeira e a segunda pessoa recupera as imagens do objeto da homenagem e revela a autoimagem de um sujeito afetuoso, Reconhecer-se como igual aos outros e do outro como igual a si é também forma de fortalecer os laços de solidariedade e de identidade que sustentam a brincadeira.

A base construtiva da toada lida gira em torno das imagens do lugar. O tom é de alegria e de graça, por se sentir agradecido por fazer parte daquele grupo. Mas o cantador também pode expressar representar os laços sociais que mantém com a comunidade a partir da imagem do boi. O boi é usado em outros serviços, como arar a terra, por exemplo.

A palavra carrega, portanto, o estereótipo do macho reprodutor que é confirmada pelo adjetivo forte, no primeiro verso. Os outros versos seguem acertando a premissa do primeiro verso. Os verbos derrubou, arrasou, quebrou se erguem sob o signo da briga, da luta e do combate, que acaba por humanizar o boi.

As designações Maioba, Iguaíba e Pindoba referem-se aos bumba-meu-bois Geertz, p. Neste sentido é que estilo de vida particular e metafísica confrontam-se e confirmam-se mutuamente, sustentando a autoridade do cantador.

Outras representações se vinculam à imagem da mulher: procriadora, companheira do homem, genitora Neste dia, feriado na cidade, acontecem missas e procissões à padroeira do local. O que o eu-lírico nos diz de si nessa toada? E assim o faz em quase todas as composições. Pode também ser encontrado nos salões de curadores ou pajés. Na primeira, que vai até o verso com o urro que o meu boi deu, o cantador enaltece a força do boi e conclama os brincantes, chamando-os de vaqueirada.

A imagem do tempo reflete o começo do dia e representa o início da brincadeira. Tremer, abalar, esconder-se, sair correndo assoalham a força que o urro do A própria imagem do boi urrando revela a chegada triunfal daquele grupo, encerrando assim a primeira parte da toada.

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O nome do cantador e fundador do grupo aparece Apolônio , assim como o nome do boi Paz do Brasil. Na quarta parte, o relato narrativo continua. O eu-poético se debruça sobre o sofrimento da guerra entre criminosos de dois estados do Brasil. Para encerrar, retoma o signo do poder e da força, com a marca que fica do reprodutor, do touro forte e respeitado que é o Bumba-meu-boi da Floresta.

No caso específico dessa toada, o comportamento convincente de que o boi da Floresta é o melhor; portanto, seu cantador também, é legitimado pelas A identidade é marcada pela reiterada presença das divindades. A toada sugere que, para além do mundano, existe a prerrogativa de que os entes celestiais orientam a conduta humana com fidelidade, dando fundamento às ações humanas no contexto da existência.

Nas toadas que seguem, a estrela guia, ilumina, reflete e inspira. No primeiro retoma a passagem bíblica registrada em Filipenses , comumente interpretada como o enfrentamento de todos os problemas da vida com a força que é gerada em Cristo. Só é possível ser bom cantador, um bom líder, um bom homem ou um boi protegido se louvar e respeitar as entidades sagradas.

A referência às ondas furiosas do mar, provocadas pela força do touro, é indicada pelo termo banzeiro grande. Segundo Ferretti , p. Estas considerações reiteram a causa da perceptível semelhança existente entre os cantos e doutrinas entoadas a santos dos cultos católicos e entidades e encantados dos cultos africanos.

Neste sentido, ganha destaque a aura de seriedade moral que toma conta da figura do boi deixando entrever uma Sobre esse atravessamento da cultura de massa na cultura popular, Bosi explica que [ Ela pode assimilar novos significados em um fluxo continuo e dialético.

O reconhecimento do plural é essencial para se compreender a cultura como herança de valores e objetos compartilhados pelo grupo humano supostamente coeso. Desta maneira, o espelhamento funciona como estímulo ao desejo de ser distinguível dos demais, de obter uma particularidade que o revele diferente e melhor que outros cantadores: As relações de afetividade nas toadas dizem sobre melancolia, amor, saudade Esta, por sua vez, se transforma numa possibilidade de voz.

Outros elementos também conferem poder ao cantador: a toalha e o vidro de mel. As mulheres têm conquistado cada vez mais espaço dentro do bumba-meu-boi. Acompanhavam, confeccionavam roupas e adereços, guardavam chapéus, bebidas, instrumentos ou ficavam na torcida. Tem-se um sujeito que com sua poesia é capaz de captar a experiência daquilo que é compartilhado pela comunidade silenciada. Seus julgamentos sobre o que é ser um bom cantador declaram como estima as origens, ao mesmo tempo em que quer se posicionar e se inscrever no mundo de tantas transformações culturais e sociais.

Aquilo que foge dos padrões como a firmeza no cantar, o respeito pela história dos outros bois, a honestidade, a humildade, por exemplo, é julgado e apontado nas toadas como inautêntico e motivo de chacota. Identifica-se o discurso do colonizado em expressões do tipo valente, guerreiro, como na toada: Sou índio guerreiro Eu sou valente Eu sou vencedor Ôh na chegada no terreiro Toada 11, Bumba-meu-boi da Floresta, As imagens do índio evidenciam a luta, a diferença e a marca daquele que precisou, e ainda precisa, combater para conquistar seu espaço dentro do corpo social.

Nas toadas, os signos possuem correspondência íntima com os referentes. Os tons que regem as composições alcançam graus de expressividade visíveis na dança, no bater das matracas, dos pandeirões ou de qualquer outro instrumento. O eu lírico em primeira pessoa se manifesta logo nos primeiros versos, revelando-se menos nas outras estrofes.

O uso do verbo lembrar no lugar de pensar parece ter sido proposital.

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Tal festa frequentemente se apresentava fora da ordem e dos padrões da sociedade ideal pretendida pelas elites locais [ BARROS, A partir do que foi tratado até aqui se pode inferir que inventando uma realidade desejada, o eu lírico fala de si e das mudanças geradas pela experiência.

Esta fornece os elementos para a mistura do eu lírico com o próprio cantador. Aula 1 bki 2: Maioba é meu amor um abraço a todos os maiobeiros do mundo!!! Na cabeça um chapéu de feltro bordado com miçangas e canutilhos. Sob o brilho intenso como espelho a reluzir. Rodrigo Santiago Minha idéia inicial de coaching era a de uma pessoa que me ajudaria a me organizar e me trazer idéias novas, Leia mais.

Respostas perguntas para algumas que podem estar passando pela sua cabeça. Achei perfeito, mas pra sentir só estando no meio do povo bummba Descreva os elementos característicos da Festa Junina presentes nas imagens. O trabalho com as cantigas e parlendas O trabalho com as cantigas e parlendas nós na sala de aula — módulo: Sob o brilho intenso como espelho a reluzir.

Seus julgamentos sobre o que é ser um bom cantador declaram como estima as origens, ao mesmo tempo em que quer se posicionar e se inscrever no mundo de mauoba transformações culturais e sociais. A mulher do pai é parente? Busca legitimar sua teoria apresentando o costume bantu de realizar festas totmicas e relaciona essa tradio cultural com as festas para o boi no Brasil, para ele, inventadas por escravos dessa etnia traficados para a colnia portuguesa na Amrica e que j praticavam o totemismo no continente africano.

Para o antroplogo, o totemismo africano de sobrevivencia [sic] no Brasil essencialmente de origem bantu, entre cujos povos se achava mais disseminado que entre os sudanezes [sic].

Ramos, O totemismo bantu teve, segundo ele, grande relevncia entre os afro-brasileiros, O totemismo do boi largamente disseminado entre varios [sic] povos bantus onde, em algumas tribus [sic], toma um aspecto francamente religioso.

Arthur Ramos enfatiza que entre os bantus, por ele categorizados como povo primitivo, o boi o animal totmico por excelncia, sendo o auto popular do bumba-meu-boi a mais representativa sobrevivncia totmica no Brasil, mesclada com elementos indgenas, porm de indiscutvel origem afrobantu. Da mesma escola de Arthur Ramos, Edison Carneiro retoma a discusso do totemismo do boi, levantando a suposio de que o testamento boi, por ele descrito em Religies Negras.

Notas de etnografia religiosa. Negros Bantos. Notas de etnografia religiosa e de folclore, corresponda a um repasto totmico e justifica que a divinizao do boi comumente encontrada entre os povos que desenvolvem a atividade do pastoreio. Para Amadeu Amaral, est no Brasil as razes do Bumba-meu-boi, que, sendo essencialmente popular e masculino, foi criado por escravos e pessoas pobres, agregados dos engenhos e fazendas, trabalhadores rurais e de rudes ofcios nas cidades, sem participao feminina Ainda que os pensadores do folclore e da cultura popular no tenham localizado a gnese das danas do boi no Brasil, as variadas tentativas de explicar o seu surgimento so fonte inesgotvel de hipteses que enriquecem consideravelmente as discusses acerca dessa to complexa quanto fascinante expresso da cultura popular brasileira.

A busca das origens do Bumba-meu-boi e de outras manifestaes culturais teve destaque na construo do pensamento social brasileiro, entretanto, a noo de consenso jamais esteve presente nessas interpretaes. A origem, contemporaneamente, passou a ser recriada e, mesmo que no seja remontada historicamente atualizada em prticas seculares. Bumba-meu-boi o termo genrico pelo qual conhecida a manifestao cultural popular brasileira que tem o boi como principal componente cnico e coreogrfico.

H registros de brincadeiras de boi em todas as regies do Brasil, com as especificidades que do conformidade diferente a uma mesma expresso cultural cuja denominao pode variar de acordo com o lugar de ocorrncia.

Embora haja grande heterogeneidade na nomenclatura e na forma como so conhecidas as manifestaes do Bumba-meu-boi no Brasil, existem aspectos anlogos que sugerem terem a mesma origem, tendo as distines sido estabelecidas por um processo de adaptao histrico-geogrfica e social, quando determinados elementos foram mais valorizados em detrimento de outros.

A diversidade de denominaes verificada, ainda, nos demais estados nordestinos. Em geral, nessas unidades da federao, a brincadeira , tambm, conhecida por bumba-meu-boi, porm festa do ciclo natalino.

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Contudo, os estudos realizados sobre o folguedo no Brasil identificam outras referncias de nomes e ciclos da brincadeira no Nordeste. Leite acrescenta o Rio Grande do Norte como rea de ocorrncia do Boi Calemba e menciona Cavalo Marinho como a dana equivalente ao bumba-meuboi no Estado da Paraba. No Piau, aparece nos ciclos junino e natalino, neste ltimo, como no Cear, Boi-de-reis.

No Sudeste brasileiro aparece em menor escala, se comprado ao Nordeste. O folguedo est mais presente nos estados de So Paulo e Rio de Janeiro durante o carnaval com o nome de Boizinho. De acordo com Cscia Frade, o Boi Pintadinho ou Boizinho fluminense uma variao do bumba-meu-boi em seu estgio mais simples Frade, Nessa regio, o boi tambm figura no ciclo natalino em forma de reisado, com a mesma.

Boizinho tambm o termo pelo qual conhecido o folguedo natalino no Rio Grande do Sul. Nos estados do Paran e Santa Catarina o Boi-de-mamo a brincadeira que d vida ao artefato danante que imita a figura do boi, ambos do ciclo natalino.

Assim como Cscia Frade, Doralcio Soares associa o folguedo catarinense ao bumba-meu-boi, apoiando-se na existncia da personagem Catarina. Na regio Centro-oeste, a nica referncia encontrada data do incio do Sculo XX, em Mato Grosso, nos relatos de Max Schmidt em Estudos de Etnologia Brasileira, sobre uma apresentao natalina em que um boi dana, sente-se mal e restabelecido por um mdico. No Estado nordestino citado em jornais e ocorrncias policiais datadas da dcada de 20 dcada de 90 daquele sculo.

Em seqncia cronolgica, o Bumba-meu-boi tem seu primeiro registro publicado em pequena nota no jornal Farol Maranhense, no Maranho, em ; seguido do jornal O Carapuceiro, em Pernambuco, no ano de ; dos peridicos A Voz Paraense e O Velho Brado do Amazonas, no Par, em ; e dos livros Reise durch Nord-Brasilien im jahre , do alemo Robert Av-Lallemant, e guas passadas, de Jos Boiteaux, com relatos de bumba-meu-boi em Manaus, em , e Santa Catarina, em , respectivamente.

A estrutura de apresentao das manifestaes culturais relacionadas ao boi em todo o Brasil inclui um boi-artefato feito de algum tipo de madeira, conforme a regio, com chifres e cobertura de pano, animado por um miolo10 que lhe empresta movimentos, enquanto o folguedo executado com msica, dana e dramatizao. H diversidade de enredos de acordo com o local, sendo uns mais simplrios e outros assumindo maior complexidade na composio de personagens e no desenrolar da trama que gira em torno da morte e ressurreio do boi.

Em alguns estados como Bahia, Cear e Maranho, feito o repartimento, a que Edison Carneiro se refere como testamento do boi. Alceu Maynard tambm faz aluso ao repartimento do boi, realizado aps o ritual de sacrifcio simblico do animal, pelo cantador, conhecido como cabeceira, que tira versos, destinando os pedaos da carne do boi aos presentes.

O repartimento recebe ainda o nome de matana. Independentemente da diferena de nomenclatura dos Bois dos estados da regio Norte e do Maranho e da forma de apresentao - no Norte em festivais folclricos e no Maranho em arraiais ao ar livre, h aspectos coincidentes entre as brincadeiras de boi dessas regies. Sued Nascimento, em Boi-bumb em Porto Velho , revela analogias entre o Bumba-meu-boi maranhense e o boibumb daquela capital amaznica, reconhecendo forte influncia dos Bois do Amazonas e do Maranho em funo dos organizadores serem imigrantes desses estados.

Com o Bumba-meu-boi do Maranho o boi-bumb rondoniense se assemelha pela realizao do batismo que tem a presena dos padrinhos do Boi, com o sentido de obter a permisso. A presena dos mascarados Pai Francisco, Catirina e cazumba digna de nota no tocante similaridade do boi-bumb e do Bumba-meu-boi. No campo musical, h diferenas marcantes nas diversificadas brincadeiras de Boi no Brasil.

No Piau antigamente, usava-se a matraca e o apito, hoje h pandeiros, tambor, maracs e putas. O apito continuou, a matraca desapareceu. No Cear, alm da harmnica, h caixas, cavaquinhos tamborins, pandeiros e pratos. No Recife, Goina e Paulista, zabumba, canz, viola, violo, rebeca e pandeiros. Em Santa Catarina, pandeiros, gaita de fole, caixa clara, violo. No Rio Grande do Sul, unicamente sanfona.

Mas no apenas os membranofones so largamente utilizados nos bois-bumbs e bumbas nordestinos. Os idiofones como os maracs, matracas e palmas contribuem sobremaneira para a marcao das toadas. Norte e Sul posicionam-se em extremos opostos com relao estrutura bsica do folguedo. Doralcio Soares explicita que No Nordeste, o Bumba-meu-boi tem apresentao mais dramtica. No Sul, o brasileiro, sendo menos mstico, apresenta uma brincadeira de Boi mais graciosa, com coreografia mais alegre A citao do autor nos remete realizao de ritos de purificao e renovao na brincadeira da regio Norte e do Estado do Maranho que aproxima o boibumb amaznico do Bumba-meu-boi maranhense.

Em Rondnia h referncias ao batismo do grupo e, no Par, so batizados os caboclos guerreiros antes que partam para prender o Pai Francisco, como relata Francisco Manoel Brando, no livro Terra Pauxi, citando um grupo de bidos, no Par. Da mesma forma no Maranho so batizados grupos de bumba-meu-boi e os caboclos-de-pena, responsveis pela priso do Pai Francisco. Os ritos de renovao natural ligados ao sacrifcio do boi tambm so comuns nos estados do Norte e Nordeste, onde acontece, ainda, o repartimento do boi aps sua imolao, com a distribuio da carne e do sangue, celebrando a comunho dos presentes ao ritual.

Um elenco de cerca de cento e cinqenta personagens foram identificados nas mltiplas manifestaes da cultura popular brasileira que tm o Boi como elemento principal.

Essas informaes retratam os folguedos em pocas diferentes e lugares distintos e sua utilidade se resume a dar um panorama geral das brincadeiras no tempo e no espao, visto que o processo natural de mudanas na cultura popular resulta, muitas vezes, em nova configurao das brincadeiras ou mesmo em seu desaparecimento.

Dentre as brincadeiras de Boi identificadas, o Bumba-meu-boi pernambucano foi o que apresentou maior nmero de personagens, cerca de 44; seguido do Boi-de-mamo de Santa Catarina, com 43; Boi Calemba do Rio Grande do Norte, com 38; Bumba-meu-boi do Maranho, com 34; Boi Surubi cearense, com 29; Boizinho do Rio de Janeiro, com 19 e Boi-bumb paraense e amazonense, com Existem personagens exclusivas de um nico folguedo que no se repetem nos demais e outras recorrentes em vrios estados.

Dessas, muitas aparecem com nomes diferentes de uma regio para outra, porm com a mesma funo. Em maior nmero de ocorrncia pelo Brasil h o Pai Francisco, correspondente ao Mateus em alguns estados; a Catirina que pode aparecer como Catarina; os vaqueiros; o doutor, curador ou paj, cujas atividades tm alguma correlao no auto; e o amo, que pode ser tambm o dono da fazenda e do boi. Conforme Leite , as personagens ou figuras so numerosas e variadas: negros, ndios, brancos, animais, bonecos, figuras fantsticas e sobrenaturais.

Dessa categoria pode-se destacar a subcategoria das profisses ou ocupaes: vaqueiro, boiadeiro, toureiro, padre, sacristo, sapateiro, boticrio, caador, dentista, doutor, feiticeiro, soldado, sargento, fiscal, engenheiro, marinheiro e palhao. So seres sobrenaturais o lobisomem, o fantasma, a curaganga, o curupira, a caipora e o cabea-de-fogo. Mas a inventividade no se restringe aos personagens fantsticos. A criatividade na composio das dramatizaes leva incluso de uma infinidade de bichos nos folguedos, no importa a regio.

Leo, lobo, urso, ona, macaco, girafa, tigre, cobra, zebra, rinoceronte, jacar, sapo, cavalo, bode, cachorro, tartaruga, gavio, mucura, urubu, galinha, pica-pau e marimbondo so alguns exemplos da grande variedade de animais presentes no bumba-meu-boi.

No Maranho, h certa liberdade na introduo de animais nas comdias do Bumba-meuboi, conhecidas como matanas, doidices ou palhaadas, em virtude da necessidade de criar diferentes histrias a cada ano. Assim, torna-se imperiosa a insero de novas personagens para dinamizar o enredo e possibilitar maior interesse do pblico. Alm das personagens mais freqentes nas regies de ocorrncia das brincadeiras de boi, o Bumba-meu-boi maranhense compartilha vrios tipos com os bois-bumbs do Norte e os bumbas do Nordeste: amo, Pai Francisco ou Mateus, Catirina, cazumba, burrinha, doutor ou curador, ndios, Dona Maria ou Me Maria, caboclo-de-pena, rapaz e vaqueiros.

Outros personagens presentes no folguedo natalino do Nordeste aparecem nos reisados do Maranho em municpios localizados prximos s margens do Rio Parnaba e circunvizinhanas. So os Bois-de-reis e os Caretas que saem durante o ciclo do Natal com personagens tpicos das manifestaes de bumba-meu-boi nordestinas: caretas, babau ou bate-queixo, ema, cabea-de-fogo, Jaragu e o boi.

A presena do Bumba-meu-boi em terras maranhenses to intensa que h variaes da brincadeira fora do perodo junino - no carnaval e no vero, nos municpios do Litoral Ocidental Maranhense. Os Bois de carnaval utilizam instrumentos de percusso e podem reproduzir toadas intercaladas com marchas carnavalescas. Saem pelas ruas da cidade nos trs dias de Momo, com indumentria caracterstica dessa festa, sem qualquer relao com os santos juninos.

Dois documentos atestam a presena dos Bumbas no perodo momesco. Um requerimento, datado de 1 de fevereiro de , solicitava ao Chefe de Polcia licena para um Bumba-meu-boi da Rua do Gavio realizar ensaios at o ltimo dia do carnaval.

Uma segunda solicitao encaminhada ao Chefe de Polcia do Maranho no final do ms de janeiro de tratava da concesso de licena para fazer dansar pelas ruas desta cidade durante os dias de carnaval a brincadeira Bumba-meu-boi e promettendo, como nos annos anteriores, guardar a melhor ordem possvel, de maneira a evitar qualquer barulho por menos que seja Os Bois de vero so uma forma encontrada pelos brincantes de prolongar um pouco mais a brincadeira.

Acontecem nos meses de setembro, outubro e novembro, de forma similar aos Bois juninos, considerando a sonoridade, os instrumentos, as personagens e a indumentria.

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As apresentaes so precedidas de ensaios e so realizadas em espaos destinados para esse fim. Como nos Bois feitos no perodo junino, h batismo e morte do boi. So, em sua maioria, organizados para pagamento de promessa. Os estudos clssicos sobre folclore no Brasil desenvolvidos at a primeira metade do sculo XX por Mrio de Andrade, Silvio Romero, Luiz da Cmara Cascudo e Arthur Ramos j destacavam o Bumba-meu-boi como manifestao expressiva da cultura brasileira, ressaltando a renovao temtica responsvel pelo seu vigor e permanncia, seu carter de revista, sua consagrao como um poderoso elemento unanimizador dos indivduos como metfora da nacionalidade e sua definio como teatro popular nacional.

No sem motivo que esses autores ressaltam a importncia do Bumba-meu-boi para a cultura nacional. As manifestaes culturais populares que tm o boi como figura principal esto presentes em vrios estados brasileiros, mas no Maranho que a brincadeira do Bumba-meu-boi ganha evidncia pela sua fora simblica, sua resistncia ao tempo e sua capacidade de reinventar-se a cada ano sem perder sua essncia.

Ao longo de, pelo menos, dois sculos, o Bumba passou por vrias fases.

De vtima de preconceito no sculo XIX, por ser considerado brincadeira de arruaceiros, essa expresso cultural desfruta, atualmente, de grande prestgio junto sociedade maranhense. A trajetria do Bumbameu-boi, a despeito da obrigao de solicitar autorizao policial para sair s ruas at os anos 60 e da ameaa de seu desaparecimento, na dcada de 70 do sculo passado, exemplar, se considerarmos que a brincadeira se manteve viva graas ao seu poder de reelaborao a partir dos elementos dados pelo contexto em que est inserida.

Nesse sentido, o Bumba desenvolveu uma estratgia de sobrevivncia peculiar, resistindo s crticas e ataques da imprensa do sculo XIX, satirizando seus opressores e ridicularizando seus adversrios em seus autos e nas letras de suas toadas e, mais recentemente, utilizando-se das polticas pblicas para a cultura popular maranhense e desfrutando da estrutura econmica do poder pblico para auferir renda para sua. Por outro lado, pode-se afirmar que o carter de revista de que fala Mrio de Andrade , no Bumba-meu-boi, a transformao de elementos da realidade em alimento para a brincadeira, reatualizando-a anualmente e mantendo-a viva.

As toadas, autos, comdias e performances so modos do Bumba-meu-boi comunicar sua verso dos acontecimentos da atualidade. Dessa forma, so temas recorrentes nas toadas fatos polticos em evidncia, medidas da poltica econmica, ecologia e questes sociais.

Essa comunicao fator fundamental para a preservao do Bumba. Na dcada de 80, no auge da crise econmica brasileira, a inflao despertou ateno dos compositores de toadas de Bumba-meu-boi e, mais recentemente, a Copa do Mundo foi, tambm, tema de toada.

A inflao em nosso pas Cada dia que passa est nos sufocando Este problema dos mais srios E isto no sabemos at quando Mas vamos todos cuidar, em nossa agricultura o ponto bsico de toda nao Vamos deixar automvel de lado E vamos fabricar mais caminho Isto sim que nos interessa Para escoar a nossa produo.

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Trata-se, nesse caso, de um recurso que promove a interlocuo com a sociedade, seja atravs das cenas dos autos e comdias; seja nas letras das toadas cantadas em versos rimados. A constante recriao do Bumba-meu-boi tem como principal elemento o fato de se constituir numa revista de seu tempo na qual os temas so abordados em letras de rara beleza, rimadas com elegncia e apresentadas nos arraiais e outros espaos pblicos como parte de um produto: o complexo cultural do Bumba-meu-boi do Maranho.

No Maranho, o Bumba-meu-boi uma referncia cultural presente em todo o Estado, com variaes regionais. Um levantamento realizado pela Superintendncia do Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional o Maranho identificou grupos de Bumba-meu-boi em 70 dos municpios maranhenses.

Apesar de no refletir a realidade global do Estado, os dados obtidos demonstram a importncia dessa expresso cultural e a intensidade com que vivida pelos maranhenses.

Assim, variedade de estilos foge categorizao feita por pesquisadores do Bumba-meuboi do Maranho que convencionou uma diviso dos grupos em cinco sotaques: Ilha, Guimares, Baixada, Cururupu e orquestra.

Embora a classificao em sotaques seja til para o direcionamento de estudos e pesquisas e para a execuo de aes dos poderes pbicos estadual e municipal no campo da cultura popular relativas ao Bumba-meu-boi, uma incurso pelos municpios do Maranho demonstra que ela no abarca a diversidade dessa manifestao cultural popular maranhense.

Nas diversas regies do Estado encontram-se formas distintas de expresso do Bumba-meu-boi, respondendo s necessidades inerentes a cada local com a utilizao de recursos disponveis nos seus respectivos municpios, dando diferentes configuraes a uma mesma brincadeira.

Na Baixada Ocidental Maranhense, ao ritmo de grandes tambores denominados de marcaes, o Bumba-meu-boi ganha uma sonoridade distinta daquela que caracteriza os grupos do sotaque da Baixada sediados na Capital. Na regio dos Cocais, no Leste do Estado, os grupos utilizam bombos octavados; no Baixo Parnaba, usam palmas de madeira e bzios; no Mdio Mearim h grupos que se auto-classificam como do sotaque de zabumba, mas que em nada lembram os grupos desse sotaque radicados em So Lus.

Ali os maracs so substitudos por cujubas e as zabumbas, feitas de tonis cobertos de couro, so tocadas com uma baqueta. Os exemplos so mltiplos e servem para reafirmar a capacidade de reinveno do Bumbameu-boi no s no tempo como uma estratgia de sobrevivncia, mas tambm no espao sociocultural onde se insere valendo-se dos recursos que lhes so dados.

Eu brinco Boi por promessa. Enquanto eu puder Uma promessa que eu fiz. Em Eu tenho um problema nesse p. A eu vi um mdico dizer pra minha irm que eu no ia ficar bom. E eu disse pra So Joo: se eu ficasse bom, brincava Boi enquanto eu pudesse.

Isso que me leva At falei que no gosto de falar essa coisa, fico meio Mas tem que falar, n? O mdico: eu ia morrer. Digo: rapaz, no. So Joo no deixa eu morrer. Ento com isso eu tenho essa f.

So Joo pra mim tudo. Se eu no tiver dinheiro, ele me d amanh, se eu tiver meio doente eu no vou quase em mdico, So Joo me cura No Bumba-meu-boi do Maranho o ldico e o religioso esto profundamente associados.

Como uma grande celebrao do ciclo da vida, o Bumba-meu-boi sintetiza, em seus rituais, um universo mstico-religioso possuidor de uma multiplicidade de significados, sendo a crena e a devoo a So Joo o centro desse universo para o qual convergem outras prticas mgico-religiosas portadoras de um amplo repertrio simblico.

O boi dado ao santo como pagamento de promessa, mas pode tambm ser devotado a entidades espirituais cultuadas em terreiros de Tambor de Mina11 na Capital e no interior do Estado, obedecendo a determinaes e desejos de encantados12, em cumprimento a obrigaes devidas pelos pais e filhos de santo a essas entidades espirituais.

Nesses locais, os grupos realizam visitas de cova em cemitrios, fazendo saudao e homenagens aos mortos, resgatando uma relao com a morte h muito tempo perdida pelo homem dos centros urbanos.

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Entidades espirituais encantadas recebidas em terreiros de Tambor de Mina no Maranho, tambm denominadas invisveis. Podem ser classificadas como gentis, gentilheiros, caboclos, ndios e selvagens e meninas. Esse complexo arranjo que vincula sentimentos religiosos enraizados a gozos e excessos mundanos apresenta o Bumba-meu-boi como uma prtica onde o ldico pode ser vivenciado, tambm, a partir da formao de grupos modestos, cujo elemento gerador - o boi-brinquedo, pode ser feito de cofo13, de pano, de paneiro ou de palha, ou seja, improvisado com a exclusiva inteno de proporcionar ocasies de entretenimento e diverso, uma oportunidade de promover a confraternizao e o lazer, encontrar parentes, amigos e vizinhos, danar, cantar, comer, beber e se divertir.

O batismo do boi o nascimento, quando o boi-artefato ganha vida e sai da casa para animar os boieiros14 e simpatizantes da brincadeira durante o perodo junino. Os padrinhos, diante do altar e com a imagem de So Joo, um copo de gua benta, um ramo de vassourinha15 e vela acesa nas mos, sacralizam o animal. A partir desse momento, sob as bnos de So Joo, o grupo est imune a toda sorte de infortnios.

A sada do altar do santo para a rua, aps o batismo, corresponde ao despertar de um longo perodo de encantamento em que o boi-artefato se encontrava, sob proteo do santo. Cofo, tramas e segredos. So Lus: Comisso Maranhense de Folclore, O cofo recebe variadas denominaes, conforme o tipo e a utilizao: balaio, urupi, de linha, paracafu, de segredo, ladro, quatro olhos, de alqueire.

Pode ser feito de palha da palmeira de babau, anaj, caran, ariri, pupunha, carnaba e tucum. Para se apresentar em pblico, o boi luxuosamente preparado. Se nas demais manifestaes da brincadeira do boi no Brasil o boi-boneco se apresenta de forma simples, coberto de pano pintado ou estampado, no Maranho coberto de veludo bordado com dedicao - o couro do boi. Com miangas, canutilhos e lantejoulas, o couro apresenta e representa o universo simblico do Bumba.

Lindos desenhos multicoloridos, de uma riqueza que s pode ser mensurada pela devoo ao santo protetor da brincadeira, retratam temas diversos como a religiosidade catlica e de matriz africana dos maranhenses e homenagens a personalidades da vida poltica e cultural locais, dentre outros temas.

Aps o perodo das brincadas em que So Joo permite aos seus fiis desfrutarem das alegrias que o boi pode lhes proporcionar nas noites juninas, uma grande festa celebra o ritual da morte do boi, encerrando o ciclo festivo para a tristeza dos boieiros, brincantes e simpatizantes da brincadeira. Esse rito marca a volta do boi para a casa por ordem de So Joo, que, pedindo o sacrifcio do animal, resgata-o para junto de si, conforme evidenciam as toadas do ritual de morte do boi.

No Bumba-meu-boi do Maranho, o sacrifcio do boi e a distribuio da carne e do sangue, no ritual da morte, ganham significado especial.

O sacrifcio oferecido a So Joo, que pede seu boi de volta. Quando h o repartimento, a carne do boi sacralizado pelo batismo e consagrado pela imolao , muitas vezes, utilizada no preparo de chs com poderes teraputicos.

O ritual de morte do Bumba-meu-boi maranhense remete s idias de Arthur Ramos sobre o totemismo do boi, o repasto totmico e a identificao daqueles que participam do ritual com o animaltotem pela sua absoro. A carne pode ser os pedaos da madeira da qual a carcaa do boi feita ou a palha que serve de recheio da carcaa do boi.

O comer e beber em commum [sic] exprimia um symbolo [sic] do dever da communidade [sic] com relao ao seu deus. Tambm o que acontece no repasto totemico [sic] em que o animal-totem morto e chorado em meio a uma grande festa. Estas lamentaes so ditadas por um temor de castigo e para subtrahir [sic] o clan a toda responsabilidade do crime commetido, [sic] o que foi observado por Robertson Smith, independente da psychanalyse [sic].

O luto seguido de uma grande alegria festiva, em que todos os excessos so permitidos: que os membros do clan, depois de comerem o animal-totem, reforam a sua identidade com o mesmo. RAMOS, O sangue oferecido a todos aqueles que participam da cerimnia, numa comunho com o grupo e com o santo, celebrando o ciclo vital.

Para alm da comunho, representa a aliana com o grupo e com todo o sistema mstico-religioso que o envolve,. No dia 29 de junho, os grupos de Bumba-meu-boi sadam So Pedro em sua Capela, em So Lus, tocando, cantando e danando em frente ao andor do santo.

Nessa ocasio, muitos brincantes recebem encantados no interior daquele templo religioso. H aqueles que, penitencialmente, sobem, de joelhos, os 47 degraus que do acesso Capela, debaixo da carcaa do boi que, ao ser retirada diante do andor, deixa mostra as guias18 atravessadas no peito, revelando o vnculo do brincante com as divindades africanas e com o mundo da encantaria. Cordo, tambm conhecido por rosrio, feito de contas cujas cores identificam a entidade protetora do pai ou filho-de-santo.

Voduns do Tambor de Mina Jeje. Encantado da famlia do vodum cambinda Lgua Bogi Bu da Trindade. Mas a relao do Bumba com o sistema religioso afro-brasileiro no se restringe participao de encantados nos grupos durante o perodo de brincada. A toada do Bumba-meu-boi do Bairro de Ftima traz tona um complexo processo de associao que estabelece ligaes entre os santos catlicos e as divindades africanas.

O boi de So Joo. Contudo, , tambm, oferecido para Xang, orix Nag que equivale a Bad Quevioss, vodum que abre todos os terreiros de Tambor de Mina no Maranho, cuja festa de obrigao, na Casa das Minas Jeje, realizada no dia de So Pedro, santo de adorao daquele vodum. Ferretti, Talvez esse dado explique o transe dos brincantes de Bumba-meu-boi em frente ao andor do santo, no dia 29 de junho.

Fundado no trip arte-festa-religio, o Bumba-meu-boi, pelo seu carter plural, , paradoxalmente, a sntese de elementos da identidade maranhense, de seu ethos, de sua viso de mundo. Todo esse conjunto resulta num produto que revela a alma desse povo. O sentido da obrigao para com as entidades espirituais do Tambor de Mina vivenciado com respeito e a f e a devoo a So Joo, santo a quem dedicada a brincadeira, professada de forma descontrada, numa alegre associao de festa e religio.

O Bumba-meu-boi se faz presente no meio social maranhense como um componente estrutural de coeso, reafirmando constantemente os elementos da identidade cultural desse povo. Laos de solidariedade so estabelecidos entre aqueles que fazem o Bumba-meu-boi acontecer: pela f nos santos juninos; pelo compartilhamento de um mesmo espao sociocultural; pelo tempo que ficam juntos e pela cumplicidade no desempenho das tarefas de preparao do boi; pela dedicao ao grupo; e pelo compromisso assumido na produo da brincadeira, criando um sentimento de pertena intragrupal.

Internamente, grande nmero de pessoas est envolvido na produo do Bumba-meu-boi, da realizao dos treinos que precedem os primeiros ensaios e confeco e reparos de indumentrias e instrumentos, at a morte do boi. Em contrapartida, aqueles que no participam diretamente da brincadeira tambm experimentam um pertencimento aos grupos por um sentimento coletivo de ligao com os estilos de Bumba-meu-boi e, dentro destes, com grupos especficos, como se pertencessem a um mesmo cl.

Dessa forma, externamente, os batalhes so reforados pelo apoio dos simpatizantes, que assumem. Nesse aspecto, os bois do sotaque da Ilha se destacam pelo antagonismo entre os batalhes, evidenciado pelos seus brincantes e simpatizantes, cuja devoo quase religiosa ao grupo de predileo se reflete no nmero de boieiros, sempre varivel, que cada boi de matraca pode levar para os arraiais e demais locais onde brinca.

Assim, o nmero de matraqueiros de um Boi da Ilha ser sempre proporcional ao nmero de simpatizantes com ou sem ligao formal com o grupo, motivados pela identidade que cria vnculos recprocos estabelecidos com o Bumba. Deve-se ressaltar que a brincadeira registra, desde o Sculo XIX, manifestaes de violncia que, freqentemente, resultavam em contendas generalizadas.

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Atualmente, percebe-se uma agressividade latente externada nos versos das chamadas toadas de pique, tpicas dos Bois de matraca, trocadas por brincantes de grupos rivais, nas quais so transmitidas mensagens subliminares ou explcitas de provocao e desafio num campo em que a arena de luta simblica entre os contrrios21 a msica e a literatura e as armas so o poder criativo e a capacidade de formular belas toadas, como uma forma de extravasar mpetos violentos, ainda que sublimados.

Pelo conflito, os grupos fortalecem o seu esprito de corpo e reforam sua identidade. A identidade entre os que fazem o Bumba-meu-boi e aqueles que se sentem parte dele, ainda que na condio de meros espectadores, cria um universo singular no qual o Bumba se configura como uma manifestao cultural popular de uma fora expressiva presente no s no cotidiano de quem vive no Maranho, mas que ultrapassa os limites do Estado, inspirando a criao de grupos por maranhenses radicados em So Paulo, Rio de Janeiro e Braslia, que reinventaram o Bumba-meu-boi a partir das referncias culturais levadas de sua terra natal.

Atravs da brincadeira, os grupos criam laos de solidariedade numa terra estranha e revivem, a cada brincada, sua cultura, sntese de sua viso de mundo, expressa numa mistura de lazer, compromisso, festas, ritos, performances, crenas e devoo. Essa integrao de dentro do grupo e deste para fora de si , muitas vezes, explicitada pelos prprios grupos, reforando interna e externamente os vnculos do Boi com os micro e macro universos que lhes do sustentao.

Integrados nesse patrimnio cultural que o Bumba-meu-boi, diversos componentes colocam em evidncia a cultura popular maranhense no que se refere religiosidade popular catlica; religiosidade afro-maranhense; dana, com os passos cadenciados e ritmados dos brincantes; ao teatro popular, com os autos e comdias; inventividade dos brincantes, com os grupos que promovem uma releitura do Bumba-meu-boi tradicional; e msica, na voz melodiosa dos amos ou cantadores e no dom dos compositores populares, cujo talento se traduz em belas toadas.

O decreto 3. O Bumba-meu-boi do Maranho tem demonstrado, ao longo de dois sculos, sua capacidade para permanecer vivo, atravs de um processo contnuo de reelaborao, cuja matria-prima tem sido um saber prprio, alicerado num conjunto de elementos que envolve um sistema de crenas, onde se associam mitos, lendas, universo mstico-religioso catlico e onrico e religiosidade afromaranhense. Assim, o Bumba-meu-boi, identificado pelos maranhenses como a mais rica manifestao da cultura popular do Estado, apresenta uma diversidade que rene vrias formas de expresso artstica e se mostra como um bem cultural portador de um conhecimento tradicional constantemente reelaborado que reflete, em suas mais variadas formas de acontecer, no s a alma dos maranhenses, mas tambm dos brasileiros, pela alegria e devoo com que vivenciado durante todo o ciclo da brincadeira.

De manifestao cultural de negros e mulatos oprimidos pelas elites do sculo XIX a manifestao emblemtica da cultura popular maranhense, o Bumba-meu-boi traz em seu percurso o retrato da histria social, poltica e econmica brasileira. Foi marcado pelo preconceito dos anos oitocentos, que restringia o espao onde poderia brincar; pela obrigao de pedir licena polcia para sair s ruas at os anos 60; e pela mudana de papel consolidada na dcada de 80, quando comea a se inserir num mercado de bens culturais que tenta transformar o Bumba em mercadoria para ser consumida, preferencialmente, por turistas, o que j motivou crtica do Bumba-meu-boi a ele prprio conforme toada abaixo.

A crtica do amo do Boi Unidos Venceremos insero do Bumba no mercado de bens culturais deixa explcito que a afirmao identitria atravs da identificao com a brincadeira do Bumbameu-boi marcada por contestaes simblicas, de modo que essa incluso no deve ser vista como absoluta, no sentido de uma aderncia. Mesmo sem questionamento formal do ponto de vista poltico, h resistncia aos elementos tpicos do mercado que opem tradio a dinheiro.

O Brasil um pas multicultural caracterizado por um conjunto de identidades resultantes de sua formao scio-cultural e o Bumba-meu-boi maranhense, pelo seu carter plural, um retrato da identidade brasileira. A riqueza e a dimenso dessa manifestao evidenciadora da forma de ver e viver a cultura popular pelos maranhenses avaliza a valorizao do que pode ser considerado o Complexo Cultural Bumba-meu-boi do Maranho, cujo valor simblico reside no seu conjunto: dana, msica, poesia, teatro, cenrios, instrumentos, indumentria e papis a serem desempenhados, atravs de um processo de trocas interculturais de traos de origens africana e indgena com elementos trazidos pelos europeus, sem desconsiderar a influncia de outros povos.

No caso do Bumba-meu-boi, a nfase recai no poder de mobilizao social dessa brincadeira que, ao reforar laos de solidariedade entre os seus representantes, refora, tambm, uma visibilidade pblica desses brincantes e, conseqentemente, sua identidade, seu modo diferente de ser e crer.

Considerando que o valor simblico de um bem cultural construdo socialmente, justificase o reconhecimento do Bumba-meu-boi como Patrimnio Cultural do Brasil, cuja multiplicidade de significados, expressa em seus mais diversos aspectos e variaes, merece ser compartilhada pela sociedade brasileira.

As notcias mais antigas sobre o Bumba-meu-boi do Maranho encontradas em documentos histricos e peridicos nos levam a uma viagem ao Sculo XIX.