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Blog da fotografia portuguesa interessada em viajar. Meu nome e Bruno e espero que voce goste do meu site

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Tudo ou nada Baixar; Fui fiel Baixar; Tomara Baixar; Pra não chorar um dia Baixar; Paguei pra ver Baixar; Na hora H Baixar. Pablo - Paguei Pra Ver (Letra e música para ouvir) - Ah, que bom que você perguntou / Não vou negar, vou indo / Desde quando você me deixou / As coisas . Paixão! • Álbum. Ouvir Adicionar aos favoritos. Só Sei Que Te Amo. Fui Fiel . Na Hora H. Paguei Pra Ver. Quase Me Chamou de Amor. Malhado e Gostoso.

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Um liberal pode dizer que é legalizar tudo. Eram também os primeiros nos churrascos em pleno campo, no vinho tinto e nas guitarras chorosas. Sem celular. As abas de sua roupa escura batiam como asas nas alturas misteriosas daquela cordilheira que subíamos cegos e trôpegos. Sou ou era conveniado de um plano médico desde Vi um zé mané que vendeu casa, outro moto e outro o carro para baixarem BTC na alta. A minha ideia é seguir o manual do anonymous. Depois dos ingleses, que ocupavam o alto da pirâmide e viviam em grandes residências com jardins, vinha uma classe média semelhante à dos países da América do Sul. Brian Gonçalves de Souza. Poucas mudanças, mas parece que melhorou o desempenho do lumia Not only will this exceed U. Que deus te ilumine. Cab respondeu Alguem sabe como resolver? Amado Batista. Fomos diretamente ao Hotel Raffles. O apartamento triplo é subdividido, o que é bem conveniente. Silencioso e gentil, porém pobre, assim morreu.

Pablo - Paguei Pra Ver (Letra e música para ouvir) - Ah, que bom que você perguntou / Não vou negar, vou indo / Desde quando você me deixou / As coisas . Paixão! • Álbum. Ouvir Adicionar aos favoritos. Só Sei Que Te Amo. Fui Fiel . Na Hora H. Paguei Pra Ver. Quase Me Chamou de Amor. Malhado e Gostoso. Paguei Pra Ver. Pablo. Ah, que bom que você perguntou. Não vou negar, vou indo. Desde quando você me deixou. As coisas não estão mais fluindo. O vento . Ah, que bom que você perguntou / Não vou negar, vou indo / Desde quando você me deixou / As coisas não estão mais fluindo / O vento se juntava com o mar /. Clique e Baixe já PABLO A VOZ ROMÂNTICA - VOL.3 ® Esse e outros CDs você ENVIAR MENSAGEM, VER MAIS MENSAGENS Baixar01 - Amor proibido.

Minha sobrinha de 4 anos quer empurrar o carrinho pra brincar com o nene, ai ela tem medo que ela faz curva e pode derrubar ele. Mas acredito que sim. Not only will this exceed U. GMs Ungidos ordenam e homem volta a andar. Parabéns aos Guardas Municipais do Rio de Janeiro, pois os senhores fizeram um milagre. Publiée par Rio de Nojeira sur Mercredi 31 mai O maldito concorda. Opa, beleza! Era Bolh…. Eu também estou na mesma leva do Mat.

Fico extremamente satisfeito se eu conseguir doutrinar minha família no caminho do bem. Mas foi por uma causa nobre. Duas vezes por ano esses caras aparecem para ir tirar foto da meninada. Enfim, dessa vez achei muito caro o valor de uma foto só. Claro, ela tem a realidade dela. Huuum, em containers de carne?!?! Amazing, segue o jogo sertanejo!!!

É a chance do Temeroso ficar bem na foto. E daí chega. Nao tem preço…kkkk. Corpo de Garrincha desaparece de cemitério. Incompetência, como tudo na banânia. Morreu avô da Môça semana passada. Quando desceram as escadas para ir embora, foram recebidos a tiros por outros dois homens que estavam na rua […]. Fail nada. Pessoal sabia o que tava fazendo: querendo causar achando que iria passar batido.

Vou mandar tomar no cu na vistoria, tou até vendo. Depois vc vai pagat o IPVA , que é sobre a propriedade do carro e o licenciamento. Usamos o carro o mínimo possível. Assim, cria-se o mínimo de empregos, gera-se o mínimo de consumo e retorno. Porra, pelos poucos 5 segundos que vi que é o tempo pra pular a propaganda aquela merda deve ser um TCC de progressismo. Lembrei daquela enquete do governo para escolher o nome do navio de pesquisa polar da Inglaterra. Ah, fica maneiro mesmo, ué???

Festa junina, é só aquele dia e acabou. Boa tarde. O seu voto vale tanto quanto o de qualquer bandido ou imbecil. Eu curti a iniciativa do prefeito. Matem o pallophi!!! Rapaz, tem como denunciar o sujeito aqui? Esse é exatamente o propósito esquerdista. A coerência deles é justamente a incoerência. Coerencia com o ideal. Sem remorso pois o objetivo ideológico é maior.

Dois filmes recentes: aquele do indiano supostamente iluminado por divindade e o das negras da nasa. Acompanhando grupos do face. Vi um zé mané que vendeu casa, outro moto e outro o carro para baixarem BTC na alta. Troféu Fire on Ass. Porque diabos o cara compra na alta???? Ainda vejo o Bitcoin com boas chances de subir mais este ano.

As razões? Vejamos: — Maior demanda na banania por bitcoin, inclusive pelo litecoin. Enfim, ainda tem espaço pra subir? Mas recomendo somente para os fortes que saibam especular.

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Em trabalhei em corretora. Era pra ser uma simples dor de cabeça e alguns exames. Pesquisei na internet a bula, milhares de efeitos colaterais, inclusive: cefaleia. Pois tente mesmo.

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Se possivel por 30 dias. Depois comente por aqui. Sugiro que compre as capsulas americanas. Embora, as que comprei na Argentina e no Uruguai eram boas tambem e um pouco mais baratas. Estou, primeiramente, eliminando causas. Mas voce encontrou algum comentario negativo ali? Nao achei nada. Interessante a lista enorme de doenças que esta sendo utiilzada. Tem uns comentarios bem curiosos ali. Até diarréia um disse que deu. Mas é importante questionar o medico sim antes de se medicar.

Depois de ler esses coments, até me arrependi de ter recomendado ele tomar….. Natural é seu corpo produzir, né? Se eu tomar melato e nao dormir bem, tipo a noiva me acordar antes de 8 hrs de sono, é dor de cabeça durante o dia na certa.

Pedi para ele segurar uma semana a receita. Sabe o que resolveu? Mandar ele desligar o celular quando chega em casa e esperar eu chegar da academia para caminharmos juntos com o cachorro. Sem celular. Só chave de casa e bate papo. Eu tiro meu stress do dia-a-dia correndo antes de caminhar com ele, ele eu puxei para caminhar com o cachorro e comigo.

Eu tou vendo muita gente tomando remédio quando as vezes é só relaxar e aproveitar um pouco a vida. Claro que cada caso é um caso. Trata-se de um assunto ainda controverso no Ocidente. Se isso tiver fundamento, ferrou…. Mas, às vezes, acabo dormindo com a Internet ligada. Você sentia dores de cabeça quando intensificava seus treinos? Taí, vou verificar isso.

Boa sorte! É o que farei de fato, agradeço a todos pelas sugestões. Depois farei os exames de neuro. Enfim, valeu mesmo! Até tenho o email real, mas ela volta se quiser. Agora é hora de uma nova Greve Geral, de 48h! Que é isso?

No interior isso ainda é mais bizarro. Eis que sobe o morro, gringo até aqui faceiro. Por isso esse país tinha que ser dividi do nuns 5 pelo menos. Sabe uma das coisas que mais me incomoda aqui? Só parasitismo…. Isso é intencional. Estou apenas incluindo no conceito aqueles que vivem do que é produzido por terceiros, sem que esteja também contribuindo produtivamente.

Tipo batalha de robôs? Adoro o programa! Em , investimos em torno de meia centena de milhões de dólares em pesquisas em etanol. Os EUA investiram 1,5 bilhões. Eu participava de um bracinho. Cada navio panamax carrega cerca de 60 mil toneladas de soja, representando perdas de processamento de cerca de 2,58 milhões de dólares se processados em Shandong.

Em julho, as chegadas devem cair para 8 milhões de toneladas, com os maiores declínios vistos no terceiro trimestre. A alguns dias decidi mover meu rico dinheirinho para os EUA. A minha ideia é seguir o manual do anonymous. Estou no processo de tentar entender como funciona. Sei que enviar o dinheiro da banania para US é relativamente facil, entretanto, gostaria de saber se trazer de volta o dinheiro é algo que devo me preocupar?

Pode usar o Transferwise também ou os serviços dos bancos. Hoje até estava me sentindo animado com a banânia, mas vc tem que ficar esfregando a bhosta na nossa cara. Assinar em. Forgot your password?

Get help. Impacto da crise política. Artigos relacionados Mais do autor. MMT, a teoria abraçada pela esquerda para gastar sem limites. Distorções econômicas. Reply Link. Second 0. Quase… 0. A prata é minha kkkkkk 0. Merda nenhuma. Bom diaaaaa! Bom dia e parabéeeeeins! É hoje o niver? YES 0. Muitas felicidades e muitos anos de vida.

Aêêê… Parabéns! Parabéns India!!! Parabéns pra vc e seus cabelos… lindos como a noite!!! Bom dia. Só milagre muda essa terra. Tere hommikust! E as bandeirinhas da cgt, cut, pstu, psol etc. É o que KKKK. E a lista com o nome dos artistas, cadê? Caros amigos, Estou meio sumido.

Uma semana assim, e posso dizer que minha vida melhorou pra caramba. Difícil fazer isso depois que vc sai da matrix. Às vezes somos como uma esponja e absorvemos muita negatividade mesmo. Isso aí! Eu estou seguindo o mesmo caminho e aprendendo muito por aqui. Abrço 0. Quanto ao tópico, excelente, deixem eles abaixarem os juros. Falou galera vou jogar tenis aquele abraço 0. Boa tb!!!

Tem que ter humildade e saber o caminho do dinheiro. A torneira secou O leite da vaca acabou 0. Cuidado, estamos cercados por invejosos… 0. Bananense é selvagem! Deixe a sua realidade para quem vale a pena.

Kkk 0. Ave, ! Musicas triste e romanticas. Sou O Cara Pra Você Dm Bb Arrochando, quebrando! Se inscreva- se no canal e aproveite os lanÇamentos musica cds com repertÓrios novos cds promocional e muito mas.

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Muitas vezes me perguntaram quando escrevi meu primeiro poema, quando nasceu em mim a poesia. Tratarei de lembrar. Eles estavam na sala de jantar, mergulhados em uma dessas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo dos meninos e dos adultos.

Como um avestruz, eu tragava sem discriminar. Por esse tempo chegou a Temuco uma senhora alta, com vestidos muito compridos e sapatos de saltos baixos. Era a nova diretora do liceu de meninas. Chamava-se Gabriela Mistral. Eu a olhava passar pelas ruas do povoado com seus vestidões até os tornozelos e tinha medo dela.

No rosto queimado em que o sangue índio predominava como um belo cântaro araucano, seus dentes branquíssimos mostravam-se num sorriso pleno e generoso que iluminava a casa. Eu era jovem demais para ser seu amigo - e tímido e ensimesmado demais. Poucas vezes a vi-mas o bastante para cada vez sair com alguns livros que me presenteava. Continuam me acompanhando. Gostei da aventura de ir só, adivinhando o caminho naquelas serranias. Pensei que, se me perdesse, alguém me ajudaria.

Logo me desviei pelas margens do lago Budi. O marulhar assaltava os pedestais do outeiro. Tinha que aproveitar aqueles minutos em que uma onda se desfazia e recuava para recobrar força. Passado o perigo, para o lado do poente começava a lâmina imóvel e azul do lago.

O areal da costa se estendia interminavelmente até a desembocadura do lago Toltén, bem longe dali. Estendem-se ao longo do Chile como o anel de um planeta, como um aro envolvente acossado pelo estrondo dos mares austrais: uma pista que parece dar a volta pela costa chilena até além do Pólo Sul. Quando minha cabeça roçava seus verdes, caía sobre nós uma descarga de orvalho.

À minha direita se estendia o lago Budi: uma lâmina constante e azul que limitava com os bosques distantes. Somente no final vi alguns habitantes. Eram estranhos pescadores. Especialmente cobiçadas eram as grandes lisas, grandes peixes prateados, que nesses baixos se deba-tiam extraviadas. Depois levantavam no alto as ovaladas polpas de prata que tremiam e brilhavam ao sol antes de morrer no cesto dos pescadores. Abandonei as margens do lago e me internei buscando o caminho nas encrespadas encostas dos montes.

Escurecia palmo a palmo. Uivavam, ladravam, atravessavam o caminho velozes raposas de cauda vermelha, ou animais ignorados do bosque secreto. Compreendi que tinha me extraviado. A noite e a selva, que me fascinaram, agora me ameaçavam e me enchiam de pavor.

Enzo Rabelo realiza primeiro show e inicia turnê pelo Brasil

Quando nos aproximamos, detendo-me, vi que era um desses camponeses desengonçados de poncho pobre e cavalo magro, que de vez em quando emergiam do silêncio.

Contei-lhe o que se passava comigo. Laconicamente me indicou que seguisse por duas léguas um pequeno atalho transversal. Agradeci ao camponês os parcimoniosos conselhos e ele se afastou, trotando no cavalinho chucro.

Continuei pela trilha estreita, como uma alma penada. Uma lua virginal, curva e branca como um fragmento de unha recém-cortada, começava a subir no céu. Cerca das nove da noite divisei as inconfundíveis luzes de uma casa. Chamei à porta, primeiro suavemente, e depois com mais força. Examinou-me com olhos severos e entreabriu a porta para interrogar o viajante intempestivo: - Quem é você e o que deseja? Sou estudante. Estou muito cansado.

Desejo somente dormir em qualquer canto e seguir ao amanhecer meu caminho. Grandes cortinas vermelhas resguardavam as janelas altas. As poltronas estavam cobertas por um envoltório branco que as preservava.

De quê? Pareceu-me haver caído no fundo de um lago e em sua fundura sobreviver sonhando, muito cansado. Apressadamente entraram duas senhoras idênticas à que me recebeu. Era tarde e fazia frio. Sentaram-se ao meu redor, uma com leve sorriso de longínqua coqueteria e a outra fitando-me com os mesmos olhos melancólicos da que me abriu a porta. Indagavam sobre meus estudos. Falei inesperadamente de Baudelaire, dizendo-lhes que havia começado a traduzir seus versos.

Foi como uma chispa elétrica. As três damas apagadas se inflamaram. Temos aqui suas Fleurs du mal. Ninguém sabe francês nestas montanhas.

A mais jovem, também francesa de sangue, era chilena de nascimento.

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Entrou uma empregada índia e sussurrou algo ao ouvido da senhora mais velha. Fiquei atônito. No centro do aposento, uma mesa redonda com toalhas compridas e brancas era iluminada por dois candelabros de prata cheios de velas acesas.

A prata e o cristal brilhavam juntos naquela mesa surpreendente. Chegava desgrenhado, fatigado e empoeirado, e aquela mesa parecia estar esperando um príncipe - o que eu estava muito longe de ser. Melhor aspecto teria um tropeiro suado que deixasse à porta a sua boiada.

Cada guisado era uma surpresa no sabor e no cheiro. Da adega trouxeram vinhos velhos, conservados por elas segundo as leis do vinho da França. Apesar do cansaço que me cerrava de repente os olhos, eu as ouvia contar coisas estranhas. Durante trinta anos haviam sido visitadas por 27 viajantes que chegaram até esta casa distante, uns a negócios, outros por curiosidade, alguns, como eu, por acaso. Fui dormir e caí na cama como um saco de cebolas num mercado.

Ao alvorecer, ainda escuro, acendi uma vela, me lavei e me vesti. Clareava quando um dos criados me encilhou o cavalo. Que se passou com as três senhoras desterradas com suas Fleurs du mal no meio da mata virgem? Deve ter acontecido o mais simples de tudo: a morte e o esquecimento.

Me Liga, Beijo, Tchau

Provavelmente a selva devorou aquelas vidas e aqueles salões que me acolheram numa noite inesquecível. Mas em minha lembrança continuam vívidos como no fundo transparente do lago dos sonhos. A debulha do trigo, da aveia, da cevada, se fazia ainda com éguas.

Havia um sol esplêndido e o ar era um diamante silvestre que fazia brilhar as montanhas. A debulha é uma festa de ouro. A palha amarela se acumula em montes dourados. Os homens hirsutos e com barba por fazer, em mangas de camisa e revólver no cinto, estavam quase sempre sujos de azeite, de pó de cereal, de barro, ou molhados até os ossos pela chuva.

Nunca conversavam. Eram também os primeiros nos churrascos em pleno campo, no vinho tinto e nas guitarras chorosas. Eram homens da fronteira, a gente de que eu gostava. Depois do assado, das guitarras, do cansaço cegante do sol e do trigo, a gente tinha que se preparar para passar a noite. Quanto aos rapazes, fomos destinados a dormir no celeiro. O celeiro erguia seu monte de palha e podia alojar um povoado inteiro em sua maciez amarela.

Para mim tudo aquilo era um incômodo inusitado. Coloquei cuidadosamente meus sapatos debaixo de uma camada de palha de trigo, a qual deveria servir- me de travesseiro. Tirei a roupa, me cobri com o poncho e me afundei no monte de palha. Fiquei longe de todos os outros que, de imediato e de maneira unânime, trataram de roncar. Fiquei muito tempo estendido de costas, com os olhos abertos, o rosto e os braços cobertos pela palha. A noite era clara, fria e penetrante. Em seguida dormi.

Despertei bruscamente porque alguma coisa se aproximava de mim, um corpo desconhecido se movia debaixo da palha e se acercava do meu. Tive medo. Esse algo se chegava lentamente. Sentia se partirem os talos da palha, afastados pela forma desconhecida que avançava. Todo meu corpo estava alerta, esperando.

Devia talvez levantar-me e gritar. Fiquei imóvel. Percorreu-me a fronte, os olhos, todo o rosto com doçura. Pouco a pouco meu temor se mudou em prazer intenso. Nem uma palavra saía nem saiu daquela boca desconhecida. Como é difícil fazer amor sem causar ruído em um monte de palha, compartilhado por mais sete ou oito homens, homens adormecidos que por nada do mundo devem ser despertados.

Mas o certo é que tudo se pode fazer, ainda que custe cuidados infinitos. Logo amanheceria, pensava, e os primeiros trabalhadores encontrariam a mulher nua no celeiro, estendida a meu lado. Mas também eu adormeci. Soou o apito de motor e homens e mulheres começaram a transitar e a se atarefarem junto ao celeiro em suas ocupações.

O novo dia de debulha se iniciava. Eu olhava de soslaio enquanto comia, procurando entre as mulheres a que pudesse ter sido a visitante noturna. Mas umas eram velhas demais, outras demasiado magras, muitas eram mocinhas delgadas como sardinhas.

E eu procurava uma mulher compacta, de bons seios e tranças compridas. Esta, sim, podia ser. E me pareceu que esse sorriso se fazia maior e mais profundo, se abria dentro de meu corpo.

Digo exteriormente porque, por dentro, minha cabeça estava cheia de livros, de sonhos e de poemas que zumbiam em mim como abelhas. Este comprido trem que atravessava zonas e climas diferentes, e no qual viajei tantas vezes, guarda para mim ainda um encanto estranho.

Eram muitos os que viajavam sem pagar, debaixo dos bancos. Ao surgir o inspetor, produzia- se uma metamorfose. Muitas vezes fiz aquela viagem de ida e volta entre a capital e a província mas sempre me senti oprimido quando saía dos grandes bosques, da madeira maternal. As casas de adobe e as cidades com passado pareciam-me cheias de teias de aranha e de silêncio. Alguns dos poetas que conheci naqueles dias sucumbiram por causa das dietas rigorosas da pobreza. Chamava-se Romeo Murga.

Com Romeo Murga fomos ler nossas poesias na cidade de San Bernardo, perto da capital. Mas quando entrei e comecei a recitar meus versos com a voz mais queixosa do mundo, tudo mudou: o povo tossia, lançava piadas e se divertia muitíssimo com minha poesia melancólica.

Despedi-me daquela carapaça para conhecer o mar, isto é, o mundo. Eu sabia que minhas fomes anteriores aumentariam com esta aventura. Pelo menos assim me parecia. O primeiro alojamento independente que tive foi alugado na rua Argüelles, perto do Instituto de Pedagogia. O dono da casa ocupava os quartos da frente. Era um homem de cabelos grisalhos, de aparência nobre e de olhos que me pareceram estranhos. Era loquaz e eloqüente.

Suas preocupações, segundo me disse, diziam respeito mais ao mundo invisível, ao além. Era um desses invernos frios de Santiago do Chile. A herança colonial da Espanha deixou a meu país o desconforto e o menosprezo até dos rigores naturais. Cinqüenta anos depois do que estou contando, Ilia Ehrenburg me dizia que nunca sentiu tanto frio como no Chile, ele que chegava das mas nevadas de Moscou. Aquele inverno havia recoberto os vidros.

Os cavalos das velhas carruagens deitavam vapor pelos focinhos. Era o pior momento para se viver naquela casa, entre obscuras insinuações do além. Este momento é muito difícil para os mortos, que continuam freqüentando os mesmos lugares em que viviam. Mas o homem de cabeça grisalha me julgava talvez demasiado vivo. Começou a vigiar minhas entradas e saídas, a regulamentar minhas visitas femininas, a espionar meus livros e minha correspondência.

Tive que procurar em pleno inverno, levando tombos pelas ruas hostis, um novo alojamento onde albergar minha independência ameaçada. Encontrei-o a poucos metros dali em uma lavanderia. Nessa casa e nesse quarto fiquei. Tínhamos, os poetas estudantis, uma vida extravagante. Porém, fora do quarto e de minha rua, a turbulência da vida dos escritores da época tinha um fascínio especial. As conversas e os versos iam e vinham até de madrugada.

Meus estudos se ressentiam com isso. A empresa de estrada de ferro dava a meu pai, para suas tarefas a céu aberto, uma capa de grosso pano cinzento que ele nunca usou. Destinei esta capa à poesia. Esta gente da malandragem, bailarinos e valentões, criava conflitos contra nossas capas e nossas vidas.

Nós, os poetas, reagíamos com firmeza. Este havia sido um jovem novelista, célebre por seu belo porte. O novelista havia sido aniquilado por uma tuberculose das que chamamos galopante. Essa aura deslizou uma tarde no meu quarto, ao fundo da lavanderia, e pude tocar e percorrer inteiramente a fruta de neve ardente.

A vestal invocava o deus desaparecido antes de entregar-se a um novo rito. A timidez A verdade é que vivi muitos de meus primeiros anos, e talvez de meus segundos e de meus terceiros, como uma espécie de surdo-mudo. Porém, em vez de me aproximar das moças, certo de que tartamudearia ou enrubesceria diante delas, preferia passar ao largo e distanciar-me, mostrando um desinteresse que estava muito longe de sentir.

Todas eram um grande mistério para mim. Eu escutava as conversas na mesa de meu pai.

Quando cheguei à capital fiz aos poucos amigos e amigas. Quanto menos importância me concediam, mais facilmente lhes dava minha amizade. Além do que, eu vestia uma longa capa espanhola que me fazia parecer um espantalho. Entre as pessoas que me procuravam estavam dois grandes esnobes da época: Pilo Yañez e sua mulher Mina. Encarnavam o exemplo perfeito da bela ociosidade em que eu gostaria de viver, mais distante que um sonho. Voltava contente de sua casa, eles o notavam e voltavam a me convidar.

Naquela casa vi pela primeira vez quadros cubistas e entre eles um Juan Gris. Disseram- me que Juan Gris havia sido amigo da família em Paris. O de Pilo Yañez fugia de todos os padrões. Porém, em verdade, jamais em cinqüenta anos encontrei um pijama como aquele. Perdi de vista os Yaüez por muitos anos. Por fim foi Rosacruz ou algo parecido num acampamento mistico do sul da França. Quanto a Pilo Yañez, o marido, mudou de nome para Juan Emar e se converteu com o tempo em um escritor poderoso e secreto.

Fomos amigos toda a vida. Silencioso e gentil, porém pobre, assim morreu. Finalizarei sobre Pilo Yañez ou Juan Emar e voltarei à minha timidez recordando que, durante a época estudantil, meu amigo Pilo se empenhou em apresentar-me a seu pai. Nessa época todos os poetas e pintores latino-americanos tinham os olhos fixos em Paris.

O pai de Pilo era uma pessoa muito importante, um senador.

Meus amigos ficaram na ante-sala, depois de despojar-me de minha capa para que eu parecesse mais normal. Abriram-me a porta da sala do senador e a fecharam às minhas costas. Ao dar o primeiro passo sobre o assoalho polido e criminosamente encerado, resvalei como um esquiador.

Minha velocidade crescia vertiginosamente. Consegui sentar-me em uma cadeirinha a seu lado. Perguntou-me vagamente por meus projetos. Eu, depois da queda, era ainda mais tímido e menos eloqüente do que de costume. Pensei ouvi-lo prometer, com uma voz muito suave, que me daria notícias suas. É claro que nunca o senador, pai de meu amigo, me procurou. Confesso que me alegrei. Domingo Gómez Rojas, esperança jovem da poesia chilena, enlouqueceu e morreu torturado em um calabouço.

Milhares de casas estavam ocupadas por gente desconhecida e por percevejos. O transporte nas ruas era feito por pequenos e desconjuntados bondes, que se moviam penosamente com grande clangor de ferros e campainhas.

Tratava-me como se eu fosse um menino, que em realidade era. Juan Gandulfo era de pequena estatura, de rosto redondo e prematuramente calvo. Gandulfo aceitou, aprendeu esgrima em quinze dias e deixou vexado e assustadíssimo seu contendor. Era linotipista. Seu rosto magérrimo parecia talhado em osso e marfim. Vestia-se de negro, um negro puído nas bainhas das calças e das mangas, sem que por isso perdesse a elegância.

Sua palavra me soou irônica e aguda desde o primeiro momento. Usava chapéu cordobês e longas costeletas de líder. Suas gravatas eram sempre esplêndidas mostras de opulência, dentro da pobreza geral.

Ia embora como havia chegado, deixando versos, desenhos, gravatas, amores e amizades onde esteve. Rojas Giménez nos impôs pequenas modas no traje, na maneira de fumar, na caligrafia.

Pablo (cantor) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Caçoando de mim, com infinita delicadeza, ajudou a me despojar do tom sombrio. Com Dom Miguel de Unamuno tinha aprendido a fazer passarinhos de papel. Construía um de longo pescoço e asas estendidas que depois soprava. Descobria poetas da França, garrafas escuras sepultadas nas adegas, dirigia cartas de amor às heroínas de Francis Jammes. Seus belos versos andavam amassados nos bolsos sem que jamais, até hoje, fossem publicados. Posso lhe pedir uma coisa? É a maneira de render minha homenagem às pessoas interessantes que encontrei na vida: saltar por cima deles, se me permitem, depois de mortos.

Alguns anos depois, no inverno mais chuvoso de que se teve lembrança no Chile, morria Rojas Giménez. Havia deixado sua jaqueta, como de costume, em algum bar do centro de Santiago. Dois dias depois uma broncopneumonia levou deste mundo um dos seres mais fascinantes que conheci.

Foi-se o poeta com seus passarinhos de papel voando pelo céu e debaixo da chuva. Porém aquela noite os amigos que o velavam receberam uma visita insólita. Ninguém o conhecia. E assim foi como a surpreendente vida de Alberto Rojas Giménez foi selada com um rito misterioso que ninguém pode explicar ainda. Eu estava recém-chegado à Espanha quando recebi a notícia de sua morte.

Foi em Barcelona. Mas, além disso, devia fazer algo ritual para a sua despedida. Aproximei-me de um amigo, o pintor Isaías Cabezón, e fomos à maravilhosa basílica de Santa Maria del Mar.

Santa Maria del Mar era a catedral dos navegantes. Depois foi decorada com milhares de ex-votos: barquinhos de todos os tamanhos e formas, que navegam na eternidade, forram inteiramente os muros e os tetos da bela basílica. Loucos de Inverno A propósito de Rojas Giménez direi que a loucura, certa loucura, anda muitas vezes de braço dado com a poesia. Que é isso de por la razón o la fuerza? Silenciosamente entrava e saía de bares e restaurantes, dos cafés e dos concertos, sem fazer ruído e com um misterioso pacotinho de jornais debaixo do braço.

Nosso apelido nunca o molestou. Suas frases eram escassas, porém carregadas de intensidade. Depois cada um de nós se despedia dele com solenidade e partíamos deixando-o completamente só na porta do campo santo. Antes de irmos, eram entregues a ele alguns pesos para que comesse um sanduíche na cova.

Em Buenos Aires conheci um escritor argentino, muito excêntrico, que se chamava ou se chama Omar Vignole. Passeava por toda Buenos Aires com sua vaca, puxando-a por uma corda. Quando se reuniu pela primeira vez em Buenos Aires o congresso do Pen Clube mundial, os escritores presididos por Victória Ocampo tremiam ante a idéia de que chegasse ao congresso Vignole com sua vaca. Explicaram às autoridades o perigo que os ameaçava e a polícia colocou cordões de isolamento nas ruas ao redor do Hotel Plaza para impedir que chegasse, ao luxuoso recinto aonde se celebrava o congresso, meu amigo excêntrico com seu ruminante.

O mesmo Vignole desafiou um lutador de catch-as-can. Aceito o desafio pelo profissional, chegou a noite do encontro num Luna Park repleto. Mas aqui de nada servia a vaca nem o adorno suntuoso do poeta lutador.

Poucos meses depois publicou um novo livro: Conversações com a vaca. Telefonou-me um dia com urgência. Minha casa tinha sido bombardeada em Madri e vi homens, mulheres e crianças destroçados pelos bombardeios.

A guerra mundial se aproximava. Com outros escritores nos pusemos a combater o fascismo à nossa maneira: com nossos livros que exortavam com urgência a reconhecer o grave perigo. Meu compatriota se havia mantido à margem desta luta. Era um homem taciturno e um pintor muito dedicado a seu trabalho. Porém o ambiente era explosivo Quando as grandes potências impediram a chegada de armas para os espanhóis republicanos se defenderem e depois quando em Munique abriram as portas ao exército hitlerista, a guerra chegava.

Acudi ao chamado de Chile Guevara. Era muito importante o que ele queria me comunicar. Trouxe aqui para te ler. E com sua cara de sobrancelhas espessas, de antigo boxeador, me olhava fixamente enquanto desembolsava um volumoso manuscrito.

Presa de terror e pretextando minha falta de tempo, convenci-o a me explicar verbalmente as idéias com as quais pensava salvar a humanidade. Quantas batatas saem de uma batata que se semeia? Imagina que cada pessoa plante uma batata no jardim, na sacada, onde quer que seja. Quantos habitantes tem o Chile?

Oito milhões. Oito milhões de batatas plantadas. Multiplica, Pablo, por quatro, por cem. Acabou-se a fome, acabou-se a guerra. Quantos habitantes tem a China? Cada chinês planta uma batata. De cada batata semeada saem quarenta batatas. Quinhentos milhões vezes quarenta batatas. Detiveram Alvaro Guevara numa noite de frio e névoa em sua casa de Paris. Feito um esqueleto humano saiu do inferno, mas nunca mais se recuperou.

Sei que os nazistas te mataram. No entanto, no mês de junho do ano passado, entrei na National Gallery. Era o retrato de uma dama, de uma dama famosa: Edith Sitwell. Fui um homem simples demais: esta é minha honra e minha vergonha.

Até os divisionistas que me atacam, os que se agrupam em montes para me arrancar os olhos e que antes se nutriram de minha poesia merecem pelo menos meu silêncio.

Grandes negócios Nós os poetas sempre pensamos ter grandes idéias para ficarmos ricos, que somos gênios para projetar negócios, ainda que gênios incompreendidos. O sujeito me pagou quinhentos pesos, que eram pouco menos que cinco dólares naquela época. Rojas Giménez, Alvaro Hinojosa, Homero Arce me esperavam à porta do cartório para dar-nos um grande banquete em honra deste êxito comercial. Com efeito comemos no melhor restaurante da época, La Bahía, com vinhos suntuosos, charutos e licores.

Previamente tínhamos mandado lustrar os sapatos que luziam como espelho. Os que tiveram proveito com o negócio: o restaurante, quatro engraxates e um editor.

Eu seria seu sócio em cinqüenta por cento, bastando trazer uns poucos pesos que recebesse de algum lugar. Ele colocaria o restante. Naquele dia nos sentimos capitalistas sem Deus nem lei, decididos a tudo. Alvaro fechou os olhos, soltou uma baforada de fumaça que subiu em pequenos círculos e finalmente respondeu com voz sigilosa: - Couros!

Ignorava que as focas ou leões-marinhos pudessem ser peludos. Quando os contemplei sobre uma rocha, nas praias do sul, vi neles uma pele reluzente que brilhava ao sol, sem perceber indício algum de pêlo em suas barrigas preguiçosas.

Fomos ver os couros. Sobre as ilhotas de penhascos desolados os leões-marinhos costumavam praticar suas cerimônias eróticas. Agora estavam diante de meus olhos, em grandes fardos de couros amarelos, perfurados pelas carabinas dos empregados da tia maligna.

Bastava que um magnata interessado e compreensivo os lesse e seríamos ricos. Alvaro recebeu-o com displicência protetora e lhe marcou, três dias depois, uma hora apropriada para mostrar nossa mercadoria fabulosa. O homem chegou pontualmente à entrevista.

Depois passou os olhos astutos e inflexíveis pelas estantes atulhadas. Alvaro aproveitou o momento culminante para oferecer-lhe um de seus autênticos havanas. O comerciantezinho pegou-o rapidamente, deu uma dentada na ponta e o encaixou entre as mandíbulas. Meu sócio subiu na escada e, sorrindo como um condenado à morte, baixou o grande envoltório. O homem levantava uma pele, esfregava, dobrava e a rejeitava e em seguida passava a outra, que por sua vez era arranhada, raspada, cheirada e posta de lado.

O momento era emocionante. Meus primeiros livros Refugiei-me na poesia com ferocidade de tímido.

PRA VER PABLO BAIXAR PAGUEI

Na rua Maruri, n. Escrevia de dois a cinco poemas por dia. Ninguém nunca me perguntou o que era Maruri. Em foi publicado meu primeiro livro: Crepusculario. Vendi meus poucos móveis. Na casa de penhores foi parar rapidamente o relógio que solenemente me tinha presenteado meu pai, relógio em que ele tinha mandado pintar duas bandeirinhas entrelaçadas. O relógio foi seguido pelo meu traje negro de poeta.

Meu primeiro livro! Nos lugares mais inesperados recitavam-no de memória ou me pediam que eu o fizesse. Inquietações tremendas moviam minha poesia. Em tive uma curiosa experiência. Havia voltado à minha casa em Temuco. Era mais de meia-noite. Antes de me deitar abri as janelas de meu quarto. O céu me deslumbrou. Senti-me embargado por uma embriaguez de estrelas, celeste, cósmica.

Corri à minha mesa e escrevi de maneira delirante, como se recebesse um ditado, o primeiro poema de um livro que teria muitos nomes e que finalmente se chamaria El hondero entusiasta. No dia seguinte li cheio de prazer meu poema noturno. Escrevi-os num impulso. Comecei a me corresponder com ele.

Estive muitos dias com a carta nos bolsos, amarfanhando-se até que se desfez. Estavam em jogo muitas coisas. Mais que tudo me obsedava o delírio estéril daquela noite. Tinha que aprender a ser modesto. Rasguei muitos originais, perdi outros. Buscando meus impulsos mais simples, meu próprio mundo harmônico, comecei outro livro de amor.

O resultado foram os Veinte Poemas. Ajudaram-me a escrevê-lo um rio e sua desembocadura: o rio Imperial. O esvoaçar de gaivotas era sentido e continua sendo sentido naquela desembocadura. Eu escrevia no bote, escondido na terra. Sempre me perguntaram quem é a mulher dos Veinte Poemas, pergunta difícil de responder. As duas ou três que se entrelaçam nesta melancólica e ardente poesia correspondem, digamos, a Marisol e a Marisombra.

Marisombra é a estudante da capital, boina cinzenta, olhos suavíssimos, o cheiro constante de madressilva do errante amor estudantil, do apaziguamento físico, dos apaixonados encontros nos esconderijos da cidade. Enquanto isso mudava a vida do Chile. Clamoroso levantava-se o movimento popular chileno buscando entre os estudantes e os escritores um apoio maior. O país continuou debatendo-se nos conflitos mais terríveis.

Uma avalanche de desemprego abalou as instituições. Eu escrevia semanalmente em Claridad. Desde aquela época e com intermitências se infiltrou a política em minha poesia e em minha vida.